• A União Europeia pode reduzir em 6% as emissões de gases de efeito estufa do setor agrícola até 2030 ao apoiar ações climáticas inteligentes dos agricultores.
  • O relatório do Fórum Econômico Mundial destaca que a colaboração em toda a cadeia de valor e o apoio político são essenciais para a transição para uma agricultura sustentável na UE.
  • A adoção de práticas sustentáveis pode restaurar a saúde do solo em 14% das terras agrícolas e aumentar a renda dos agricultores europeus em até 9,3 bilhões de euros por ano.
Resumo supervisionado por jornalista.

Se os agricultores da União Europeia (EU) forem apoiados para tomar ações inteligentes em relação ao clima, a região que reúne 27 países só tem a ganhar. Um relatório do Fórum Econômico Mundial (WEC), realizado no final de maio em Davos, mostra que é possível reduzir em 6% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor até 2030 e fortalecer o ambiente de agricultura sustentável. Intitulado Transforming Food Systems with Farmers: A Pathway for the EU, o relatório lembra que o esforço é conjunto e vai além dos agricultores, exigindo “uma forte colaboração e investimentos ao longo de toda a cadeia de valor, bem como o apoio dos decisores políticos europeus”.

Capitaneado pela European Carbon+ Farming Coalition, coalizão que reúne 14 organizações focadas em acelerar a transição das fazendas europeias para uma agricultura sustentável, o relatório foi escrito com a colaboração da consultoria Deloitte e da multinacional japonesa NTT Data.

O documento mostra ainda outros ganhos, como a restauração da saúde do solo de mais de 14% das terras agrícolas totais na EU. Em valores, as iniciativas poderiam adicionar entre 1,9 bilhão e 9,3 bilhões de euros por ano à renda dos agricultores da região. Os números estão baseados na estimativa de que 20% dos agricultores adotariam ações inteligentes de agricultura sustentável.

Dados da própria European Carbon+ Farming Coalition indicam que 10% das emissões de gases de efeito estufa na Europa são do setor agrícola. O segmento é ainda um dos principais impulsionadores da degradação ambiental na avaliação dos especialistas que escreveram o relatório. A boa notícia é que a agricultura é um dos poucos setores que tem potencial para reduzir seus impactos no clima e na natureza, ao mesmo tempo em que aumenta sua resiliência às mudanças climáticas e outros choques ambientais.

Documento inclui insights de pesquisa com agricultores europeus

De acordo com o WEC, o relatório é um passo importante para a próxima fase da coalizão, na qual os parceiros implementarão e criarão a prova de conceito para várias das soluções projetadas. A meta é demonstrar a viabilidade e a existência de business cases para o objetivo comum de acelerar a transição e integrar a agricultura de emissão zero.

A European Carbon+ Farming Coalition também quer manter os agricultores no centro do processo de tomada de decisão. Segundo a instituição, são os parceiros que irão inovar com os agricultores, e não o contrário. Parte desse processo incluiu a pesquisa para entender as barreiras à implementação de práticas sustentáveis: foram ouvidos agricultores que trabalham em seis sistemas diferentes de cultivo, distribuídos em sete países com diversidade regional. A amostra entrevistada representa 43% das terras aráveis e da produção agrícola da Europa.

Dúvidas mais comuns

Agricultura sustentável é um modelo de produção agrícola que busca atender às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das futuras gerações de suprirem suas próprias demandas, promovendo equilíbrio ambiental, social e econômico.

A União Europeia pode ampliar a sustentabilidade do setor agrícola apoiando os agricultores a adotarem ações inteligentes relacionadas ao clima, promovendo colaboração e investimentos em toda a cadeia de valor, além de contar com o apoio dos decisores políticos para acelerar a transição para uma agricultura de emissão zero.

Os benefícios incluem a redução de até 6% nas emissões de gases de efeito estufa até 2030, a restauração da saúde do solo em mais de 14% das terras agrícolas, e um aumento potencial na renda dos agricultores entre 1,9 bilhão e 9,3 bilhões de euros por ano, considerando que 20% adotem práticas sustentáveis.

Os três principais objetivos da agricultura sustentável são preservar os recursos naturais, garantir a segurança alimentar e promover a inclusão social no meio rural, assegurando um desenvolvimento equilibrado e duradouro.

Práticas essenciais incluem plantio direto, rotação de culturas, uso de tecnologia de precisão, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), manejo integrado de pragas e doenças, conservação de áreas de preservação permanente, uso eficiente da água e agricultura de baixo carbono.

A agricultura sustentável é sustentada por três pilares principais: o ambiental, que envolve a preservação dos recursos naturais e proteção da biodiversidade; o econômico, que assegura a viabilidade financeira dos agricultores; e o social, que promove a inclusão e o bem-estar das comunidades rurais.

O relatório apresenta um caminho para a transformação dos sistemas alimentares na União Europeia, destacando a importância da colaboração entre agricultores, organizações e decisores políticos, além de propor soluções práticas e demonstrar a viabilidade econômica da agricultura sustentável.