O retorno da utilização do antigo telegrama como meio de comunicação é mais um fenômeno recente do Brasil: em 2025, o envio desse tipo de mensagem cresceu 30%, atingindo 4,18 milhões contra os 3,22 milhões registrados em 2024.

De acordo com os Correios, trata-se o maior volume desde 2018 e mostra uma tendência de aumento de uso nos últimos cinco anos. Detalhe: até 2020 havia uma queda contínua no envio de telegramas, um sistema introduzido no Brasil ainda em 1852 por Dom Pedro II.

A explicação dos Correios, responsável pelo serviço, é que o telegrama é reconhecido pela credibilidade, um fator importante para comunicações formais, usado principalmente por empresas, para oficializar cobranças judiciais, convocação de perícia médica e ainda informações sobre concursos públicos. Ele também é relevante para uma parcela da população que não é alcançada por meios digitais.

O fato de fornecer uma entrega comprovada de informação com validade legal mantém o telegrama vivo, com destaque para áreas sensíveis como recursos humanos e justiça do trabalho.

De acordo com reportagem do portal UOL, a demanda pela comunicação formal e verificável teria aumentado a partir da pandemia. Explicando: o aumento do trabalho em home office criou novas situações, nas quais formalizar os acordos é uma necessidade legal.

Ambidestria organizacional

Funcionários trabalhando na unidade de distribuição dos Correios em Brasília.
Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

Nesse caso, o telegrama atende os dois lados: para as empresas, serve como comprovação de convocação e tentativas de contato, enquanto que também atua na confirmação de vínculos trabalhistas dos colaboradores.

Para Daniel Aguado, diretor de Marketing da Fundação Dom Cabral (FDC), o crescimento desse meio de comunicação tradicional é um modelo de ambidestria organizacional, combinando o equilíbrio entre eficiência e inovação.

“O caso do telegrama é um ótimo exemplo de que, antes de sair comprando ferramentas, criando aplicativos, agentes de IA e toda uma parafernália, muitas vezes complexa e cara, vale priorizar o entendimento profundo do problema, das necessidades reais e dos benefícios esperados”, resume.

Aguado não vê a utilização como “nostalgia gratuita”, mas como um exemplo de que soluções simples podem responder com efetividade as necessidades das pessoas e das organizações. O fato de ser uma ferramenta com segurança jurídica – tanto para quem envia quanto para quem recebe – é um dos destaques do telegrama, na avaliação dele. 

Dúvidas mais comuns

O telegrama é um meio de comunicação tradicional introduzido no Brasil em 1852, que voltou a crescer em uso em 2025. Ele é valorizado por sua credibilidade e validade legal, sendo usado principalmente para comunicações formais e oficiais, como cobranças judiciais, convocações e informações sobre concursos públicos.

O aumento de 30% no uso do telegrama em 2025 está ligado à necessidade de comunicações formais e verificáveis, especialmente após a pandemia, quando o trabalho remoto criou situações que exigem formalização legal de acordos. O telegrama oferece segurança jurídica e comprovação de entrega, o que o torna relevante para empresas e setores como recursos humanos e justiça do trabalho.

Atualmente, o telegrama é usado principalmente por empresas para oficializar cobranças judiciais, convocar perícias médicas, informar sobre concursos públicos e formalizar acordos trabalhistas. Ele também é importante para pessoas que não têm acesso a meios digitais, garantindo uma comunicação segura e com validade legal.

O telegrama exemplifica a ambidestria organizacional, combinando eficiência e inovação ao oferecer uma solução simples, segura e legalmente válida para comunicações formais. Segundo especialistas, antes de investir em tecnologias complexas, é importante entender profundamente as necessidades reais, e o telegrama atende a essas demandas de forma eficaz.

Para usar o telegrama, é necessário acessar os serviços dos Correios, que realizam o envio oficial dessas mensagens. O processo envolve a formalização da mensagem que será entregue com comprovação legal, garantindo segurança tanto para quem envia quanto para quem recebe.

Algumas pessoas preferem o telegrama porque ele alcança quem não tem acesso a meios digitais e oferece uma entrega comprovada com validade legal. Isso é especialmente importante para comunicações formais que exigem segurança jurídica e confirmação oficial, algo que nem sempre é garantido em plataformas digitais.