• Apenas 32% dos CEOs consideram que seus conselhos contribuem efetivamente com estratégia e diretrizes claras para o negócio.
  • A pesquisa com 97 CEOs revelou que conselhos são mais focados em fiscalização e finanças, enquanto 71% indicam necessidade de melhoria em conhecimento tecnológico.
  • A baixa presença de comitês de sustentabilidade (32%) e de comitês estratégicos e de pessoas impacta a capacidade dos conselhos de apoiar inovação e gestão de talentos.
Resumo supervisionado por jornalista.

Pesquisa da consultoria Maio, realizada com 97 CEOs, apontou resultados pouco positivos no relacionamento entre executivos e os conselhos de suas empresas. A pesquisa descobriu que  apenas 32% dos CEOs concordam que o conselho “contribui efetivamente com estratégia e diretrizes claras”. Para 48,4% dos CEOs, “o conselho contribui com diferentes temas, mas pode melhorar em algumas áreas”, e, para 19,6%, ele “tem papel mais fiscalizador do que estratégico”.

A Maio é uma consultoria de executive search e avaliações de executivos e conselhos, e a pesquisa teve por objetivo mensurar a qualidade do relacionamento entre CEOs e conselhos, com a meta de recomendar ações de melhoria aos pontos sensíveis.

Os entrevistados foram de companhias de tamanhos e formatos diferentes, que responderam a um questionário online entre setembro outubro de 2023. A pesquisa concluiu que a relação entre CEOs e os conselhos se transformaram nos últimos 15 anos, em razão das novas configurações do mercado corporativo, novas práticas financeiras e agendas globais.

Mas nem todos os itens da pesquisa tiveram resultados fracos ou negativos. Os CEOs destacaram como “excelente” e “satisfatório” os conhecimentos sobre finanças (77,3%), sobre o papel fiscalizador do Conselho (66%) e sobre o papel da empresa na comunidade e sociedade (62,9%).

É preciso revisitar processos

conselhos

“Chama a atenção na pesquisa o fato de que, na percepção dos CEOs, os conselhos são mais orientados para aspectos operacionais, como fiscalização, finanças e governança, do que para conhecimento em estratégia, novas oportunidades de negócios e inovação”, observou Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvêa Malls. “Isso tem mais relação com o formato das reuniões do que com as competências dos conselheiros. Em outras palavras, na teoria, todo mundo quer evoluir. Mas para isso é preciso revisitar processos”, completou.

Entre os 97 CEOs, 71% afirmaram que o nível de conhecimento em tecnologia pelos conselhos precisa ou pode melhorar. Já em relação à gestão de pessoas, mais da metade dos respondentes (53%), também entenderam que os conselheiros precisam evoluir. Em termos de negócios e inovações, também uma taxa alta (52%) disseram que os conselhos precisam de melhorias.

De forma mais detalhada, os pontos que não foram muito positivos a favor dos conselheiros foram:

Novos negócios e inovação

Diz respeito ao crescimento inorgânico em negócios que não fazem parte do portfólio atual da companhia)

Tecnologia

Engloba digitalização, inteligência artificial, tecnologia da informação como um todo, infraestrutura e segurança cibernética

Gestão de pessoas

Envolve planejamento sucessório, remuneração, avaliação de desempenho e cultura corporativa.

Comitês são vistos de forma positiva

A pesquisa é mais ampla e, além da qualidade/perfil dos conselheiros, avaliou a importância e aplicação de comitês temáticos nas organizações. De modo geral, esses grupos são bem avaliados. Porém, chamou atenção a carência de comitês de sustentabilidade, presente em apenas 32% das empresas entrevistadas.

Outros comitês, como o de finanças, têm mais presença nas companhias: 75% das avaliadas. Por outro lado 49,5% não contam com comitês de estratégia e de riscos e 44,3% não têm comitê de pessoas ou remuneração.

Dúvidas mais comuns

Conselhos empresariais são estruturas fundamentais para o sucesso da governança corporativa, pois monitoram e oferecem direcionamento estratégico para as empresas. Eles atendem a diferentes responsabilidades e demandas específicas da instituição na qual estão inseridos.

Os principais tipos de conselhos em uma empresa são o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal e o Conselho Consultivo. Cada um possui funções, composições e atribuições distintas, dependendo do modelo de gestão adotado e do porte da empresa.

Apenas 32% dos CEOs acreditam que os conselhos contribuem efetivamente com estratégia e diretrizes claras. Cerca de 48,4% acham que os conselhos contribuem em diferentes temas, mas podem melhorar, enquanto 19,6% veem os conselhos mais como órgãos fiscalizadores do que estratégicos.

Os CEOs apontam que os conselhos precisam evoluir principalmente em conhecimento sobre tecnologia (71%), gestão de pessoas (53%) e negócios e inovações (52%). Essas áreas incluem digitalização, inteligência artificial, planejamento sucessório, remuneração e avaliação de desempenho.

Os conselhos são bem avaliados pelos CEOs em relação ao conhecimento financeiro, com 77,3% considerando-o excelente ou satisfatório. Também são valorizados pelo papel fiscalizador, com 66% dos CEOs reconhecendo essa competência positivamente.

Os comitês temáticos são geralmente bem avaliados e contribuem para o funcionamento dos conselhos. O comitê de finanças é o mais comum, presente em 75% das empresas, enquanto comitês de sustentabilidade são menos frequentes, presentes em apenas 32%. Comitês de estratégia, riscos, pessoas e remuneração também têm presença limitada.

É importante revisitar os processos porque, embora os conselheiros tenham competências, o formato das reuniões e a orientação dos conselhos tendem a focar mais em aspectos operacionais como fiscalização e finanças, em vez de estratégia, inovação e novas oportunidades de negócio. Revisar processos pode ajudar a alinhar o conselho com as necessidades estratégicas atuais.