• A plataforma Pra>Frente Se liga, Recicla! oferece educação acessível e prática para catadores de materiais reciclados, visando profissionalizar o setor e fortalecer cooperativas.
  • A iniciativa, fruto da parceria entre Fundação Dom Cabral, ANCAT e Novelis, atende majoritariamente pessoas negras de 31 a 40 anos, com baixa renda e poucos parceiros comerciais.
  • O projeto contribui para o desenvolvimento sustentável do setor de reciclagem ao facilitar parcerias, aumentar rentabilidade e orientar empresas na criação de ações sociais efetivas.
Resumo supervisionado por jornalista.

O Brasil é um dos países que mais produz resíduos sólidos no mundo, com um volume estimado em 11,355,220 milhões de toneladas por ano. Apesar da importância do trabalho dos catadores de materiais reciclados, esse segmento enfrenta inúmeros desafios, como a falta de reconhecimento social, a dificuldade das cooperativas investirem na infraestrutura necessária à rentabilização da coleta e o interesse ainda incipiente de empresas e organizações públicas em fazer parcerias.

Sensível à responsabilidade das organizações em desenvolver modelos e soluções produtivas mais sustentáveis, a Fundação Dom Cabral, a ANCAT e a Novelis, empresa líder mundial em laminação e reciclagem, formaram uma parceria para o desenvolvimento do projeto Pra>Frente Se liga, Recicla!, uma plataforma de educação para catadores de materiais reciclados e autônomos.

catadores
Reprodução: Ancat / Foto: Roberto Parizotti

A ideia é ofertar uma experiência de aprendizado baseada na metodologia inovadora da FDC, e que combina conteúdos relevantes, linguagem acessível e dicas práticas, sem descuidar da representatividade do público-alvo.

Desafios do setor

A análise do impacto em pouco mais de um mês após o lançamento da plataforma indica que o perfil majoritário é composto por pessoas negras (74,24%), com idade entre os 31 e 40 anos (68,18%), renda média entre R$1.000,00 e R$1.500,00 (30,3%) e cerca de um quinto das pessoas são catadores autônomos (19,7%).

Na percepção dos usuários, o maior desafio para o segmento é a queda no valor de comercialização dos materiais reciclados. Considerando-se que apenas 7,58% dos participantes possuem parcerias e que 25,76% integram o Programa de Logística Reversa, o acesso ao conhecimento é o grande gargalo para a profissionalização do catadores e o desenvolvimento das cooperativas.

As premissas para projetos sustentáveis

O Pra>Frente Se liga, Recicla! apresenta uma solução que é chave para as cooperativas se fortalecerem, conseguirem estabelecer parcerias e aumentar o volume e a rentabilidade dos materiais coletados. A plataforma entrega uma solução sustentável de forma tangível. Essa é uma das grandes dúvidas de empresas que desejam desenvolver projetos sustentáveis, já que existem inúmeros problemas sociais com grande dimensão e complexidade.

plataforma para capacitação de catadores
Divulgação

É possível destacar cinco premissas para orientar o desenvolvimento de projetos sustentáveis:

1. Seleção da questão social

O Brasil é marcado por muitas questões sociais desafiadoras, o que pode tornar difícil a seleção daquela que seja prioritária. Uma estratégia para seleção é analisar quais são os dilemas sociais que dialogam com o negócio da empresa. Outra estratégia é adotar as questões ligadas aos 17 Objetivos Sustentáveis da Agenda Global definida pela ONU.

2. Formação de parcerias

Identificar stakeholders e mobilizar interesses convergentes aumenta o potencial de execução e sucesso das iniciativas sustentáveis.

3. Estabelecimento de recorte do projeto

Há muitas pessoas bem intencionadas, que iniciam projetos incríveis, mas que perdem fôlego ao longo do tempo. Uma das razões para isso é a dificuldade de equalizar qual é a entrega possível considerando as variáveis de cada empresa. Uma das decisões mais importantes para a viabilidade da proposta é o recorte do projeto. Ou seja, iniciativas muito ambiciosas podem ser arriscadas em função da dificuldade de planejamento e organização.

4. Avaliação constante

Como todo projeto, o sucesso aqui também depende da capacidade de autorregulação de quem o executa. Assim, é importante haver meios para ouvir e considerar a percepção de todos os envolvidos no projeto, o que torna possível identificar pontos de melhorias.

5. Comunicação

O desenvolvimento de ações, programas e políticas sustentáveis está associado a uma série de mudanças favoráveis, como a geração de valor, seja da marca ou do negócio, a atração de investidores e maior rentabilidade. Esse cenário indica que é importante tratar a comunicação acerca das iniciativas de forma estratégica. Mas é preciso atenção ao alinhamento preciso entre a atividade desenvolvida e a forma como ela é comunicada. O aumento recente do Greenwashing indica uma inversão nessa relação, o que pode causar dano a imagem da empresa.

* Elisângela Furtado, Professora da Fundação Dom Cabral e coordenadora pedagógica do FDC Centro Social Cardeal Dom Serafim.

Para conhecer um pouco mais sobre o projeto, que oferta uma experiência de aprendizado inovadora e que combina conteúdos relevantes, linguagem acessível, dicas práticas sem descuidar da representatividade do público-alvo, acesse o case na íntegra aqui.

Dúvidas mais comuns

Catadores são trabalhadores que recolhem resíduos sólidos recicláveis e reaproveitáveis, como papelão, alumínio, plástico e vidro. Essa atividade acompanha o processo de urbanização do Brasil desde o século XIX.

Os catadores enfrentam exclusão social devido à associação do seu trabalho com sujeira e risco de contaminação, o que gera rejeição e estigmatização social, dificultando seu reconhecimento e valorização.

O maior desafio para os catadores é a queda no valor de comercialização dos materiais reciclados, além da dificuldade em estabelecer parcerias e acessar conhecimento para profissionalização e fortalecimento das cooperativas.

A plataforma oferece uma experiência de aprendizado inovadora com conteúdos relevantes, linguagem acessível e dicas práticas, focando na representatividade dos catadores para fortalecer cooperativas, aumentar parcerias e melhorar a rentabilidade da coleta.

As cinco premissas são: seleção da questão social alinhada ao negócio ou aos Objetivos da ONU; formação de parcerias com stakeholders; definição clara do recorte do projeto para garantir viabilidade; avaliação constante para melhorias; e comunicação estratégica para gerar valor e evitar greenwashing.

O valor varia conforme o material e região. Por exemplo, alumínio pode valer entre R$4,50 e R$9,00 por kg, PET entre R$0,75 e R$5,00, papelão entre R$0,10 e R$0,85, e cobre, o mais valioso, pode chegar a R$38,00 por kg.

Sim, a profissão de catador de material reciclável foi regulamentada em 2002 e está registrada na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) sob o número 5192, garantindo reconhecimento e direitos aos trabalhadores.