• A presença de mulheres em conselhos administrativos é baixa, com apenas 30% das organizações tendo alguma cadeira ocupada por mulheres e 6,6% de CEOs femininas no S&P 500.
  • Pesquisa da KPMG indica que 70% dos executivos acreditam que conselhos seriam diferentes e mais eficazes se revisassem sua composição para incluir diversidade, especialmente em tecnologia e estratégia digital.
  • A inclusão feminina em conselhos amplia debates estratégicos e prepara organizações para desafios, sendo essencial iniciar diálogos para reconhecer benefícios e perdas da diversidade no setor corporativo.
Resumo supervisionado por jornalista.

De acordo com uma pesquisa global da KPMG sobre diversidade nos conselhos de administração, sete entre dez executivos afirmam que o conselho em que atuam seria moderada ou totalmente diferente se a sua composição fosse revisada para atender às necessidades atuais e futuras do negócio. Esses mesmos sete também avaliam que a falta de diferentes pontos de vista dificulta a identificação de pontos cegos (gaps) sobre questões estratégicas. 

Os entrevistados brasileiros, no entanto, são menos sensíveis ao tema, quando comparados a seus pares globais: para 58% dos respondentes locais, a diversidade do conselho é relevante ou muito relevante na avaliação e condução do papel social da empresa. Fora do Brasil, essa afirmação é feita por 73% dos executivos. Outro dado que mostra a necessidade de o tema ser mais explorado é que, considerando a estratégia de longo prazo da empresa, a expertise em tecnologia e estratégia digital é o tipo de diversidade mais procurado ativamente pelos conselhos no Brasil, segundo a pesquisa da KPMG. 

Só 6% de CEOs são mulheres

O tema diversidade de gênero em conselhos administrativos também foi mapeado pela ONG Catalyst, cujo foco é a inclusão das mulheres no ambiente de trabalho corporativo. No estudo Women CEOs of the S&P 500, a instituição revelou que apenas 33 mulheres (6,6%) eram Chief Executive Officers no universo das 500 maiores empresas listadas no índice Standard & Poors. 

Já a presença feminina nos conselhos de administração é maior, embora ainda distante da paridade: o estudo da Catalyst mostra que apenas 30% das organizações têm alguma cadeira ocupada por mulheres. Os dados são de janeiro de 2022. Recentemente, o caso de uma empresa voltada ao público feminino com conselho de administração composto só por homens reascendeu a pauta.

Para Erica Bamberg, conselheira, empresária e professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), esses estudos confirmam que o espaço ocupado por mulheres em conselhos administrativos ainda é tímido. “Vejo dois fatores importantes para esse avanço: o primeiro está relacionado à migração de carreira, sobretudo as mulheres formadas e com experiência em conselhos. Isso está em evolução bem acelerada. O segundo fator está no entendimento e maturidade das organizações sobre os benefícios em adotar a agenda para a diversidade”, explica.

De acordo com ela, independente da pessoa presente nesse tipo de fórum, o papel do conselho é ampliar debates e preparar a organização para desafios já conhecidos ou que possam surgir. “Qualquer conselheiro precisa estar muito bem preparado, capacitado para ocupar essa posição e, principalmente, com atitudes respeitosas a voz de todos ali presentes”, reforça. Os ganhos da diversidade, no entanto, são claros segundo ela. 

Erica também pontua por onde começar o processo de diversidade: “colocar o tema em pauta será o primeiro caminho para iniciar debates para compreender as vantagens e potenciais retornos em adotar e as desvantagens e perdas de não adotar mulheres no conselho”, conclui.

Dúvidas mais comuns

A diversidade no conselho é fundamental para torná-lo menos homogêneo, permitindo que as decisões e avaliações sejam feitas a partir de diversas perspectivas. Isso ajuda a identificar pontos cegos estratégicos e prepara a organização para desafios futuros.

A presença feminina em conselhos administrativos ainda é pequena. Apenas cerca de 30% das organizações têm alguma cadeira ocupada por mulheres, e somente 6% dos CEOs são mulheres, segundo dados recentes de pesquisas globais e nacionais.

A diversidade de gênero traz vantagens claras, como a ampliação dos debates, a inclusão de diferentes pontos de vista e a preparação da organização para desafios conhecidos e futuros. Isso contribui para decisões mais estratégicas e eficazes.

Dois fatores importantes são a migração de carreira das mulheres formadas e experientes para cargos em conselhos, e a maturidade das organizações em reconhecer os benefícios da diversidade, adotando agendas específicas para esse tema.

O primeiro passo é colocar o tema em pauta para iniciar debates que ajudem a compreender as vantagens e potenciais retornos da diversidade, além das desvantagens de não incluir mulheres nos conselhos administrativos.

Os quatro pilares são Diversidade (incluir pessoas de diferentes origens e experiências), Equidade (oferecer oportunidades ajustadas às necessidades individuais), Inclusão (criar um ambiente onde todas as vozes são valorizadas) e Pertencimento (fazer com que todos se sintam reconhecidos e parte da empresa).

A falta de diversidade dificulta a identificação de pontos cegos em questões estratégicas, limitando a visão do conselho e prejudicando a capacidade da empresa de se adaptar e inovar diante dos desafios atuais e futuros.