A denominação do problema pode ser em inglês ou português, mas tem o mesmo impacto negativo, principalmente quando está em alta. Estamos falando do turnover, ou, simplesmente demissões. O processo envolve o desligamento do profissional, por várias razões, inclusive falta de encaixe dele ao cargo atual ou mesmo o recebimento de uma proposta melhor. O desafio, de qualquer forma, é atrair e reter os profissionais adequados.
Se antes da pandemia o problema era grave, as estatísticas atuais mostram um quadro piorado. No Brasil, por exemplo, 56% dos executivos de diretoria teriam percebido a tendência de maior turnover, inclusive acima de seus pares de outros países. No Reino Unido, essa percepção foi apontada por 43%, enquanto o índice de 34% foi observado entre os executivos C level da Bélgica e 51% dos franceses.
Os dados da consultoria especializada Robert Half e, no caso, retratando o cenário brasileiro, mostram que os pedidos de desligamento feitos pelos colaboradores dobraram de 2020 para 2021. Com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), a consultoria aponta que a saída voluntária teria saltado de um índice de 33% para 48% no período citado.
TI tem índice maior de demissões
Uma das áreas mais preocupantes é da tecnologia da informação (TI). Nesse segmento, os diretores de TI (CIO) indicam que o turnover aumentou em 54% em relação ao período pré-pandemia. Os fatores que puxaram esse processo incluem desde o avanço da transformação digital até o crescimento de empresas do setor e mesmo de startups, que acabam atraindo a mão de obra especializada.
Outro segmento onde a demissão aumentou é o de finanças, no qual os CFOs indicaram crescimento de 51% no processo em relação à época pré-pandemia. Segundo a Robert Half, é uma das áreas mais preocupantes, pela disputa por profissionais cobiçados.
Apesar do movimento, os especialistas sugerem medidas que podem reduzir o turnover, a começar pelo entendimento do processo em cada corporação, incluindo as iniciativas de recrutamento e treinamento. O mesmo se aplica às áreas de aprendizagem e desenvolvimento.
Dúvidas mais comuns
-
-
Turnover é a taxa de rotatividade de funcionários em uma empresa, medindo a entrada e saída de colaboradores em um determinado período. Um índice alto pode indicar problemas de gestão, cultura ou remuneração, gerando custos com demissões e treinamentos, enquanto um índice muito baixo pode sinalizar estagnação. O ideal é manter um equilíbrio saudável para a renovação e retenção de talentos.
-
-
Nas áreas de TI e finanças, o turnover está em alta devido ao avanço da transformação digital, crescimento de empresas e startups que atraem profissionais especializados, além da disputa acirrada por talentos. No Brasil, o turnover em TI aumentou 54% e em finanças 51% em relação ao período pré-pandemia, refletindo a maior mobilidade e demandas do mercado.
-
-
O cálculo do turnover é feito pela fórmula: [(Número de Admissões + Número de Demissões) ÷ 2] ÷ Número Total de Colaboradores no Período × 100. Esse cálculo resulta em uma porcentagem que indica a movimentação de pessoal em um determinado período, ajudando a identificar problemas no clima organizacional, recrutamento ou liderança.
-
-
Os principais tipos de turnover são: funcional (saída de colaboradores com baixo desempenho, que pode ser positivo), disfuncional (saída de bons colaboradores, prejudicial), voluntário (quando o colaborador pede demissão) e involuntário (quando a empresa demite). Cada tipo tem impactos diferentes para a organização.
-
-
Um turnover alto pode indicar má gestão, falta de motivação, salários baixos e ambiente de trabalho ruim, gerando custos elevados com novas contratações, treinamentos e perda de conhecimento. Além disso, afeta a produtividade e pode prejudicar a cultura organizacional, tornando essencial implementar estratégias eficazes de retenção.
-
-
Para reduzir o turnover, as empresas devem entender o processo de rotatividade internamente, aprimorar as iniciativas de recrutamento e treinamento, investir em aprendizagem e desenvolvimento, além de criar um ambiente de trabalho motivador e oferecer planos de carreira e remuneração competitiva. Essas ações ajudam a atrair e reter os profissionais adequados.