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A importância da governança nas organizações sociais

Especialistas mostram que as boas práticas de governança proporcionam transparência e são fundamentais para a sustentabilidade financeira das organizações

governanca © - Shutterstock

Autores

Carlos Penteado Braga e Edgard Pitta de Almeida

Professores convidados da Fundação Dom Cabral

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    Impacto positivo e legados sustentáveis

A filantropia global vem crescendo exponencialmente no século 21. Estudo da Harvard Business School de 2018 estimou em US$ 1,5 trilhões o valor dos ativos filantrópicos globais. Desse total, US$ 300 milhões seriam provenientes do Brasil. O mundo se tornou um lugar ainda mais solidário desde a pandemia e o Brasil subiu várias posições no ranking do World Giving Index (WGI) 2022, estudo que mede a generosidade global. Nosso país subiu no ranking geral da pesquisa da 54º para a 18º em 2021, com destaque para o sub-ranking  “ajuda a um desconhecido”, na qual foi de 36º para o 11º lugar.

Entretanto, o crescimento do investimento filantrópico veio acompanhado por uma maior profissionalização de todo o ecossistema do Terceiro Setor, com uma crescente exigência por maior transparência e mecanismos de controle. Neste ambiente, a governança é um tema cada vez mais relevante para as organizações sociais, porque é por meio dela que se estabelecem os princípios, diretrizes e práticas que garantem a transparência, a prestação de contas e a eficiência na gestão dessas organizações.

Governança promove sustentabilidade financeira

Para as organizações sociais, a implementação de boas práticas de governança é fundamental para garantir sua sustentabilidade financeira, sua credibilidade junto aos doadores e parceiros, bem como sua capacidade de gerar impacto social positivo. Isso porque a governança permite uma gestão mais profissionalizada dos recursos da organização, com maior transparência na utilização dos mesmos e maior capacidade de prestação de contas.

Por meio de uma estrutura de governança bem estabelecida, as organizações sociais são capazes de comunicar, de forma clara e acessível, seus objetivos, suas atividades e seus resultados. Isso permite que os stakeholders entendam como a organização opera e como seus recursos são utilizados, aumentando a confiança e o engajamento com a causa.

Além disso, a governança contribui para a prestação de contas. Uma boa governança estabelece mecanismos de monitoramento e avaliação que permitem o acompanhamento constante das atividades da organização, bem como a mensuração do impacto social alcançado. Isso possibilita uma gestão mais eficiente e eficaz dos recursos disponíveis, garantindo que sejam utilizados de forma adequada e alinhada aos objetivos da organização.

A governança também desempenha um papel fundamental na gestão de riscos. Com uma estrutura de governança robusta, as organizações sociais podem identificar e mitigar os riscos a que estão expostas, seja na área financeira, jurídica, reputacional, entre outras. Isso proporciona maior segurança para a organização e seus stakeholders, evitando danos e crises que possam comprometer sua atuação.

Finalmente, a governança promove a participação e a diversidade de perspectivas nas decisões estratégicas da organização. Por meio de órgãos de governança, como conselhos de administração e comitês de assessoramento, é possível reunir pessoas com diferentes experiências e habilidades, enriquecendo o debate e facilitando a tomada de decisões mais assertivas. A inclusão de diferentes perspectivas contribui para a adoção de práticas mais éticas, responsáveis e sustentáveis.

Como principais resultados práticos de uma boa governança podemos apontar a possibilidade de atrair novos doadores e parceiros e impactar positivamente a longevidade da organização. Doadores privados e empresas serão cada vez mais importantes para o financiamento de organizações da sociedade civil (OSC), mas, em contrapartida, serão cada vez mais exigentes na seleção de para quais projetos direcionarão seus recursos limitados para o maior impacto.

Empresas e fundações estão cada vez mais exigentes em relação à transparência e efetividade das organizações sociais apoiadas por eles. Ao implementar boas práticas de governança, as OSCs podem demonstrar seu compromisso com a ética, transparência e prestação de contas, aumentando assim a sua credibilidade junto aos doadores.

Ao estabelecer regras claras e efetivas de gestão e controle, as OSCs podem garantir sua continuidade ao longo do tempo, mesmo diante de mudanças na liderança ou em contextos políticos e econômicos adversos, garantindo sua capacidade de gerar impactos sociais positivos, mensuráveis, escaláveis e duradouros.

Carlos Penteado Braga e Edgard Pitta de Almeida

  • Carlos Penteado Braga e Edgard Pitta de Almeida são professores convidados da Fundação Dom Cabral



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