• O burnout é causado principalmente por fatores organizacionais no local de trabalho, não por falhas individuais dos funcionários.
  • Pesquisa da Gallup com 7.500 trabalhadores identificou os cinco principais motivos do burnout: tratamento injusto, carga excessiva, falta de clareza, ausência de apoio gerencial e pressão de tempo irracional.
  • O reconhecimento do burnout como fenômeno ocupacional pela OMS reforça a necessidade de ações organizacionais para prevenção, impactando saúde, produtividade e custos globais.
Resumo supervisionado por jornalista.

Muitos tendem a pensar que o burnout está ligado ao comportamento do funcionário e sua incapacidade de dizer “não”. A coisa começou a mudar de figura com o reconhecimento oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS) do burnout como algo evitável e destinar a responsabilidade pela gestão do bem-estar dos trabalhadores aos empregadores, conforme reportagem da Harvard Business Review.

Embora crie um novo paradigma, a iniciativa da OMS gerou muita incompreensão. A OMS incluiu o esgotamento laboral na sua Classificação Internacional de Doenças (CID-11) e imediatamente o público assumiu que o esgotamento seria considerado uma condição médica. A OMS lançou então um esclarecimento afirmando: “O burnout está incluído na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, não como uma condição médica – razões pelas quais as pessoas contactam os serviços de saúde, mas que não são classificados como doenças ou problemas de saúde.”

Gallup cita os cinco principais motivos de esgotamento

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A reportagem da Harvard Business Review cita a maior especialista em burnout, Christina Maslach, psicóloga social e professora emérita de psicologia na Universidade da Califórnia, Berkeley. Segundo ela, estamos atacando o problema do ângulo errado. O problema está nas empresas e não nos funcionários. Maslach  é uma das três pessoas responsáveis ​​pelo padrão ouro de medição de burnout – o homônimo Maslach Burnout Inventory (MBI) – e coautora da Pesquisa de Áreas de Vida Profissional.

Para Maslach, uma pesquisa realizada pela Gallup com 7.500 funcionários em tempo integral descobriu que os cinco principais motivos para o esgotamento são:

1. Tratamento injusto no trabalho

2. Carga de trabalho incontrolável

3. Falta de clareza de função

4. Falta de comunicação e apoio do gestor

5. Pressão de tempo irracional

Efeitos do burnout são assustadores

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Na reportagem da Harvard Business Review, assinada por Jennifer Moss, especialista em locais de trabalho, oradora internacional, jornalista premiada e autora dos best-sellers “Unlocking Happiness at Work” (Kogan Page, 2016) e “The Burnout Epidemic” (HBR Press, setembro de 2021), a profissional traça um panorama assustador dos efeitos do burnout.

Segundo o artigo, quando os investigadores de Stanford analisaram como o stress no local de trabalho afeta os custos de saúde e a mortalidade nos Estados Unidos, descobriram que levou a gastos de quase US$ 190 bilhões – cerca de 8% dos gastos nacionais com saúde – e a quase 120.000 mortes por ano. Em todo o mundo, 615 milhões sofrem de depressão e ansiedade e, de acordo com um estudo recente da OMS, isso custa à força de trabalho global cerca de 1 bilhão de dólares em perda de produtividade todos os anos. Os papéis motivados pela paixão e pelos cuidados, como os de médicos e enfermeiros, são alguns dos mais suscetíveis ao esgotamento, e as consequências podem significar vida ou morte; as taxas de suicídio entre os cuidadores são dramaticamente mais altas do que as do público em geral – 40% mais altas para os homens e 130% mais altas para as mulheres.

Para Jennifer Moss, as organizações têm uma chance, agora mesmo, de consertar esse tipo de coisa. O esgotamento é evitável. Requer uma boa higiene organizacional, melhores dados, perguntas mais oportunas e relevantes, um orçamento mais inteligente e a garantia de que as ofertas de bem-estar sejam incluídas como parte da  estratégia.

No Brasil, o Ministério da Saúde trata a síndrome de burnout como “doença”.

No Brasil, o site do Ministério da Saúde trata a “síndrome de burnout” como  um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.  A principal causa da “doença”, segundo o Ministério, é justamente o excesso de trabalho. Segundo o site, esta síndrome é comum em “profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros”.

Segundo o Ministério da Saúde, a “síndrome de burnout” também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidades suficientes para os cumprir. Essa síndrome pode resultar em estado de depressão profunda e por isso o Ministério recomenda procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas.

Dúvidas mais comuns

A Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, é um distúrbio emocional caracterizado por exaustão extrema, estresse e esgotamento físico causados por situações de trabalho desgastantes que exigem muita competitividade ou responsabilidade.

De acordo com a pesquisa da Gallup, os cinco principais motivos para o burnout são: tratamento injusto no trabalho, carga de trabalho incontrolável, falta de clareza de função, falta de comunicação e apoio do gestor, e pressão de tempo irracional.

Os sinais mais comuns de burnout incluem exaustão física e mental, irritabilidade e alterações de humor, dificuldade de concentração e falhas de memória, distúrbios do sono como insônia ou sonolência excessiva, além de sentimento de desânimo e ineficácia no trabalho. Também podem ocorrer sintomas físicos como dores de cabeça e problemas gastrointestinais, e comportamentais como isolamento social.

O burnout tem efeitos graves, incluindo altos custos com saúde e mortalidade. Nos Estados Unidos, o estresse no trabalho relacionado ao burnout causou gastos de quase US$ 190 bilhões e cerca de 120.000 mortes por ano. Globalmente, a depressão e ansiedade ligadas ao burnout custam cerca de 1 bilhão de dólares em perda de produtividade anualmente.

Especialistas como Christina Maslach defendem que a culpa do burnout é da empresa e não dos funcionários. O problema está nas condições de trabalho, como carga excessiva, falta de apoio e comunicação, e tratamento injusto, e não na incapacidade individual dos trabalhadores.

No Brasil, o Ministério da Saúde classifica a síndrome de burnout como um distúrbio emocional causado por situações de trabalho desgastantes, com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. A principal causa é o excesso de trabalho, e a síndrome é comum em profissionais sob pressão constante, como médicos, enfermeiros e professores.

O burnout pode ser considerado uma doença ocupacional, garantindo ao trabalhador o direito ao afastamento com atestado médico, auxílio-doença pelo INSS em afastamentos superiores a 15 dias, e estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno ao trabalho.