• Startups em estágio semente precisam de planejamento estratégico, resiliência e uso eficiente do capital semente para alcançar sucesso inicial e preparar crescimento sustentável.
  • O processo envolve equilibrar desenvolvimento do produto com captação de recursos, visando atingir o breakeven antes da próxima rodada de investimentos, com apenas 10% das startups avançando para a série A.
  • Para o setor de startups, ajustar custos, pivotar quando necessário e buscar investidores alinhados são práticas essenciais para superar desafios, especialmente em empreendimentos com foco socioambiental.
Resumo supervisionado por jornalista.

O primeiro estágio de crescimento das startups é o de ideação, quando a empresa nascente está desenvolvendo seu produto e busca um ajuste. Em outras palavras, ela procura encaixar o problema que identificou como oportunidade numa solução inovadora. O capital semente (seed capital, como é conhecido internacionalmente) é um dos componentes dessa fase inicial e significa que algum investidor anjo (patrocinador potencial do projeto) pode fazer um aporte por acreditar na ideia.

Embora inicial, essa operação tem método e pode ser bem-sucedida se seguir regras básicas. Essa é a avalição da investidora Itali Collini, da Potência Ventures. Economista pela USP, ela tem experiência em selecionar startups para rodadas semente, e criou um guia, publicado no site Capital Reset, para orientar os empreendedores.

Passo a passo do “estágio semente”

estágio semente
Foto: Wasana/ Adobe Stock

De acordo com Itali, a jornada deve começar com o planejamento a longo prazo para a captação e uso do capital, em períodos que podem durar mais de seis meses. Com isso, os criadores de startups devem estar atentos ao fato de que precisam equilibrar suas atividades de desenvolvimento da solução com as rodadas de captação. A jornada deve ser alinhada ao tamanho da rodada e, se for preciso, estendida.

Depois de ser bem-sucedida na primeira rodada, a startup precisa se preparar para atingir o breakeven (ponto de equilíbrio) sem participar de rodadas adicionais para captação de investimentos. A especialista destacou que as estatísticas de mercado indicam que apenas uma entre dez startups evolui da fase de semente para a chamada série A, que é a próxima etapa de desenvolvimento, motivo pelo qual os empreendedores precisam ajustar seus custos e rentabilizar as operações para avançarem, independente de ter ou não mais aportes.

A dica final de Itali é um ajuste ainda maior, aproveitando a experiência acumulada a favor do projeto. Se a solução proposta mostrar que não tem aderência, o conselho é “pivotar”, ou seja, mudar a essência da solução, fazendo isso de forma planejada. Por outro lado, se o projeto estiver sendo bem aceito no mercado, é hora de ver as captações adicionais como impulso para expansão e melhoria do produto.

Adicionalmente, ela lembra de um ingrediente necessário a qualquer startup: resiliência. No caso de empreendimentos focados em impacto ambiental e social, os desafios são ainda maiores e a estratégia é focar no longo prazo e buscar investidores que estejam alinhados à pauta sócio-ambiental.

Dúvidas mais comuns

As fases principais de uma startup são: Ideação, onde se desenvolve o conceito e valida o problema; Validação, que envolve a criação do Produto Mínimo Viável (MVP) e testes iniciais; Crescimento/Operação, focado em atrair clientes e gerar tração; e Escala/Maturidade, que busca expandir o negócio de forma sustentável e dominante no mercado.

O estágio semente é a fase inicial de desenvolvimento da startup, quando o projeto já pode ter um protótipo chamado Produto Mínimo Viável (MVP) e realiza testes no mercado. Nessa etapa, o capital semente é investido por investidores anjo que acreditam na ideia para ajudar no desenvolvimento e validação da solução.

Para ter sucesso no estágio semente, as startups devem planejar a captação e uso do capital a longo prazo, equilibrar o desenvolvimento do produto com as rodadas de investimento, ajustar custos e buscar rentabilizar as operações para avançar até o ponto de equilíbrio sem depender de novos aportes. Além disso, é importante ser resiliente e estar disposto a pivotar a solução se necessário.

Pivotar significa mudar a essência da solução proposta pela startup de forma planejada, geralmente quando a solução inicial não tem aderência suficiente no mercado. Essa mudança estratégica busca ajustar o produto para melhor atender às necessidades dos clientes e aumentar as chances de sucesso.

A resiliência é fundamental para startups em estágio semente porque esse período envolve muitos desafios, incertezas e a necessidade de adaptação constante. Empreendedores resilientes conseguem superar obstáculos, aprender com falhas e continuar evoluindo o projeto até alcançar o sucesso.

Startups com foco socioambiental enfrentam desafios maiores e devem adotar uma estratégia de longo prazo, buscando investidores alinhados com suas causas. É importante manter o foco na missão e planejar a captação de recursos de forma que permita o desenvolvimento sustentável e o impacto positivo desejado.