• O transporte ferroviário de carga no Brasil alcançou 27% da movimentação total em longa distância, superando a expectativa histórica de 23%.
  • O estudo da Fundação Dom Cabral analisou 15 grupos de produtos que representam 97% da carga transportada, indicando o potencial do modal para desafogar rodovias.
  • Aumentar a participação ferroviária para 36% exigiria R$ 300 bilhões em investimentos, mas poderia gerar uma economia anual de R$ 30 bilhões no transporte de cargas.
Resumo supervisionado por jornalista.

A movimentação de cargas com uso da malha ferroviária atingiu 27% do total transportado no Brasil, um número histórico, se considerarmos que os especialistas sempre apontaram que esse modal não ultrapassaria os 23%. Ainda longe do que seria ideal – 36% para desafogar o gargalo das rodovias – o índice atual mostra que, pela primeira vez, o transporte ferroviário respondeu por mais de um quarto do movimento de cargas em longa distância.

As informações foram fechadas no final de 2022, com base em 15 grupos de produtos diferentes na análise. Juntos, tais itens abrangem cerca de 97% de tudo o que é movimentado no país. São eles: alimentos e bebidas processados, carvão mineral, celulose e papel, cimento ensacado, combustíveis, farelo de soja, fertilizantes importados, manufaturados, grãos (especialmente soja), minério de ferro, deriavdos da lavoura e pecuária, outros minerais e petro e químicos, incluindo produtos básicos de borracha.

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Modal ferroviário pode reduzir os custos finais das cargas

A avaliação faz parte do estudo Cenários de carregamento da rede multimodal de transporte com fluxos de cargas nos horizontes base atual e projetados (ainda sem novas infraestruturas), da Fundação Dom Cabral. Segundo o jornal Valor, além de tirar o peso das rodovias, o índice ideal do transporte ferroviário – 36% – também ajudaria a reduzir os custos dos produtos transportados, com destaque para granéis e minério de ferro.

Para efeito comparativo, uma locomotiva pode engatar cerca de 80 vagões de soja, sendo que cada um deles transporta o equivalente a dois caminhões e meio. Com essa conta, cada composição ferroviária é capaz de substituir 240 caminhões. A longa distância também joga contra as rodovias, pois o transporte de 25 toneladas, por exemplo, ao longo de 2 mil km, não pode gerar uma boa margem de lucratividade.

Lembrando: atualmente o modal rodoviário representa 62,2% do total de cargas transportadas no Brasil. Os modais hidroviário e dutoviário detêm, respectivamente, 4,3% e 3,6%. Já a navegação de cabotagem representa 2,9%, fechando as opções de transporte.

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Apesar dos bons números do estudo, existe um sinal amarelo em relação a novos projetos no modal ferroviário, o que pode ter consequências nas próximas décadas, inclusive com o risco de que o percentual de participação retroaja. O valor de investimentos para se atingir a participação ideal é de R$ 300 bilhões, de acordo com o estudo da FDC. Ao mesmo tempo, esse aporte poderia levar a uma economia de R$ 30 bilhões por ano no transporte de cargas.

Dúvidas mais comuns

O transporte ferroviário de carga respondeu por 27% da movimentação total de cargas em longa distância no Brasil, um recorde histórico que supera a expectativa anterior de 23%. Apesar disso, ainda está abaixo do ideal de 36% para aliviar o transporte rodoviário.

O modal ferroviário transporta diversos grupos de produtos, incluindo alimentos e bebidas processados, carvão mineral, celulose e papel, cimento ensacado, combustíveis, farelo de soja, fertilizantes importados, manufaturados, grãos como soja, minério de ferro, derivados da lavoura e pecuária, outros minerais e produtos petroquímicos.

Ao aumentar sua participação para o ideal de 36%, o transporte ferroviário pode reduzir o congestionamento nas rodovias e diminuir os custos finais dos produtos transportados, especialmente para granéis e minério de ferro. Uma composição ferroviária pode substituir até 240 caminhões, tornando o transporte mais eficiente e econômico.

Além do modal ferroviário, o transporte rodoviário representa 62,2% da movimentação de cargas, o modal hidroviário 4,3%, o dutoviário 3,6% e a navegação de cabotagem 2,9%. Esses modais compõem as principais opções de transporte de cargas no país.

Existem diferentes tipos de transporte ferroviário, incluindo locomotivas que puxam os trens, locomotivas de manobra para movimentação em pátios, veículos para passageiros como trens e metrôs, e trens de cargas que armazenam produtos conforme a necessidade da gestão de transporte.

Em linhas modernas, os trens podem transportar vagões com eixos para 30 toneladas, totalizando um peso de até 120 toneladas por vagão. Isso permite que um trem carregue grandes volumes de carga de forma eficiente.

Os tipos mais comuns de cargas incluem carga geral, carga a granel, carga conteinerizada, cargas indivisíveis e excepcionais de grande porte, cargas frigoríficas, carga viva, carga seca e carga perigosa, cada uma com características específicas para o transporte.

Apesar dos avanços, o transporte ferroviário enfrenta desafios como a necessidade de investimentos elevados, estimados em R$ 300 bilhões para atingir a participação ideal de 36%. A falta de novos projetos pode levar a uma estagnação ou até retrocesso na participação do modal nas próximas décadas.