- A transformação digital na saúde no Brasil, impulsionada por um estudo da FDC e UFRGS, revela que 69% dos hospitais já utilizam tecnologias digitais para eficiência e 65% melhoraram a comunicação com pacientes.
- A Saúde 4.0, que integra tecnologias avançadas, foca na automação de processos, melhoria do acesso e continuidade do atendimento, e na prevenção, mas enfrenta desafios como falta de infraestrutura e capacitação profissional.
- O uso de registros eletrônicos e telemedicina tem mostrado resultados positivos, com 43,3% dos hospitais reportando aumento na segurança do paciente e 42,9% na qualidade dos serviços, evidenciando a necessidade da digitalização no setor.
A digitalização redefine o setor de saúde no Brasil, impulsionando mudanças estruturais na gestão hospitalar, na eficiência dos atendimentos e na experiência do paciente. O estudo “A Transformação Digital na Saúde Brasileira”, desenvolvido pela Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e apoio da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) e Associação Brasileira CIO Saúde (ABCIS), mapeou como hospitais públicos, privados e de ensino que têm adotado tecnologias e estratégias da chamada Saúde 4.0.
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De acordo com o levantamento, realizado com 303 hospitais em todo o país, a transformação digital já é uma realidade em diferentes graus de implementação. Cerca de 69% das instituições afirmam utilizar tecnologias digitais para tornar seus serviços mais eficientes e 65% apontam avanços na comunicação e no relacionamento com pacientes.
Saúde 4.0

O termo Saúde 4.0 refere-se ao uso integrado de tecnologias avançadas para reformular os modelos de atendimento, gestão, vigilância epidemiológica e relacionamento entre paciente e sistema de saúde. Envolve recursos como Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, Big Data, computação em nuvem, dispositivos conectados, prontuário eletrônico e outras ferramentas de automação e digitalização.
No Brasil, a tema ganha forma institucional com iniciativas como a Câmara da Saúde 4.0, criada pelos Ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em associação ao Plano Nacional de Internet das Coisas, para estimular a adoção de tecnologias digitais no sistema de saúde. O plano prevê:
- Ampliação de eficiência nos serviços de saúde: o uso de plataformas digitais permite automatizar processos, otimizar rotinas hospitalares, reduzir retrabalho e falhas operacionais. Isso favorece a redução de custos e agiliza procedimentos clínicos.
- Melhoria de acesso e continuidade do atendimento: a integração de sistemas eletrônicos, o monitoramento remoto e a telemedicina permitem alcançar populações em áreas remotas ou com acesso limitado, além de favorecer o acompanhamento contínuo do paciente.
- Dados em tempo real para tomada de decisão: tecnologias como IoT e Big Data permitem coletar e analisar dados de saúde de forma contínua, o que auxilia tanto em diagnósticos quanto no planejamento de políticas públicas.
- Prevenção como foco: em vez de atuar somente no tratamento, a Saúde 4.0 favorece a detecção precoce de riscos, com monitoramentos contínuos e intervenções preventivas, o que pode reduzir complicações e demandar menos recursos em estágios avançados de doença.
- Integração e interoperabilidade: a conectividade entre diferentes sistemas de saúde, laboratórios, clínicas, hospitais e órgãos de gestão contribui para que informações relevantes estejam disponíveis quando e onde se fizerem necessárias.
Os avanços da Saúde 4.0 trazem benefícios diretos à eficiência e à qualidade do atendimento, mas ainda impõem desafios para sua consolidação. A modernização tecnológica exige investimentos contínuos em infraestrutura digital e conectividade, especialmente em regiões com menor acesso à internet. Além disso, há a necessidade de capacitar profissionais de saúde para lidar com novas ferramentas e fluxos de dados, o que requer políticas de formação e atualização técnica. Outro ponto sensível é a segurança e a privacidade das informações médicas, que precisam estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Neste cenário, o risco de ampliar desigualdades no acesso aos serviços digitais ainda é iminente, uma vez que a expansão da tecnologia vem sempre acompanhada de estratégias de inclusão e equidade no sistema de saúde brasileiro.
Presença da tecnologia na saúde

De acordo com o estudo da FDC, entre as principais inovações destacam-se o uso de registros eletrônicos de saúde, presente em 50,5% dos hospitais, e a adoção de sistemas gerenciais corporativos (ERP), utilizados por 39% das instituições. Tecnologias emergentes, como IoT e computação em nuvem aparecem com adoção de 16,1% e 29,1%, respectivamente. Apesar de avanços, o estudo mostra que Inteligência Artificial, Big Data e blockchain ainda são pouco exploradas, com índices de rejeição acima de 60%.
A pesquisa também indica que 60,1% dos hospitais relatam a falta de recursos financeiros para conduzir a transformação digital, e 54,5% afirmam não possuir infraestrutura tecnológica adequada. Ainda assim, há uma tendência de expansão de parcerias: 48,2% das instituições já mantêm colaboração com fornecedores e empresas de tecnologia para acelerar a digitalização.
No campo assistencial, a telemedicina desponta como a principal ferramenta digital, utilizada por 32,4% dos hospitais. Aplicativos de relacionamento com pacientes e ferramentas de monitoramento remoto aparecem em segundo plano, mas ganham força como vetores de personalização do cuidado e acesso a dados em tempo real.
Segundo a pesquisa, a transformação digital na saúde já tem impactos perceptíveis. Nos últimos três anos, 43,3% dos hospitais registraram aumento na segurança do paciente, e 42,9% relataram melhoria na qualidade dos serviços médicos. O levantamento associa esses ganhos diretamente à adoção de tecnologias digitais e à reorganização dos processos internos.
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Resultados e benefícios: mais eficiência e segurança
A adoção de tecnologias digitais no setor hospitalar já demonstra resultados concretos em eficiência e segurança assistencial. O dado foi confirmado pelo relatório, que mostra que 43,3% dos hospitais brasileiros registraram um aumento na segurança do paciente e 42,9% apontaram melhoria na qualidade dos serviços médicos nos últimos três anos. Os avanços são considerados diretamente relacionados ao uso de sistemas digitais de gestão, com registros eletrônicos de saúde, telemedicina e monitoramento remoto. Associadas, essas tecnologias prometem reduzir falhas humanas e otimizar o fluxo de informações clínicas.
Outro ponto fundamental do uso da tecnologia no setor de saúde está associado à facilidade de rastreabilidade de medicamentos e procedimentos, ampliando o controle de processos e o acompanhamento em tempo real. Além disso, o uso de dados integrados e ferramentas analíticas possibilita diagnósticos mais precisos e decisões médicas mais ágeis, reforçando a segurança e a confiabilidade do atendimento.
De acordo com o estudo, os resultados indicam que a transformação digital não apenas melhora o desempenho operacional das organizações de saúde, como também eleva os padrões de cuidado e de proteção ao paciente.
“A digitalização não é mais apenas uma opção estratégica, tornou-se essencial para garantir eficiência, segurança e sustentabilidade no sistema de saúde brasileiro”, conclui o relatório.