No desenho da estratégia de projetos sociais, a colaboração é chave para a inovação. Ao envolver todos os stakeholders no processo, a partir de metodologias colaborativas, é possível aumentar a produtividade, tornar o processo mais leve e aumentar a adesão, além de promover o crescimento individual e coletivo.
A gestão de organizações sociais tem pontos importantes de contato com a gestão empresarial; por outro lado, o campo social tem suas especificidades. Organizações sociais reúnem pessoas com diferentes histórias, níveis e tipologias de conhecimentos, de grande valor – que muitas vezes passam despercebidos quando trabalhamos com metodologias tradicionais voltadas a empresas. É para acessar e mobilizar essa fonte de sabedoria que integramos metodologias colaborativas ao desenho e execução da estratégia das organizações sociais.
Um exemplo é o caso do Instituto Plano de Voo, uma organização sem fins lucrativos que realiza projetos multidisciplinares pautados na educação de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Em 2023, a organização decidiu, com apoio da Fundação Dom Cabral (FDC), elaborar seu primeiro planejamento estratégico, utilizando metodologias colaborativas. A gestão foi feita por meio do FDC Centro Social Cardeal Dom Serafim, que contempla o desenvolvimento e capacitação de organizações sociais; um dos programas envolvidos é o Pilaris, que trabalha a estratégia e gestão das entidades.
A metodologia utilizada foi baseada na tecnologia social Dragon Dreaming, que combina elementos da sabedoria indígena australiana com princípios da gestão moderna, combinada à perspectiva antroposófica de processo decisório, inspirada no trabalho do austríaco Rudolph Steiner. O processo de trabalho é dividido em quatro etapas, que lembram o método PDCA: sonhar, planejar, fazer e celebrar. Sonhar e planejar pertencem à teoria, enquanto fazer e celebrar integram a prática.
Os resultados do planejamento foram bastante positivos. Ao longo do processo, o time envolvido aumentou sua produtividade e engajamento, e desenvolveu um plano de ação alinhado à realidade da organização. Além disso, o processo promoveu o crescimento individual e coletivo dos participantes.
Metodologias colaborativas são uma tendência
As metodologias colaborativas estão se tornando cada vez mais populares no mundo corporativo e do terceiro setor, porque oferecem uma série de benefícios.
- Maior envolvimento e engajamento dos stakeholders.
- Melhor compreensão das necessidades e expectativas dos públicos.
- Oportunidades para criatividade e inovação.
- Maior eficácia na execução de projetos.
O caso do Instituto Plano de Voo é um exemplo de como as metodologias colaborativas podem ser uma ferramenta poderosa para impulsionar a estratégia de organizações sociais, sob um olhar humanizado, que cria espaço para que equipe e públicos se fortaleçam, energizem e inspirem.
Para baixar esse case na íntegra, clique aqui.

* Ana Vitória Alkmim é professora convidada e pesquisadora da Fundação Dom Cabral para Estratégia, Sustentabilidade e Inovação Social; e doutoranda em Ecologia Humana pela Universidade Nova de Lisboa.
Dúvidas mais comuns
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Metodologias colaborativas são abordagens que valorizam o trabalho em grupo e a troca de ideias entre os participantes, promovendo um aprendizado ou processo mais participativo. Elas envolvem a interação e o diálogo como meios para construir conhecimento ou desenvolver estratégias, com todos os envolvidos atuando de forma ativa e colaborativa.
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Nas organizações sociais, as metodologias colaborativas aumentam a produtividade, tornam o processo estratégico mais leve e promovem maior adesão dos envolvidos. Além disso, estimulam o crescimento individual e coletivo, valorizando os diferentes conhecimentos e experiências dos participantes, o que é fundamental para inovar e alinhar ações à realidade da organização.
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O Instituto Plano de Voo utilizou a tecnologia social Dragon Dreaming, que combina elementos da sabedoria indígena australiana com princípios da gestão moderna e a perspectiva antroposófica de processo decisório inspirada em Rudolf Steiner. O processo é dividido em quatro etapas: sonhar, planejar, fazer e celebrar, integrando teoria e prática.
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O processo Dragon Dreaming é dividido em quatro etapas que lembram o método PDCA: sonhar, planejar, fazer e celebrar. As etapas de sonhar e planejar correspondem à teoria, enquanto fazer e celebrar são voltadas para a prática, promovendo um ciclo completo de desenvolvimento e execução de projetos.
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As metodologias colaborativas estão ganhando popularidade porque promovem maior envolvimento e engajamento dos stakeholders, melhor compreensão das necessidades dos públicos, oportunidades para criatividade e inovação, além de aumentar a eficácia na execução de projetos. Elas oferecem um olhar humanizado que fortalece e inspira equipes e comunidades.
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Alguns exemplos incluem Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), Sala de Aula Invertida, Gamificação e Ensino Híbrido. No contexto de gestão de projetos, metodologias como Agile, Scrum, Kanban e Lean também são consideradas colaborativas por promoverem interação contínua e adaptação.