• O modelo de crescimento a qualquer custo baseado em destruição de caixa e juros baixos está sendo substituído pela necessidade de priorizar a lucratividade nas empresas.
  • Pesquisas científicas mostram que empresas que aumentam a lucratividade antes de acelerar o crescimento têm maior sucesso e longevidade no mercado.
  • No contexto atual de inflação e juros altos, o setor empresarial deve focar na geração de lucro sustentável para garantir sobrevivência e crescimento consistente.
Resumo supervisionado por jornalista.

Anos e anos de juros baixos e dinheiro farto haviam gestado um padrão inédito de empreendedorismo, onde o crescimento a qualquer custo, o crescimento com base na destruição sistêmica de caixa, reinou livre. Tudo o que importava era multiplicar o número de clientes e o faturamento. Rodadas de investimentos, equity, exit, unicórnio… Vimos a popularização de um vocabulário alicerçado sobre uma ilusão, a de que os empreendedores estavam finalmente livres do imperativo da lucratividade. 

Agora, acabou a brincadeira. A farra das impressoras dos Bancos Centrais produziu a sua consequência matemática: inflação, seguida do aumento de juros e redução generalizada da liquidez.

Temos novamente os pés no chão; o óbvio é óbvio de novo; as leis da gravidade dos negócios voltaram à pauta do dia. E a primeira delas é a seguinte: toda a empresa deve produzir lucros para sobreviver e crescer ao longo do tempo.

Em verdade, a lucratividade sempre foi mais importante do que o crescimento. Essa hipótese, formalmente levantada em 2009 por Per Davidsson e seus colegas no artigo Growing profitable or growing from profits: Putting the horse in front of the cart?, foi largamente comprovada nos últimos anos por estudos publicados nos melhores periódicos científicos de negócios do mundo.

Ao analisar muitos milhares de negócios europeus, duas pesquisas (Firm growth and profitability e Questioning the growth dogma) demonstraram que as empresas as quais turbinaram a sua lucratividade antes de acelerar o seu crescimento tendem a ser mais bem sucedida ao longo dos anos. A maioria das empresas que tenta crescer primeiro para só depois aumentar os seus lucros, ou quebra ou é relegada à mediocridade. 

O recado não poderia ser mais claro: colocar o crescimento antes da lucratividade é colocar o carro na frente dos bois – para usar a ótima metáfora de Davidsson.

Diego Marconatto

* Diego Marconatto é professor da Fundação Dom Cabral.

Dúvidas mais comuns

Colocar o crescimento antes da lucratividade é considerado um erro porque muitas empresas que tentam crescer primeiro e só depois aumentar seus lucros acabam quebrando ou ficando na mediocridade. Estudos mostram que empresas que aumentam a lucratividade antes de acelerar o crescimento tendem a ter mais sucesso a longo prazo.

Pesquisas científicas indicam que a lucratividade é mais importante do que o crescimento para a sobrevivência e sucesso das empresas. Empresas que priorizam a lucratividade antes do crescimento apresentam maior estabilidade e desempenho ao longo do tempo.

Os três principais tipos de lucro são: Lucro Bruto, que é a receita menos os custos de produção; Lucro Operacional, que deduz as despesas operacionais do lucro bruto; e Lucro Líquido, que é o resultado final após todas as despesas, incluindo juros e impostos, mostrando a lucratividade real do negócio.

O aumento da inflação, juros e a redução da liquidez após anos de dinheiro farto e juros baixos obrigam as empresas a focarem na lucratividade para sobreviver. O ambiente econômico atual exige que as empresas tenham os pés no chão e priorizem a geração de lucro antes de buscar crescimento acelerado.

No contexto empresarial, a metáfora 'colocar o carro na frente dos bois' significa tentar crescer antes de garantir a lucratividade. Isso representa uma inversão da ordem natural dos negócios, onde o lucro deve vir primeiro para sustentar um crescimento saudável e sustentável.

Focar apenas no crescimento sem lucratividade pode levar a problemas financeiros graves, como a destruição do caixa da empresa, falência ou estagnação em níveis medianos de desempenho, pois o negócio não gera recursos suficientes para se manter e investir no futuro.