• Profissionais negros são maioria na força de trabalho brasileira, mas ocupam apenas 29,5% dos cargos de liderança, revelando desigualdade estrutural no mercado.
  • O Google recomenda três ações para promover a equidade: programas de acolhimento, mentoria entre negros e letramento racial para líderes brancos.
  • O setor empresarial deve implementar essas práticas para combater o racismo estrutural e ampliar oportunidades, especialmente para mulheres negras que recebem salários inferiores.
Resumo supervisionado por jornalista.

Apesar do movimento recente de muitas empresas para abrir espaço para profissionais negros, eles ainda são minoria, no Brasil, em cargos de liderança. Segundo dados do IBGE, 53,8% dos trabalhadores no país são negros, mas apenas 29,5% ocupam funções gerenciais. Essa constatação levou profissionais negros bem-sucedidos do Google a defender pelo menos três ações que podem mudar esse quadro de desigualdade no país.

Em artigo publicado no site Think with Google, Anderson Jerônimo, head de Customer Engineering no Google Cloud, e Fernanda Doria, diretora de Negócios para Médias Empresas no Google – ambos membros do grupo de profissionais pretos AfroGooglers – defendem a equidade e inclusão, além da importância de investir na progressão das chamadas carreiras negras.

Três caminhos rumo à progressão na carreira

Anderson e Fernanda apontam pelo menos três caminhos que poderão levar ao avanço de profissionais pretos em suas carreiras. A primeira é o chamado “poder de acolhimento”. Eles citam como exemplo o programa de treinamento do Google The Collective, voltado exclusivamente para profissionais negros em oito países, que proporciona ampliação de perspectivas e inspiração para iniciativas em prol da diversidade.

A segunda iniciativa é a importância de haver, nas empresas, programas de mentoria de profissionais negros para outros profissionais negros. “Quando conversamos com alguém que passou por desafios semelhantes e que entende como o racismo estrutural se apresenta no dia a dia, fica mais fácil lidar e encaminhar essas questões”, afirmam os autores do artigo.

A importância do ‘letramento racial’

A terceira iniciativa, o chamado letramento racial, significa conscientizar todas as pessoas sobre a estrutura e o funcionamento do racismo na sociedade, para que possam reconhecer e combater atitudes racistas no cotidiano. Os autores destacam que essa formação deve ser para todos, mas ela é especialmente importante para os “líderes brancos”, para que possam garantir a equidade de oportunidades para todas as pessoas de suas equipes de trabalho.

Mulheres negras ganham menos

Também sobre o letramento racial, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirma, em artigo publicado em seu site, que a “democracia racial é só um mito”. Baseado em dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o artigo destaca que as mulheres negras, em especial, ocupam os piores lugares no mercado de trabalho e recebem salários que correspondem a 48% do que ganham os homens brancos.

O texto da CUT dá um recado importante à sociedade e ao mercado de trabalho: “uma pessoa não é racista somente quando ofende outra, mas também quando não reconhece seus próprios privilégios e não faz nada para mudar a estrutura da sociedade”.

Dúvidas mais comuns

No Brasil, apesar de 53,8% dos trabalhadores serem negros, apenas 29,5% ocupam cargos de liderança, mostrando que ainda há uma grande desigualdade racial no mercado de trabalho, especialmente em posições gerenciais.

Os profissionais do Google defendem três ações principais: o poder de acolhimento por meio de programas exclusivos para negros, a mentoria entre profissionais negros para apoio mútuo e o letramento racial para conscientizar todos sobre o racismo estrutural e garantir equidade, especialmente entre líderes brancos.

O letramento racial é a conscientização sobre o funcionamento do racismo estrutural na sociedade, permitindo que as pessoas reconheçam e combatam atitudes racistas no dia a dia. Nas empresas, é fundamental para que líderes brancos possam garantir oportunidades equitativas para todos os membros da equipe.

A mentoria entre profissionais negros oferece suporte de quem já enfrentou desafios semelhantes relacionados ao racismo estrutural, facilitando o enfrentamento dessas questões e promovendo o desenvolvimento e avanço na carreira desses profissionais.

Mulheres negras enfrentam uma das maiores desigualdades salariais, ganhando em média apenas 48% do salário dos homens brancos, além de ocuparem os piores postos no mercado de trabalho, o que evidencia a interseccionalidade da desigualdade racial e de gênero.

Os principais tipos de desigualdade social são a econômica, racial, de gênero e regional. Essas desigualdades se manifestam na distribuição de renda, acesso a oportunidades, serviços e direitos, reforçando barreiras para a mobilidade social e o acesso a cargos de liderança.

Investir na progressão das carreiras negras é essencial para reduzir a desigualdade estrutural, promover diversidade e inclusão, além de garantir que profissionais negros tenham acesso a cargos de liderança e oportunidades justas, contribuindo para um ambiente de trabalho mais equitativo e representativo.