• Empresas que adotam uma abordagem multissetorial orientada para stakeholders apresentam melhor retorno sobre o capital investido (ROIC) e crescimento de vendas.
  • Estudo da Wharton e FCLTGlobal analisou mais de 3 mil empresas globais e mostrou que aquelas com forte linguagem para stakeholders e desempenho ESG tiveram ROIC 4% maior em três anos.
  • A orientação para stakeholders, combinada com investimentos em ESG e P&D, reforça a sustentabilidade financeira e estratégica das corporações no médio prazo.
Resumo supervisionado por jornalista.

A abordagem multissetorial seria a chave para que as empresas tenham um melhor retorno sobre o capital investido (ROIC). A conclusão é de um estudo conjunto entre a FCLTGlobal, uma organização de pesquisa sem fins lucrativos, e o ESG Analytics Lab, da Wharton School. O material foi divulgado em janeiro deste ano e define que as “empresas que priorizam uma abordagem multissetorial geram retornos mais elevados do que aqueles que não o fazem”. 

Intitulado Walking the Talk: Valuing a Multi-stakeholder Strategy, o material analisa os relatórios anuais de mais de 3 mil empresas globais para procurar uma linguagem orientada para as partes interessadas e compara a presença dessa linguagem com a linguagem financeira, resultados ambientais, sociais e de governança (ESG).

ESG no centro da orientação para stakeholders

A pesquisa apresenta, pela primeira vez, fatos empíricos sobre os comportamentos e resultados de empresas orientadas para várias partes interessadas, ou seja, uma abordagem multissetorial. “Nossa esperança é que as empresas usem o estudo para estruturar suas estratégias de stakeholders e para comunicar essas decisões aos investidores e outros stakeholders importantes”, argumenta Ariel Babcock, diretor administrativo e chefe de pesquisa da FCLTGlobal. 

Segundo ele, o impacto das estratégias orientadas para as partes interessadas tem sido um tópico emergente, mas definições concorrentes, prioridades inconsistentes e falta de provas levaram ao ceticismo a respeito dele. 

O estudo mostra que as corporações que combinaram uma linguagem forte dos stakeholders com um desempenho sério em medidas ESG tiveram resultados 4% maiores em um período de três anos, tendo como métrica o retorno sobre o capital investido (ROIC). 

Além disso, elas teriam tido um crescimento de vendas 1,5% maior em um período de três anos. O perfil desse tipo de empresa mostra ainda que elas investiram percentualmente duas vezes mais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em relação às vendas, quando comparadas às corporações que não adotaram a abordagem multissetorial. 

“Tem havido muita curiosidade para saber se os resultados ESG contribuem para o desempenho financeiro, mas não o suficiente sobre como, quando e onde essa contribuição ocorre”, explicou Witold (Vit) Henisz, professor de gestão da Deloitte & Touche e fundador do ESG Analytics Lab na Wharton School. De acordo com ele, a pesquisa destaca a importância da orientação para os stakeholders e indica o nível e estabilidade do retorno sobre o capital investido (ROIC), especialmente em um horizonte de tempo de dois a três anos. “A nossa esperança é que os resultados dessa análise conjunta ajudem os integradores ESG entre empresas e investidores a apoiar ganhos mútuos entre stakeholders e valores para os acionistas, fortalecendo o fato de que a atenção aos fatores ESG é motivada pela economia e não pela ideologia”, concluiu Henisz.

Dúvidas mais comuns

Orientação para stakeholders refere-se à abordagem empresarial que considera e prioriza os interesses de todas as partes interessadas, incluindo funcionários, clientes, investidores, fornecedores e a comunidade, buscando equilibrar seus interesses para gerar valor sustentável.

Os quatro principais tipos de stakeholders são: Internos (como funcionários e gestores), Externos (clientes, fornecedores, governo), Primários (com influência direta nos resultados, como clientes e investidores) e Secundários (com influência indireta, como imprensa e ONGs).

Empresas que adotam uma abordagem multissetorial, orientada para stakeholders, apresentam um retorno sobre o capital investido (ROIC) até 4% maior em um período de três anos, além de crescimento de vendas 1,5% superior, segundo estudo da Wharton e FCLTGlobal.

A pesquisa mostra que empresas que combinam uma forte linguagem orientada para stakeholders com desempenho sólido em critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) alcançam melhores resultados financeiros, indicando que a atenção aos fatores ESG é motivada por razões econômicas.

Essas empresas investem aproximadamente o dobro em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em relação às vendas, pois a abordagem multissetorial estimula inovação e crescimento sustentável, alinhando interesses de diversos stakeholders para fortalecer a competitividade.

A gestão eficaz de stakeholders assegura que as necessidades e expectativas das partes interessadas sejam consideradas nas decisões e projetos, promovendo relações positivas, reduzindo riscos e aumentando a probabilidade de sucesso a longo prazo da organização.

Para uma boa gestão de stakeholders, é fundamental compreender suas expectativas, analisar o impacto de cada parte interessada no projeto e desenvolver estratégias eficazes de engajamento para garantir que suas necessidades sejam atendidas durante a tomada de decisões e execução.