• Investimento em ESG está no topo das prioridades dos CEOs globais para os próximos três anos, com foco em sustentabilidade, riscos climáticos e governança corporativa.
  • Pesquisa da KPMG com 1,3 mil CEOs revela que 30% planejam investir mais de 10% da receita em iniciativas ESG, impulsionados pela demanda crescente por transparência e relatórios.
  • A crescente importância do ESG está ligada à transformação digital e ao reconhecimento dos riscos climáticos como maior ameaça ao crescimento econômico global.
Resumo supervisionado por jornalista.

As políticas de sustentabilidade, práticas sociais e de governança, resumidas na sigla ESG, em inglês, vão ocupar o topo das preocupações dos principais líderes de negócios globais nos próximos três anos, segundo a consultoria KPMG. O mais recente estudo da instituição, o 2021 CEO Outlook posiciona o clima, em particular, como um dos riscos para o crescimento. O levantamento indica planos significativos para investimentos relacionados à sustentabilidade, um foco no risco climático e uma pressão crescente sobre as empresas para fornecer divulgação de informações relacionadas ao ESG, as três letras que cada vez mais fazem parte das estratégias de negócios.  

A pesquisa coletou dados de mais de 1,3 mil CEOs das empresas mais influentes do mundo, distribuídos em 11 países e em 11 setores-chave da indústria. Uma das descobertas mais significativas da pesquisa é o retorno das expectativas de crescimento por parte dos principais líderes de negócios do mundo. Seis, em cada dez deles, demonstraram confiança sobre as perspectivas de crescimento da economia global nos próximos três anos, quase dobrando os 32% que responderam de forma semelhante em 2020.

“Se há algo positivo saindo dos últimos 18 meses é que os CEOs estão cada vez mais colocando o ESG no centro de suas estratégias de recuperação e crescimento de longo prazo”, resumiu Bill Thomas, presidente global e CEO da KPMG sobre o estudo. “O desdobramento das crises climáticas e sociais deixaram claro que precisamos mudar nossos métodos e trabalhar juntos”, complementa o executivo.

De acordo com Thomas, os líderes empresariais estão reconhecendo que precisam ser os motores de mudanças positivas, apoiando medidas para enfrentar os perigos ambientais, bem como os desafios de gênero e raça, além da equidade e mobilidade social. 

A pesquisa também descobriu que a pandemia de Covid-19 aumentou a demanda dos consumidores e partes interessadas para que as empresas “reconstruam melhor” e aumentem seus perfis de sustentabilidade, com 58% dos CEOs vendo uma maior demanda de investidores, reguladores e clientes por mais relatórios e transparência sobre questões ESG.

Para Jane Lawrie, chefe global de assuntos corporativos da KPMG, os CEOs estão sob pressão crescente para cumprir as metas ESG e abordar ativamente as questões sociais. “Com a pandemia ampliando a importância de uma recuperação sustentável e a COP26 marcada para novembro, os papéis sociais das empresas estão sob maior escrutínio do que nunca”, avalia.

A combinação da volta de confiança dos CEOs com a importância da sustentabilidade deve impulsionar os investimentos em ESG. De acordo com o estudo da KPMG, 30% dos executivos seniores estão procurando investir mais de 10% das receitas da empresa em iniciativas ESG nos próximos três anos. Já 74% deles relatam que o objetivo corporativo é direcionar ações para atender às necessidades das partes interessadas. A pesquisa também encontrou uma forte conexão entre ESG e iniciativas de transformação digital, com 75% dos CEOs relatando que seus investimentos digitais e ESG estão inextricavelmente ligados.

O 2021 CEO Outlook também descobriu que as mudanças climáticas aumentaram significativamente como um risco-chave aos olhos dos CEOs, subindo para o maior risco de crescimento nos próximos três anos. No ano passado, as mudanças climáticas estavam em quarto lugar e dividia os top five com ameaças cotidianas como a segurança cibernética e a cadeia de suprimentos.

Por fim, 33% dos CEOs disseram que não atingir as metas climáticas reduz a vantagem competitiva e impacta seus resultados financeiros.

Dúvidas mais comuns

Investimento ESG (Environmental, Social and Governance) refere-se a práticas de investimento que consideram critérios ambientais, sociais e de governança para avaliar riscos, identificar oportunidades e promover impactos positivos no longo prazo, integrando sustentabilidade às estratégias financeiras.

Os três pilares do ESG são Ambiental, Social e Governança. Ambiental avalia o impacto da empresa no meio ambiente; Social analisa as relações com funcionários, clientes e comunidades; Governança examina a liderança, transparência e ética na gestão da empresa.

O investimento em ESG está no topo das preocupações dos CEOs globais porque as crises climáticas e sociais evidenciaram a necessidade de mudanças nas práticas empresariais. CEOs reconhecem que devem liderar mudanças positivas para enfrentar desafios ambientais, sociais e de governança, impulsionando crescimento sustentável.

A pandemia aumentou a demanda de consumidores, investidores e reguladores por maior transparência e relatórios sobre questões ESG. Isso elevou a pressão sobre as empresas para que reconstruam seus negócios com foco em sustentabilidade e responsabilidade social.

Segundo a pesquisa da KPMG, 75% dos CEOs afirmam que os investimentos em ESG e transformação digital estão intrinsecamente ligados, indicando que iniciativas digitais são fundamentais para apoiar e potencializar estratégias de sustentabilidade e governança.

As mudanças climáticas são vistas como o maior risco para o crescimento nos próximos três anos pelos CEOs, superando ameaças como segurança cibernética e cadeia de suprimentos. Além disso, 33% dos CEOs acreditam que não atingir metas climáticas pode reduzir a vantagem competitiva e impactar resultados financeiros.

De acordo com o estudo da KPMG, 30% dos executivos seniores planejam investir mais de 10% das receitas da empresa em iniciativas ESG nos próximos três anos, refletindo a crescente prioridade dada à sustentabilidade nas estratégias corporativas.