• A pandemia da Covid-19 impactou pequenas e médias empresas brasileiras, mas 40% delas conseguiram reagir e aumentar a produtividade durante a crise.
  • Pesquisa da Fundação Dom Cabral com 450 empresas mostrou que empresas maiores e do setor de comércio tiveram melhor desempenho ao acelerar transformações e agilizar decisões.
  • A liderança com propósito foi pouco presente (16%) nas médias empresas, mas habilidades de comunicação e engajamento foram cruciais para a resiliência e inovação no setor.
Resumo supervisionado por jornalista.

O impacto da pandemia do novo coronavírus nas empresas de médio porte começa a ser melhor entendido em uma pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC) denominada Os efeitos do contexto da pandemia de Covid-19 nas médias empresas brasileiras. O levantamento ouviu 450 empresas, com faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 500 milhões, de novembro de 2020 a março deste ano, quando identificou que quatro, em cada dez empresas, conseguiram reagir à crise.

“A capacidade de se reinventar foi essencial”, explica Érica Bamberg, professora associada da FDC. Segundo ela, o pequeno e médio empresário foi resiliente, o que explica o aumento expressivo na produtividade em muitos casos. A pesquisadora destaca ainda a vontade das empresas em querer aprender e desenvolver a capacidade de dialogar com os colaboradores, clientes e parceiros. Érica destaca que o levantamento mostra que 63% dos executivos acreditam que vão sair da pandemia mais competitivos do que seus concorrentes.

Embora 14% das empresas ouvidas tenham indicado que não foram impactadas pela pandemia, outras 46% avaliam que impacto tenha sido negativo e, mais perturbador: 11% foram afetas. Por outro lado, 30% avalia que foi impactada positivamente e 9% indica um efeito muito positivo da pandemia em seus negócios. A produtividade, por exemplo, foi uma das métricas para avaliar as empresas, com destaque para as companhias que faturam entre R$ 200 milhões e R$ 500 milhões. Nesse nicho, a produtividade foi incrementada em 29%.

Empresas de maior porte e da área de comércio saíram-se melhor

De acordo com o relatório da pesquisa, “em meio à crise, as empresas que tiveram a capacidade de acelerar a transformação, assumindo mais riscos e agilizando a tomada de decisões e seus processos internos colheram os melhores resultados. A surpresa ficou por conta das organizações de maior porte, que conseguiram agir rápido e aproveitar as oportunidades”. Além do porte, o setor onde as empresas atuam também conta: as do comércio tiveram maior impacto positivo na crise, na avaliação da FDC.

“As habilidades de liderança e comunicação foram essenciais para o desempenho das pequenas e médias empresas na crise”, avalia Érica. Segundo ela, o líder com propósito é aquele que sabe engajar pessoas em uma causa comum e consegue conectar o propósito do colaborador ao da empresa, fortalecendo seu senso de pertencimento e impulsionando a capacidade de inovação para entregar mais valor ao cliente.

Esse tipo de líder, entretanto, foi o que menos aflorou no período (16%). As lideranças com foco nos resultados (35%), visionárias (25%) e inspiradoras (24%) ficaram à frente.

A pesquisadora lembra ainda que o conceito do propósito ainda é muito novo para as médias empresas. “O tema começou a ser debatido no final de 2019 e exige uma vontade do empresário em compreender amplamente os impactos que a sua organização promove aos seus clientes, parceiros e para a sociedade”, finaliza.

Dúvidas mais comuns

Pequenas e médias empresas (PMEs) são classificadas principalmente pelo número de funcionários e faturamento anual. Microempresas têm até 19 empregados, pequenas empresas entre 20 e 99 empregados, e médias empresas entre 100 e 499 empregados, dependendo do setor. No comércio, por exemplo, pequenas empresas têm até 49 funcionários e médias de 50 a 99.

A pandemia afetou as PMEs de forma diversa: 46% das empresas relataram impacto negativo, 11% foram muito afetadas, enquanto 30% tiveram impacto positivo e 9% indicaram efeito muito positivo. A capacidade de reinvenção e resiliência foi crucial para que 40% das empresas conseguissem reagir à crise, aumentando inclusive a produtividade em muitos casos.

Empresas de maior porte, especialmente aquelas com faturamento entre R$ 200 milhões e R$ 500 milhões, e do setor de comércio, apresentaram melhor desempenho durante a pandemia. Essas organizações conseguiram acelerar a transformação, assumir riscos e agilizar processos, o que resultou em melhores resultados e aumento de produtividade, chegando a 29% nesse grupo.

A liderança foi fundamental para o desempenho das PMEs na crise. Líderes com foco em resultados, visionários e inspiradores foram mais comuns, enquanto líderes com propósito, que engajam colaboradores conectando seus valores ao da empresa, foram menos frequentes (16%). A liderança com propósito é importante para fortalecer o senso de pertencimento e impulsionar a inovação.

Liderança com propósito é aquela que consegue engajar pessoas em uma causa comum, conectando o propósito do colaborador ao da empresa. Isso fortalece o senso de pertencimento e estimula a inovação para entregar mais valor ao cliente. Esse conceito é relativamente novo para PMEs e começou a ser debatido no final de 2019.