- A liderança empresarial deve demonstrar não apenas compromisso, mas progresso tangível na mitigação das mudanças climáticas, adotando modelos de ação que considerem as especificidades locais e fortaleçam sinergias com políticas públicas.
- As empresas podem integrar mecanismos do mercado de carbono e outros instrumentos econômicos em suas operações, transformando a mitigação em valor econômico e reduzindo emissões de CO2, alinhando-se com acordos internacionais como o Acordo de Paris.
- A inclusão da sociedade é essencial para o sucesso da agenda climática; as empresas têm um papel vital em conectar diferentes atores sociais, promovendo um futuro mais inclusivo e sustentável.
A esfera privada tem papel fundamental na agenda climática, mas muitas organizações ainda não conseguem ter clareza sobre seus papeis nessa jornada. Em entrevista durante a COP30 para a Business Fights Poverty, uma organização focada em desenvolvimento econômico e bem-estar social, Fábio Marques, professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC), enumerou três caminhos fundamentais para que as empresas fortaleçam atuação na mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Acompanhe:

1. Buscar sinergias com políticas públicas
O primeiro passo é operacionalizar modelos de ação reconhecidos internacionalmente, mas que levem em conta as especificidades locais. Muitas vezes existe um potencial de sinergia entre políticas públicas desenvolvidas em nível nacional e internacional e as atividades específicas de cada empresa. As organizações privadas podem, nesse sentido, servir como um reforço importante para a conexão entre as macropolíticas públicas e a realidade local de cada território. Esse elo permitirá uma ação intersetorial e multidisciplinar em prol dos compromissos climáticos.
2. Pensar alternativas a partir de mecanismos do mercado de carbono e outros instrumentos econômicos.
Em linha com as negociações multilaterais internacionais – como o Acordo de Paris e Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês) – as empresas podem incorporar em suas atividades os mecanismos de mercado de carbono. Isso significa um impacto direto na redução de emissões de CO2, garantindo às empresas a possibilidade de receber crédito adicional a partir desse compromisso, transformando a mitigação em valor econômico. Existem também outros instrumentos econômicos, por exemplo, na área de finanças verdes, desde títulos de dívida associados a compromissos de mitigação (climate bonds) até a critérios de investimento que valorizem ações e projetos que reduzam o uso de fontes fósseis. Há também uma crescente vinculação do tema com práticas de comércio internacional, entre outros aspectos econômicos.
3. Garantir a participação da sociedade civil neste debate
Nenhuma agenda transformadora prospera sem a participação e apoio da sociedade civil. Mais do que um gesto simbólico durante a COP30, a inclusão de diferentes atores sociais permite a construção de um futuro mais inclusivo e sustentável para todos. E as empresas podem auxiliar nessa conexão, trazendo para perto todos aqueles impactados por suas atividades.
Ainda de acordo com Marques, que, há mais de 20 anos participa ativamente das negociações multilaterais sobre mudança do clima (COPs), a adoção de uma abordagem clara e fundamentada transforma a intenção em ação estruturada e eficaz, ainda mais em um ambiente de desafios complexos, como a ação climática. Isso faz com que, ao invés de navegar sem um mapa, as empresas possam se apoiar em modelos validados para direcionar seus esforços, otimizar recursos e acelerar o impacto de suas iniciativas.