Elaborado com apoio da Fundação Dom Cabral, o relatório O Futuro do Trabalho 2023 aponta as profissões que estarão em alta nos próximos anos e também as que serão extintas. Aspectos como os avanços tecnológicos, mudanças no perfil dos consumidores e a transição verde impulsionam novos postos de trabalho. Já o aumento do custo de vida, desaceleração do crescimento econômico e tensões geopolíticas acarretam perdas de posições.

O relatório foi elaborado com o apoio da Fundação Dom Cabral nas pesquisas de opinião executiva, com a participação de Carlos Arruda e Hugo Tadeu, professores e pesquisadores do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, e Miguel Costa, assistente de pesquisa do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

A 4ª edição do relatório analisa 45 economias por meio de dados estatísticos, a exemplo de alguns fornecidos pelo LinkedIn – plataforma de mídia social focada em negócios e emprego – e Coursera, além da pesquisa de opinião executiva que alcançou 803 empresas de 27 diferentes setores e que, juntas, são responsáveis por mais de 11 milhões de postos de trabalho no mundo.

69 milhões de empregos serão criados e 83 milhões serão extintos

O objetivo do estudo é acompanhar o impacto da 4ª Revolução Industrial no mercado de trabalho. O Futuro do Trabalho 2023 oferece insights sobre essas transformações no cenário 2023-2027. Ao todo, 23% das ocupações devem se modificar até 2027. Em uma base de dados que analisa 673 milhões de postos de trabalho há, neste período, a expectativa de 69 milhões de empregos criados, liderados principalmente pela transição verde e pela transformação tecnológica, mas neste mesmo período 83 milhões postos serão eliminados. Isso corresponde a uma redução líquida de 14 milhões de postos de trabalho, ou 2% do emprego atual.

Os empregos que mais crescem são especialistas em Inteligência Artificial (IA) e aprendizado de máquina, especialistas em sustentabilidade, analistas de inteligência de negócios e especialistas em segurança da informação, mas o maior crescimento em números absolutos é esperado em educação, agricultura e comércio digital.

Big data, computação em nuvem e IA se destacam

Quando questionado aos executivos sobre quais tecnologias estariam sendo introduzidas em suas empresas, Big data, computação em nuvem e IA se apresentam com maiores popularidades. Mais de 75% das empresas estão procurando incorporar essas tecnologias nos próximos cinco anos. O impacto líquido da maioria das tecnologias, segurança cibernética e da transição verde nos empregos é positivo nos próximos 5 anos.

Big data lidera o ranking de tecnologias vistas como criadoras de empregos no Brasil e no mundo, com 51% dos entrevistados brasileiros esperando o crescimento do emprego em papéis relacionados. Os empregos de analistas e cientistas de dados, especialistas em big data, especialista em IA e aprendizagem de máquina e profissionais de segurança cibernética devem crescer em média 30% até 2027 no mundo.

As tecnologias com maiores capacidades em gerar novos empregos conforme pesquisa qualitativa aplicada no Brasil são: big data, plataformas e aplicativos digitais, tecnologias de educação (LMS – learning management systems), criptografia e segurança cibernética, e tecnologias de suporte e facilitação do comércio digital.

Apesar de similar aos resultados da média global, as macrotendências com maiores potenciais de geração de empregos no Brasil, segundo executivos brasileiros, são “aplicação mais ampla dos padrões ambientais, sociais e de governança” (+70%); “investimentos induzidos pelas mudanças climáticas na adaptação de operações” (+62%); e “investimentos para facilitar a transição ecológica do seu negócio” (+62%).

As funções que mais crescem são impulsionadas pela tecnologia, digitalização e sustentabilidade.

Confira quais profissões são mais promissoras

1. Especialistas em IA e aprendizagem de máquina

2. Especialista em sustentabilidade

3. Analista em inteligência de negócios

4. Analista de Segurança da Informação

5. Engenharia de Fintechs

6. Cientistas e analistas de dados

7. Engenharia de robótica

8. Especialista em Big Data

9. Operadores de equipamentos agrícolas

10. Especialistas em transformação digital

Outras profissões como arquitetos e agrimensores, engenheiros de energia renovável e engenheiros de instalação e sistema de energia solar são cargos de crescimento relativamente alto, à medida que as economias mudam para energia renovável.

Espera-se que os empregos na educação cresçam cerca de 10%, levando a 3 milhões de empregos adicionais para professores de educação profissional e professores universitários. Espera-se também que os empregos para profissionais do setor agrícola, especialmente operadores de equipamentos agrícolas, niveladoras e classificadoras, tenham um aumento de 15% a 30%, levando a mais 4 milhões de empregos. É estimado também um crescimento de 2 milhões de postos de trabalho nas atividades habilitadas digitalmente, como especialistas em comércio eletrônico, especialistas em transformação digital e especialistas em estratégia e marketing digital.

Outras profissões com potencial de crescimento

• Mecânicos e reparadores de máquinas

• Profissionais de desenvolvimento de negócios

• Operários de construção em estrutura metálica

• Professores universitários e do ensino superior

• Engenheiros eletrotécnicos

• Trabalhadores de chapas e estruturas metálicas, moldadores e soldadores

• Professores de educação especial

Por outro lado, as organizações pesquisadas preveem 26 milhões de empregos a menos até 2027 impulsionadas principalmente pela digitalização e automação.

Veja quais profissões devem desaparecer

1. Caixas de banco e funcionários relacionados

2. Funcionários dos Correios

3. Caixas e cobradores

4. Escriturários de entrada de dados

5. Secretários administrativos e executivos

6. Assistentes de registro de produtos e estoque

7. Escriturários de contabilidade

8. Legisladores e oficiais judiciários

9. Atendentes estatísticos, financeiros e de seguros

10. Vendedores de porta em porta, ambulantes e trabalhadores relacionados

Dúvidas mais comuns

O relatório destaca profissões em alta como especialistas em Inteligência Artificial e aprendizado de máquina, especialistas em sustentabilidade, analistas de inteligência de negócios, especialistas em segurança da informação, engenheiros de fintechs, cientistas e analistas de dados, engenheiros de robótica, especialistas em Big Data, operadores de equipamentos agrícolas e especialistas em transformação digital.

Avanços tecnológicos, mudanças no perfil dos consumidores e a transição verde são os principais fatores que impulsionam a criação de novos postos de trabalho, enquanto o aumento do custo de vida, desaceleração econômica e tensões geopolíticas contribuem para a extinção de algumas profissões.

O estudo prevê a criação de 69 milhões de empregos e a extinção de 83 milhões até 2027, resultando em uma redução líquida de 14 milhões de postos de trabalho, o que corresponde a cerca de 2% do emprego atual.

Big Data, computação em nuvem e Inteligência Artificial são as tecnologias mais adotadas, com mais de 75% das empresas planejando incorporá-las nos próximos cinco anos. Essas tecnologias, junto com segurança cibernética e a transição verde, têm impacto positivo na geração de empregos.

Profissões como caixas de banco, funcionários dos Correios, caixas e cobradores, escriturários de entrada de dados, secretários administrativos, assistentes de registro de produtos e estoque, escriturários de contabilidade, legisladores e oficiais judiciários, atendentes estatísticos e vendedores ambulantes estão entre as que devem desaparecer devido à digitalização e automação.

A transição verde impulsiona a criação de empregos em áreas como sustentabilidade, engenharia de energia renovável, instalação de sistemas de energia solar e adaptação de operações para mudanças climáticas, refletindo um aumento significativo em profissões ligadas à sustentabilidade e ao meio ambiente.

Educação, agricultura e comércio digital são os setores que devem apresentar o maior crescimento em números absolutos, com destaque para professores de educação profissional, operadores de equipamentos agrícolas e especialistas em comércio eletrônico e transformação digital.