• Elon Musk prevê que a automação em larga escala com IA e robótica tornará o trabalho opcional em até 20 anos, elevando a produtividade global.
  • A automação pode eliminar 92 milhões de empregos, impulsionando debates sobre renda básica universal para mitigar desigualdades e impactos sociais.
  • Especialistas alertam que o valor humano vai além de tarefas automatizáveis, destacando a importância de habilidades estratégicas e criativas nas organizações.
Resumo supervisionado por jornalista.

Ter o privilégio de optar por trabalhar ou não pode soar utópico para a maioria das pessoas, mas para Elon Musk isso faz parte de um futuro com forte participação da inteligência artificial (IA) e robótica. A previsão, que ele acredita que pode se concretizar em dez ou vinte anos, trabalha com a ideia de automação em escala e refletirá até mesmo no valor do dinheiro, enquanto instrumento financeiro. Com uma melhoria contínua nas áreas citadas, os níveis de produtividade garantiriam o “caminho para a abundância” e, portanto, um padrão de vida alto para as pessoas, desde que haja mecanismos de distribuição.

O tema, já comentado por Musk em outras ocasiões, voltou ao centro do debate sobre os impactos da IA após participação do CEO da Tesla no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, na Suíça, em janeiro de 2026. De acordo com o relatório sobre o futuro dos empregos, a expectativa é que a IA seja responsável pela destituição de 92 milhões postos de trabalho, o que acende a discussão sobre uma renda básica universal (RBU), já comentada no governo britânico, ainda que não de forma oficial.

Como contraponto, especialistas como o diretor de comunidade e insights da Unily, Kaz Hassan, veem na tese um diagnóstico baseado em um modelo ultrapassado de produtividade, e alertam para o risco de subestimar o papel insubstituível das capacidades humanas nas organizações.

O caminho para a abundância

A aposta para destravar a economia global e impulsionar a produtividade reside no potencial da IA e da robótica, com destaque para os robôs humanóides. Segundo Musk, “se tivermos inteligência artificial onipresente que seja essencialmente gratuita, ou quase isso, e robótica onipresente, teremos uma explosão na economia global que está verdadeiramente além de qualquer precedente.”

Nessa configuração, o trabalho se tornará uma opção ou até mesmo um hobby tal qual cultivar vegetais no quintal. Isso porque, apesar da possibilidade de ir ao mercado comprar os produtos, as pessoas, por prazer, preferem cultivá-los.

Embora foque nos desdobramentos da incorporação da tecnologia em empresas, o executivo enxerga outras funções para além de realizar atividades industriais. A avaliação é que robôs também irão cuidar de populações idosas e apoiar famílias.

Renda básica e o debate político

A hipótese de um mundo em que o trabalho deixa de ser uma condição de sobrevivência e os empregos caiam de maneira significativa reacendeu a discussão sobre uma renda básica universal como medida para suavizar o impacto da automação. No Reino Unido, o ministro de Estado para o investimento, Jason Stockwood, pondera que apesar dos ganhos de produtividade e riqueza que a IA pode gerar, é preciso pensar nas consequências de curto prazo, como a intensificação da desigualdade, uma vez que um pequeno grupo de elite super rica controla tanto o capital quanto as tecnologias. O ministro chegou a sugerir, de acordo com o Financial Times, que empresas de tecnologia arquem com parte da renda básica universal por meio do pagamento de imposto sobre lucros extraordinários.

Experiências de RBU conduzidas nos Estados Unidos indicam, como reportou a Brazil Economy, que pagamentos incondicionais não eliminam o incentivo ao trabalho, mas servem como uma fonte de segurança mínima.

Em países como o  Brasil, com alta taxa de informalidade, qualificação média baixa e pressão fiscal sobre redes de proteção social, a tendência é de um impacto assimétrico, com desdobramento maior sob aqueles com menor renda e escolaridade, além de profissionais que apresentam gaps prolongados no mercado de trabalho.

O contraponto: trabalho não é só tarefa

Mãos de robô e humano trabalhando juntas, em um conceito que visa aumentar a produtividade em tarefas empresariais.
Imagem: Vectorium/ Shutterstock

A leitura de que o trabalho poderá se tornar dispensável, no entanto, não é unanimidade, como mostrou uma matéria da Forbes. Para Hassan, Musk parte de um modelo ultrapassado de mensuração do trabalho, centrado na execução de tarefas e no tempo dedicado. Dessa forma, o valor humano e seu comportamento irreplicável são excluídos da análise. 

O equívoco estaria em confundir automação de tarefas com eliminação da contribuição humana. Hassan sustenta que o verdadeiro sucesso organizacional está pautado em dimensões humanas difíceis de quantificar, como intuição estratégica, tradução cultural e julgamento. Essas auxiliam, respectivamente, a identificar mudanças de mercado antes mesmo que os dados, a construir uma força de trabalho voltada para um objetivo comum e a encontrar equilíbrio em situações complexas.

“Organizações que correm para automatizar tudo estão descobrindo algo desconfortável: o trabalho humano difícil de medir, que elas subestimavam, de repente se tornou sua única vantagem competitiva”, explicou Hassan.

Nesse contexto, ele acredita que as empresas com melhor desempenho serão aquelas que conseguirem formar “supertrabalhadores” capazes de “usar agentes de IA para ampliar seu senso crítico, criatividade e impacto estratégico”.

Dúvidas mais comuns

Elon Musk prevê que, com o avanço da inteligência artificial e da robótica, o trabalho poderá se tornar uma escolha opcional, não uma necessidade para a sobrevivência, possibilitando que as pessoas trabalhem por prazer ou hobby.

A inteligência artificial pode automatizar muitas tarefas, potencialmente eliminando milhões de empregos, o que pode levar a uma transformação significativa na economia e na forma como o trabalho é percebido.

Com a automação reduzindo a necessidade de trabalho humano, a renda básica universal é discutida como uma forma de garantir segurança financeira mínima para todos, suavizando os impactos sociais da perda de empregos.

Desafios incluem a desigualdade crescente, a concentração de riqueza e tecnologia em poucas mãos, além das dificuldades fiscais e sociais em países com alta informalidade e baixa qualificação, como o Brasil.

Especialistas como Kaz Hassan argumentam que o trabalho não é apenas execução de tarefas, mas envolve capacidades humanas únicas como intuição, julgamento e tradução cultural, que não podem ser totalmente substituídas por máquinas.

São profissionais que utilizam agentes de inteligência artificial para ampliar seu senso crítico, criatividade e impacto estratégico, combinando habilidades humanas com tecnologia para obter melhor desempenho.

A automação em escala pode aumentar significativamente a produtividade, criando um "caminho para a abundância" que, com mecanismos adequados de distribuição, pode elevar o padrão de vida das pessoas.