- O Brasil é o terceiro maior usuário global de inteligência artificial, com mais de 140 milhões de mensagens diárias enviadas ao ChatGPT, atrás apenas dos EUA e Índia.
- Apesar de 93% dos brasileiros utilizarem IA, apenas 54% compreendem o conceito, evidenciando uma lacuna significativa entre uso e entendimento da tecnologia.
- O crescimento do uso de IA no Brasil exige maior educação digital e debates sobre ética para mitigar riscos como a perda do pensamento crítico e impactos cognitivos negativos.
O Brasil se consolidou como um dos maiores usuários de inteligência artificial no mundo. Um estudo inédito da OpenAI aponta que o país ocupa a 3ª posição global no uso do ChatGPT, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.
O levantamento mostra que, todos os dias, brasileiros enviam mais de 140 milhões de mensagens à plataforma. No cenário mundial, são mais de 2 bilhões de interações diárias, com um total de 700 milhões de usuários semanais, incluindo 5 milhões de perfis corporativos.
De acordo com os dados divulgados pelo G1, os estados que mais fazem uso de IA no Brasil são: São Paulo, Distrito Federal e Santa Catarina, seguidos por Tocantins, Rio de Janeiro, Ceará, Paraná, Amapá, Mato Grosso e Pernambuco.
Os principais usos do ChatGPT entre os brasileiros estão ligados a redação e comunicação, aprendizado e capacitação profissional, além de programação, ciência de dados e matemática. Já o perfil dos usuários revela a predominância dos mais jovens: 27% têm entre 18 e 24 anos, e 33% entre 25 e 34 anos. Para os pesquisadores, isso indica que estudantes e profissionais em início de carreira já podem ser considerados “nativos da IA”.
Segundo Nicolas Andrade, chefe de política para América Latina e Caribe da OpenAI, são números que vão além de estatísticas: “são um poderoso testemunho da criatividade e da curiosidade do povo brasileiro”.
93% dos brasileiros já usam IA, mas apenas 54% compreendem o conceito

Outro levantamento, desta vez divulgado pela CNN Brasil, reforça o avanço do uso de IA no paísl, mas também aponta um desafio: a compreensão sobre o tema.
Segundo a pesquisa “Consumo e uso de Inteligência Artificial no Brasil”, 82% das pessias já ouviram falar em IA, mas apenas 54% realmente entendem o termo. Já 18% nunca ouviram falar e 46% não compreendem o conceito.
Apesar dessa lacuna, 93% dos brasileiros já utilizam alguma ferramenta de inteligência artificial. Para 75%, a tecnologia já faz parte do cotidiano, e 32% afirmam que a IA está muito presente em suas rotinas.
A pesquisa mostra ainda desigualdades regionais:
- Sudeste: 88% já ouviram falar em IA (maior índice do país).
- Nordeste: 73% (menor índice).
- Centro-Oeste: 84%.
- Norte: 83%.
- Sul: 80%.
A familiaridade também é maior nas regiões metropolitanas (87%) em comparação ao interior (79%), e entre pessoas brancas (85%) em relação a negras (81%).
Outro fator determinante é a escolaridade:
- 97% dos que têm ensino superior já ouviram falar em IA.
- 91% entre os que concluíram o ensino médio.
- 61% entre os que têm apenas ensino fundamental.
Quanto à classe econômica, a percepção também varia:
- 94% nas classes A/B.
- 88% na classe C.
- 66% nas classes D/E.
Uso de IA no Brasil cresce, mas ainda há desafios
O uso de IA no Brasil já é uma realidade consolidada, tanto no dia a dia pessoal quanto nos ambientes corporativos. No entanto, os dados revelam que ainda há um descompasso entre a adoção e a compreensão do conceito, o que pode dificultar debates mais profundos sobre ética, regulação e combate à desinformação.
À medida que o país avança no uso da inteligência artificial, cresce também a necessidade de educação digital, garantindo que os usuários não apenas utilizem a tecnologia, mas também compreendam suas implicações e possibilidades.
Outra questão levantada é o uso de IA atrelado ao risco de perda de pensamento crítico. Um estudo conduzido por pesquisadores de instituições norte-americanas, publicado na Cornell University, aponta que o uso excessivo de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, pode gerar uma forma de “atrofia cognitiva”. O levantamento analisou o impacto dos Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs) no processo de escrita e concluiu que a dependência dessas ferramentas pode reduzir a atividade cerebral, afetar o raciocínio e diminuir o engajamento em processos analíticos mais profundos.
A pesquisa revelou que participantes que escreveram sem apoio de IA apresentaram maior conectividade cerebral e satisfação com o trabalho, enquanto aqueles que usaram exclusivamente LLMs tiveram resultados mais rápidos, mas com menor envolvimento cognitivo e linguístico. Para os autores, a dependência crescente de IA no aprendizado e no ambiente acadêmico exige debates urgentes sobre ética, educação digital e os impactos de longo prazo do uso de IA no Brasil e no mundo.