• A energia solar no Brasil ultrapassou 39 GW instalados, representando 17% da potência na matriz elétrica nacional e consolidando-se como fonte relevante desde 2012.
  • A inauguração da usina solar Mendubim, com 531 MW de potência, destaca o avanço do setor, abastecendo grandes consumidores e beneficiando-se de incentivos fiscais e parcerias internacionais.
  • O crescimento da energia solar impulsiona desenvolvimento social e econômico, reduz emissões de CO2 e prepara o setor para um cenário mais favorável em 2024, apesar de desafios regulatórios e financeiros.
Resumo supervisionado por jornalista.

A energia solar está em expansão e começa a se consolidar como uma fonte relevante de eletricidade no Brasil. Com dois gigawatts (GW) de energia solar adicionados este ano, o Brasil acaba de ultrapassar a marca de 39 GW de potência instalada da fonte fotovoltaica, desde 2012. A marca soma a capacidade das usinas de grande porte e de geração distribuída (telhados, fachadas e pequenos terrenos), e eleva a fonte solar a 17% da potência instalada da matriz elétrica do país, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Segundo matéria publicada no site da CNN, com base na Absolar, desde 2012 a fonte solar já proporcionou ao Brasil, ao menos, R$ 189,3 bilhões em investimentos. A atividade também gerou mais de R$ 51,6 bilhões em arrecadação aos cofres públicos e criou cerca de 1,1 milhão de empregos. Os investimentos em energia solar evitaram a emissão de 47,7 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade.

Nova planta tem 531 MW de potência

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Usina solar Mendubim (Foto: Divulgação)

A maior novidade no setor de energia solar no Brasil foi a inauguração, em março, da usina solar Mendubim, no município de Açu, Rio Grande do Norte. Segundo matéria publicada no Correio da Manhã, a usina tem capacidade de 531 MW e é a sexta maior do Brasil. Esta potência é suficiente para abastecer uma cidade de 600 mil habitantes. A nova usina nasce de uma parceria entre as norueguesas Hydro Rain, braço de investimentos do Grupo Hydro, Equinor e Scatec.

Localizada no Pará, a Alunorte – segunda maior refinaria do mundo de alumina, matéria-prima do alumínio, muito usado nos painéis de energia solar – será o destino de 60% da energia produzida na Mendubim. O restante será vendido no mercado livre de energia. A construção da planta contou com benefícios fiscais, inclusive em relação à tributação de recursos estrangeiros, contrapartidas sociais e condições especiais de financiamento.

Setor gera reflexo social

Segundo Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar, a fonte solar é uma alavanca para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do país. Ele cita, por exemplo, o uso da tecnologia nas habitações populares do programa Minha Casa, Minha Vida, além de escolas, hospitais, postos de saúde, delegacias, bibliotecas, museus e parques.

“O avanço da energia solar fortalece a sustentabilidade e amplia o protagonismo internacional do Brasil, além de aliviar o orçamento das famílias e reforçar a competitividade dos setores produtivos brasileiros”, defendeu Sauaia.

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Cenário mais favorável em 2024

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Na área de geração distribuída, segundo o site da empresa de energia solar Maya Energy, o setor está se preparando para um cenário mais favorável em 2024 no Brasil. Com a combinação de equipamentos mais baratos, juros menores e aumentos nas tarifas de energia tradicional, a geração distribuída de atrai condições para se beneficiar nos próximos anos. No entanto, ainda existem desafios a serem superados.

Segundo a Maya, embora os equipamentos estejam mais acessíveis, ainda há dificuldades para obter financiamento adequado. Outro desafio importante é a regulamentação sobre a inversão de fluxo, que ocorre quando a quantidade de energia gerada por um sistema excede a demanda da unidade consumidora. Nesse caso, o excedente de energia seria devolvido à rede da concessionária local, o que é alvo de discussão em termos de regulação.

No mundo, são 1,5 TW instalados

Em termos mundiais, segundo matéria publicada no site Canal Solar, baseada em relatório da Wood Mackenzie, “a energia solar já não é mais uma tecnologia de energia renovável em expansão, e sim, um ‘pontapé’ para a transição energética no mundo”. Em 2023, a energia solar chegou a 1,5 TW instalados mundialmente e outros 3 TW de capacidade estão previstos para os próximos dez anos.

Mas, apesar das boas perspectivas, segundo o relatório da Wood Mackenzie, neste ano, deverá haver desaceleração no crescimento em vários mercados importantes. Em 2024, a energia solar evoluirá de um setor em rápido desenvolvimento para uma indústria consolidada, marcando uma transição para um período de crescimento mais moderado.

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O crescimento médio anual do setor de energia solar de 2019 a 2023 foi de 28%, incluindo um pico de crescimento de 56% em 2023. Porém, de 2024 a 2028 o crescimento médio anual será estável, incluindo alguns anos com reduções.

Dúvidas mais comuns

Energia solar é a energia proveniente da luz e do calor do Sol, aproveitada de forma limpa e renovável através de tecnologias como a fotovoltaica, que transforma luz em eletricidade com painéis solares, e a térmica, que usa o calor para aquecer água ou gerar vapor. É uma fonte sustentável que reduz a dependência de combustíveis fósseis e combate as mudanças climáticas.

O Brasil ultrapassou a marca de 39 GW de potência instalada em energia solar, o que representa cerca de 17% da potência total da matriz elétrica nacional. Essa capacidade inclui usinas de grande porte e geração distribuída, como painéis em telhados e fachadas.

A energia solar é uma fonte inesgotável e abundante, limpa e renovável, que não emite poluentes. Ela pode gerar economia significativa na conta de luz, com redução de até 90%, e possui longa vida útil dos equipamentos, que pode ultrapassar 25 anos.

As principais desvantagens da energia solar incluem o alto custo inicial de instalação, a intermitência na geração (não funciona à noite e depende do clima), a necessidade de espaço adequado para os painéis, o impacto ambiental na fabricação e descarte dos equipamentos, e a dependência de tecnologias de armazenamento, como baterias, que aumentam o custo e a complexidade.

A geração distribuída ocorre quando sistemas de energia solar são instalados em residências, comércios ou pequenas propriedades, gerando eletricidade localmente. O excedente de energia pode ser devolvido à rede da concessionária, gerando créditos para o consumidor, embora a regulamentação sobre essa inversão de fluxo ainda seja objeto de discussão.

A energia solar contribui para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do país, sendo usada em habitações populares, escolas, hospitais e outros serviços públicos. Além disso, o setor já criou cerca de 1,1 milhão de empregos e gerou bilhões em investimentos e arrecadação para os cofres públicos.

Para gerar cerca de 1000 kWh por mês, são necessárias aproximadamente entre 10 e 19 placas solares, dependendo da potência dos painéis (por exemplo, 13 placas de 550W ou 10 de 700W) e da irradiação solar da região. Um sistema adequado deve ser dimensionado por um profissional para considerar perdas e otimizar a instalação.