• A crise no varejo brasileiro atual está ligada ao não entendimento do perfil de consumo local por grandes marcas como Dia, Marisa e Subway.
  • Redes como Dia fecharam centenas de lojas e centros de distribuição, enquanto Marisa registrou queda de 41% na receita, evidenciando erros de posicionamento e adaptação.
  • A falta de adaptação ao consumidor brasileiro resulta em fechamento de lojas e dificuldades para firmar presença, impactando a competitividade do setor varejista.
Resumo supervisionado por jornalista.

O não entendimento do perfil de consumo do brasileiro poderia estar entre as razões da atual crise no varejo, segundo especialistas. Na lista mais nova de afetados estão marcas tradicionais como Dia, Lojas Marisa e Subway.

Sem entender a demanda do comprador local, as redes mostrariam uma dificuldade de criar raízes. No caso da Subway, o processo de recuperação judicial da controladora SouthRock foi um marco das lojas de fast food da marca. 

Erros de posicionamento podem explicar crise no varejo

A trajetória difícil do varejo brasileiro continua com a novela do Dia, rede de supermercados que resolveu fechar 343 lojas e 3 centros de distribuição no Brasil. Com essa ação, a estratégia do grupo é concentrar as operações nas 244 lojas do estado de São Paulo. E, para fechar a nova tríade em crise, a Marisa reportou uma queda de 41% na receita líquida, desempenho que a empresa atribuiu a uma recomposição de estoque num ritmo mais lento.

As informações são da rede CNN, cuja reportagem traz uma análise do especialista em varejo da Strong Business School, Ulysses Reis. O analista lembra que o grupo Dia entrou no Brasil no final da década de 1998, aproveitando uma onda de desvalorização do real, e abriu a primeira loja em 2001. Mesmo com tantos anos de operação, ele avalia que a rede não entendeu o perfil do brasileiro. De certa forma, repetiu problemas como o do Walmart, que chegou a vender roupa de neve no país. 

Outra que mostrou equívocos foi a Starbuck, que pertence à mesma operação da Subway, e que, entre outros erros, não apresentou um programa de fidelidade mais estruturado. Para ele, os consumidores estão sempre buscando opções e isso precisa entrar no radar do varejo. Diferentemente deles, o grupo francês Carrefour teria estudado o Brasil durante anos, antes de começar a operar localmente.

Erro de posicionamento também teria sido o problema da Marisa, segundo Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar). De acordo com ele, a empresa não conseguiu se firmar no mercado, assim como a rede espanhola Dia. O resultado é o fechamento de vários pontos por conta da competição. Sobre o Subway, ele acredita que a marca “não caiu no gosto do brasileiro”.

Dúvidas mais comuns

A crise no varejo brasileiro está ligada principalmente ao não entendimento do perfil de consumo do brasileiro, erros de posicionamento das marcas e dificuldades em se adaptar às demandas locais, além de fatores econômicos como juros altos e escassez de crédito.

Essas redes enfrentam dificuldades por não entenderem completamente o comportamento do consumidor brasileiro, além de problemas de gestão, competição acirrada e estratégias inadequadas que resultaram em queda de faturamento e necessidade de fechamento de lojas.

O sucesso das redes depende de compreender as preferências e necessidades do consumidor local. Marcas que não adaptam seus produtos e serviços ao perfil do brasileiro, como o Dia e o Subway, enfrentam dificuldades para criar raízes e manter a fidelidade do cliente.

A Marisa não conseguiu se firmar no mercado diante da concorrência, enquanto o Subway não conseguiu conquistar o gosto do brasileiro, faltando, por exemplo, um programa de fidelidade estruturado e uma oferta alinhada às expectativas locais.

O Carrefour estudou o mercado brasileiro durante anos antes de iniciar suas operações, o que lhe permitiu entender melhor o perfil do consumidor local e adaptar suas estratégias, contribuindo para seu sucesso no país.

Juros altos, escassez de crédito e a situação econômica das famílias brasileiras têm pressionado o varejo, levando a uma redução no consumo e forçando muitas empresas a reverem suas operações e fecharem lojas.

Espera-se que o varejo encontre novas avenidas de crescimento focando em eficiência operacional, equilíbrio entre crescimento, rentabilidade, inovação e adaptação às mudanças no comportamento do consumidor para se destacar no mercado.