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Futuro do trabalho no serviço público exige novas habilidades

Profissionais precisarão ampliar domínios sobre tecnologia da informação, análise de dados e gerenciamento de projetos

trabalho no serviço público © - Shutterstock
por Redação outubro 11, 2023
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A aquisição de novos conhecimentos e habilidades não está restrita ao mercado privado e também será cada vez mais importante no serviço público. Para os especialistas, além das habilidades técnicas tradicionais, existe uma série de outras características que devem fazer parte da evolução profissional de quem atua na área pública. Ou seja, é preciso ter conhecimentos em tecnologia da informação, análise de dados e gerenciamento de projetos, mas também agregar, entre outras habilidades, o pensamento estratégico e a adaptabilidade. 

A explicação é simples: o mundo digital faz parte do dia a dia dos serviços públicos e exige respostas mais eficientes e centradas no cidadão. Um exemplo dessa tendência é a tomada de decisão baseada em dados e evidências. Para que isso aconteça, é necessário que os servidores públicos sejam treinados para avaliar criticamente as informações que dispõem e, mais do que isso, identificar tendências e impactos futuros para a formulação de políticas públicas. 

Esses e outros desdobramentos do novo cenário na área pública foram analisados pelo paper Futuro do Serviço Público, escrito por quatro professores Da FDC: Renata Vilhena, Patrícia Lage Becker, Paulo Vicente dos Santos Alves e Ana Burcharth.

“O governo digital já é uma realidade e tende a se tornar ainda maior com o passar do tempo, já que tem o potencial de revolucionar a forma como os governos atuam e se relacionam com os cidadãos”, resumem os especialistas da Fundação Dom Cabral (FDC), ao analisar o desafio do trabalho futuro no serviço público. De acordo com eles, a adoção de tecnologias digitais como inteligência artificial, big data, internet das coisas e blockchain abre caminho para uma administração pública mais inteligente, preditiva e eficiente. 

Destaques de estudo sobre futuro do serviço público

© – Shutterstock

Na prática, o domínio de novas tecnologias citadas por eles pode ser exemplificado a partir de iniciativas que usam essas novas tecnologias para uma gestão pública mais eficiente. É o caso da adoção de inteligência artificial (IA) para automação de tarefas burocráticas ou do uso da internet das coisas (IoT) para coleta de dados em tempo real em áreas como transporte público e energia. O resultado, nesse último caso, é oferecer serviços melhores, como a indicação precisa do próximo metrô ou mesmo a redução de consumo de energia em prédios públicos. 

Em seu trabalho, os professores destacaram as estruturas de competência que outros países já estabeleceram para seus servidores públicos. As menções vão da Austrália e África do Sul à Nova Zelândia e Reino Unido. Neles, o que se observa é a procura pelo desenvolvimento de habilidades que incluem mentalidades criativas e experimental e não mais um mindset meramente burocrático. Os especialistas também destacam a orientação da OCDE sobre a importância se serviços públicos mais inovadores. 

Como em toda a área que envolve pessoas, os servidores públicos também precisam de recursos de aprendizagem e desenvolvimento para poder responder às novas demandas. No caso do Brasil, o endereçamento da questão começa por entender o status atual da digitalização do serviço público. Dados citados no documento indicam que 94% dos gestores públicos afirmaram que a oferta digital foi ampliada em prefeituras. Essa é uma informação do Secretaria de Governo Digital do Ministério da Economia. É importante lembrar ainda que, apesar de 70% da população ter acesso à internet, o Brasil ocupa ainda a 49ª posição no ranking de governos digitais, publicado pela ONU em 2022. 

Além de precisar melhorar as formas de recrutamento e seleção e de atração e retenção para o serviço público, o Brasil pode se beneficiar da contratação de startups para gerar soluções inovadoras de problemas em nível municipal, estadual e federal. Uma opção ao processo de seleção via concurso são os processos seletivos temporários, principalmente para atender demandas excepcionais e transitórias.

A contratação de funções em direção, chefia e assessoramento também é um exemplo onde o sérvio público pode ganhar ao recrutar profissionais com habilidades que estão entre as mais visadas para liderar a transformação digital do serviço público. Mas, nessa área também é importante estabelecer programas seletivos de recrutamento de que permitam avaliar as qualificações técnicas e as competências comportamentais, como liderança, capacidade de tomada de decisão, habilidades de comunicação e trabalho em equipe, entre outros. 

De qualquer forma, para os pesquisadores da FDC, a capacitação e treinamento de servidores públicos que se interessam pela digitalização deveria fazer parte do cotidiano dos governos.




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