• Pesquisa da Robert Walters revela que 60% dos funcionários brasileiros sofreram estresse no trabalho em 2023, afetando negativamente sua saúde mental.
  • A insegurança no emprego é a principal causa de estresse para 45% dos trabalhadores, seguida por pressão administrativa, falta de aumento salarial e aumento da carga de trabalho.
  • A maioria dos empregados (55%) acredita que as empresas não fazem o suficiente para reduzir o estresse, indicando necessidade de ações mais efetivas de líderes e RH no setor corporativo.
Resumo supervisionado por jornalista.

A imagem das empresas junto a seus empregados está aquém do desejado. Pesquisa realizada pela empresa de recrutamento Robert Walters, com mil funcionários revelou que 60% afirmaram ter sofrido algum tipo de estresse relacionado ao local de trabalho neste ano. A maioria disse que a saúde mental diminuiu, como resultado do estresse. Além disso, 55% dos entrevistados não acham que os empregadores estão fazendo o suficiente para ajudar a reduzir o estresse no ambiente de trabalho.

Quando questionados sobre o que causa o estresse no ambiente de trabalho, a preocupação dos funcionários com a estabilidade no emprego aparece como fator número um, apontado por 45% dos respondentes. Isto, segundo o levantamento, revela um alto índice de sensação de insegurança ocupacional.

A este gatilho, seguem-se outros aspectos que atormentam o bem-estar dos empregados, como pressão da administração (23%), falta de aumento salarial (19%) e assumir uma carga de trabalho mais pesada neste ano (13%).

Muitas horas de trabalho, cargas laborais pesadas, prazos apertados, expectativas pouco claras e conflitos com colegas ou supervisores também foram fatores citados como geradores de estresse.

Estresse “muito frequentemente”

Os entrevistados desta fatia de 60% que sentiram algum tipo de estresse no ano foram perguntados pela Robert Walters com que frequência experimentaram essas sensações negativas. Aproximadamente um terço (33%) afirmou “muito frequentemente”. Outros 27% responderam “um pouco frequentemente” e 31% identificaram que isso acontece “às vezes”. Apenas 9% afirmaram que não experimentaram nenhuma forma de “estresse recorrente” no trabalho este ano.

Os resultados negativos seguem na contramão de um cenário no qual, segundo a Robert Walters, as empresas brasileiras vêm gastando mais com iniciativas voltadas ao bem-estar dos funcionários – estes gastos teriam aumentado 20% em média desde a pandemia.

Apesar disso, menos de 20% dos profissionais sentem que os empregadores estão fazendo o suficiente para evitar o estresse, e outros 27% percebem alguns esforços. Mas a maioria (55%) afirmou que os empregadores simplesmente não estão fazendo o suficiente.

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“Medidas podem atuar apenas com um band-aid”

“Os empregadores do Brasil gastam uma boa quantia por funcionário em iniciativas de bem-estar e benefícios todos os anos. Mas nossa pesquisa indica que eles podem estar aplicando apenas um band-aid”, disse Fabiano Kawano, diretor da Robert Walters Brasil.

estresse no trabalho

Para o executivo, o estresse no local de trabalho é algo que todos da empresa têm parcela de responsabilidade. No entanto, cabe aos líderes sêniores e ao RH definir o tom de como tratá-lo. “Uma das iniciativas importantes é ser proativo e ouvir as necessidades dos funcionários”, pontuou. “Intervenções simples, como garantir que as cargas de trabalho sejam gerenciáveis, estabelecer prazos realistas e garantir que os funcionários tenham acesso a suporte, espaços seguros e recursos relevantes, podem ajudar a aliviar a pressão no local de trabalho, bem como a vida profissional diária dos profissionais,” completou Fabiano.

Se não for enfrentado, o estresse no local de trabalho pode virar uma bola de neve, gerando altas taxas de rotatividade, níveis de esgotamento dos funcionários, absenteísmo e menores níveis de produtividade.

O papel dos lideres na redução do estresse

Quando questionados sobre de quem era a responsabilidade de gerenciar o estresse no local de trabalho, 45% dos profissionais disseram que era do RH e os líderes sêniores, seguidos pelos gerentes de linha (34%). Uma fração (18%) disse que a reponsabilidade é do colaborador.

A pesquisa também quis saber como os empregados veem os níveis de produção da empresa onde trabalham. A maioria (51%) identificou a produção de sua empresa como elevada, enquanto 23% identificaram que é de baixa qualidade.

Dúvidas mais comuns

Estresse no trabalho é uma resposta física e emocional a demandas e pressões no ambiente profissional que excedem a capacidade do indivíduo de lidar. Ele pode causar diminuição da saúde mental, aumento do esgotamento, absenteísmo e queda na produtividade dos funcionários.

As principais causas do estresse no trabalho incluem preocupação com a estabilidade no emprego, pressão da administração, falta de aumento salarial, carga de trabalho pesada, prazos apertados, expectativas pouco claras e conflitos com colegas ou supervisores.

De acordo com a pesquisa, 33% dos funcionários sentem estresse muito frequentemente, 27% um pouco frequentemente, 31% às vezes, e apenas 9% afirmaram não experimentar estresse recorrente no trabalho durante o ano.

As empresas devem ser proativas, ouvindo as necessidades dos funcionários e garantindo cargas de trabalho gerenciáveis, prazos realistas e acesso a suporte e recursos adequados. Apesar do aumento nos investimentos em bem-estar, muitos funcionários sentem que os empregadores não fazem o suficiente para evitar o estresse.

Os sinais comuns de burnout incluem exaustão física e emocional persistente, irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, sensação de desânimo, isolamento, dores físicas frequentes e comportamentos como procrastinação e isolamento social.

Segundo a pesquisa, 45% dos funcionários acreditam que a responsabilidade é do RH e líderes sêniores, 34% apontam os gerentes de linha, e apenas 18% consideram que o colaborador é responsável pelo gerenciamento do próprio estresse.

As três fases do burnout são: Exaustão Emocional (cansaço profundo e esgotamento), Despersonalização (distanciamento e cinismo em relação ao trabalho e colegas) e Baixa Realização Profissional (sentimento de ineficácia e desmotivação). Essas fases evoluem progressivamente, podendo levar a sintomas graves e necessidade de apoio profissional.