• O Brasil enfrenta um cenário ambiental preocupante ao completar 200 anos de independência, com desmatamento acelerado na Amazônia, Mata Atlântica e outros biomas.
  • Entre 2013 e 2021, o desmatamento na Amazônia aumentou 75%, passando de 6.682,29 km² para 11.706,91 km², refletindo políticas ambientais recentes do governo federal.
  • A baixa proteção de unidades de conservação em biomas como Cerrado, Caatinga e Pantanal exige ampliação de áreas protegidas, financiamento e melhor governança ambiental no país.
Resumo supervisionado por jornalista.

O Brasil completa os 200 anos de independência com mais de 66% da Mata Atlântica destruída e com uma taxa de desmatamento do bioma Amazônia extremamente preocupante: entre 2013 e 2021 o aumento foi de 75%, passando de 6.682,29 km2 para 11.706,91 km2. Esse é apenas um dos dados listados pelo relatório Componente Prosperidade Ambiental – PERFORMANCE, publicado em abril pelo Imagine Brasil, iniciativa da Fundação Dom Cabral (FDC) para mobilizar lideranças e contribuir para o desenvolvimento sustentável do país.

A partir da consolidação de vários materiais produzidos por especialistas convidados pela FDC, o documento indica ainda que o processo de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, até 2018, era da mesma magnitude em área (refletindo um ritmo mais acelerado para o Cerrado, que é um bioma menos extenso), mas que na Amazônia, a partir de 2019, o processo se intensificou, refletindo as políticas ambientais do atual governo federal. Na Mata Atlântica, onde os remanescentes são menos extensos, o desmatamento acelerou entre 2020 e 2021.

Segundo o documento, a preocupação envolve todos os biomas, apesar da atenção internacional se concentrar na Amazônia. “Existe uma grande diferença em termos de proteção dos biomas brasileiros por meio de unidades de conservação. Enquanto as unidades de conservação abrangem 28% da Amazônia, elas protegem somente 2,9% dos pampas e menos de 10% da Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal. É necessário aumentar as unidades de conservação em todos os biomas, ampliar o financiamento e melhorar a governança e gestão dessas áreas”, destaca o relatório.

A análise da situação ambiental do Brasil é um recorte do documento, que é fruto de um trabalho consistente de seis fases: escuta dos atores, ouvindo vários especialistas em uma série de encontros, versões intermediárias do documento, pesquisa, reuniões de trabalho, versão definitiva e disseminação. Iniciada em outubro de 2021, a discussão sobre o Componente Prosperidade Ambiental agora avança para a etapa de disseminação e deve, inclusive, alimentar o debate político pré-eleições nesse ano.

A Prosperidade Ambiental é um dos quatro eixos do Imagine Brasil, ao lado do Crescimento Econômico e Produtividade; Inclusão Social; e Políticas Públicas e Governança.

Dúvidas mais comuns

O meio ambiente no Brasil enfrenta desafios significativos, incluindo a degradação do solo, poluição dos rios e do ar, destruição da flora e fauna, além do descarte incorreto de resíduos. O desmatamento, especialmente na Amazônia e na Mata Atlântica, tem aumentado, refletindo políticas ambientais preocupantes e ameaçando a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas.

Os principais biomas brasileiros afetados pelo desmatamento são a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica. A Amazônia teve um aumento de 75% no desmatamento entre 2013 e 2021, o Cerrado apresenta um ritmo acelerado de desmatamento, e a Mata Atlântica, que já está bastante reduzida, teve uma aceleração do desmatamento entre 2020 e 2021.

As unidades de conservação são fundamentais para proteger os biomas brasileiros, mas sua cobertura é desigual: enquanto 28% da Amazônia está protegida, os pampas têm apenas 2,9% de proteção, e a Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal possuem menos de 10%. É necessário ampliar essas áreas, aumentar o financiamento e melhorar a governança para garantir a preservação ambiental.

Os quatro tipos de meio ambiente reconhecidos são: Natural (elementos da natureza como fauna, flora, ar, água e solo), Artificial (espaços criados ou modificados pelo ser humano, como cidades e infraestrutura), Cultural (manifestações humanas que refletem a identidade de um povo, como sítios arqueológicos e festas populares) e do Trabalho (condições que permitem o exercício seguro e saudável das atividades laborais).

Os principais impactos ambientais são a poluição (do ar, água e solo), o desmatamento e perda de habitat, as mudanças climáticas (aquecimento global e eventos extremos) e a perda de biodiversidade (extinção de espécies). Esses impactos estão interligados e resultam de atividades humanas como industrialização, agropecuária e urbanização descontrolada, afetando a saúde pública e o equilíbrio dos ecossistemas.

O relatório Componente Prosperidade Ambiental do Imagine Brasil destaca um cenário preocupante para o meio ambiente brasileiro, com aumento significativo do desmatamento na Amazônia e aceleração na Mata Atlântica. O documento enfatiza a necessidade de ampliar as unidades de conservação, melhorar o financiamento e a governança ambiental para promover o desenvolvimento sustentável do país.