• Pesquisa do Web Summit revela que mais da metade das mulheres na tecnologia enfrenta sexismo e pressão para escolher entre carreira e família.
  • O levantamento Women in Tech Survey indica otimismo quanto ao uso da IA para promover igualdade de gênero, com 80% das empresas tendo liderança feminina.
  • Apesar do progresso, 56% das mulheres veem falhas na indústria tecnológica para combater desigualdade, e 29,6% enfrentam dificuldades de financiamento para empreender.
Resumo supervisionado por jornalista.

O universo de trabalho do segmento de tecnologia parece estar longe de se livrar do sexismo, segundo pesquisa divulgada pelo Web Summit em outubro. Mais da metade das entrevistadas relatou experiências desse tipo e praticamente o mesmo percentual relata sentir-se pressionada a escolher entre família e carreira. Nesse caso, o problema foi acentuado em relação ao levantamento anterior.

Por outro lado, a pesquisa intitulada Women in Tech Survey mostra indicadores positivos. Entre eles, o levantamento mostrou um otimismo sobre o potencial da IA e da automação em termos de favorecer a igualdade de gênero. Uma informação relevante é que 8 em cada dez entrevistadas relatou que a alta gestão de suas empresas tem pelo menos uma representante feminina. E mais: quase 76% das inquiridas concordam que se sentem capacitadas para procurar e/ou ocupar cargos de liderança.

Um ponto de atenção nessa jornada é a questão de financiamento para as empreendedoras: 29,6% das entrevistadas citaram as dificuldades de financiamento como fator impeditivo para iniciar seu próprio negócio, o que seria um problema global.

Necessidade de mudança

sexismo no trabalho

De acordo com o Web Summit, existe uma necessidade evidente de mudança, inclusive porque aproximadamente 56% das mulheres ouvidas sentem que a indústria de tecnologia não funciona o suficiente para  combater a desigualdade de gênero e 69% estão insatisfeitas com esforços para isso em âmbito governamental.

O Women in Tech 2024 igualmente confirma dados internacionais a respeito da igualdade de gênero. É o caso do levantamento da Nash Squared, que aponta que as mulheres ainda representam apenas 14% da liderança mundial de tecnologia. Já as informações do Banco Mundial, por sua vez, mostram que as mulheres ocupam entre 26% e 29% dos cargos de liderança.

Para combater o sexismo no mercado de trabalho, o Web Summit lançou um programa em 2015, com desconto para participação em eventos do setor e, inclusive, eventos exclusivos para mulheres.

Dúvidas mais comuns

Sexismo no trabalho é o preconceito e a discriminação contra as mulheres presentes no ambiente profissional, manifestando-se tanto em atitudes interpessoais quanto em práticas institucionais, especialmente em setores tradicionalmente masculinos.

Os três tipos principais de sexismo são: Hostil, que envolve atitudes negativas e desprezo; Benevolente, que são elogios e proteção disfarçados que reforçam papéis tradicionais; e Ambivalente, que combina os dois, vendo um gênero como bom e mau ao mesmo tempo. Além disso, o sexismo pode se manifestar em níveis sistêmico/institucional e interpessoal.

Segundo pesquisa do Web Summit, mais da metade das mulheres na tecnologia relatam experiências de sexismo e sentem pressão para escolher entre família e carreira. Muitas também percebem que a indústria não faz o suficiente para combater a desigualdade de gênero, e há insatisfação com os esforços governamentais para enfrentar o problema.

Dados indicam que as mulheres representam apenas cerca de 14% da liderança mundial em tecnologia, enquanto outras fontes mostram que ocupam entre 26% e 29% dos cargos de liderança em geral. Apesar disso, 8 em cada 10 entrevistadas afirmam que suas empresas têm pelo menos uma representante feminina na alta gestão, e quase 76% se sentem capacitadas para buscar cargos de liderança.

Um dos principais obstáculos para mulheres empreendedoras é o financiamento, com cerca de 29,6% das entrevistadas citando dificuldades para obter recursos como fator impeditivo para iniciar seus próprios negócios, um problema que é reconhecido globalmente.

O Web Summit lançou em 2015 um programa que oferece descontos para participação em eventos do setor de tecnologia e promove eventos exclusivos para mulheres, buscando incentivar a participação feminina e combater o sexismo. Além disso, há uma crescente conscientização sobre a necessidade de mudanças institucionais e governamentais para promover a igualdade de gênero.

A pesquisa Women in Tech Survey mostra otimismo quanto ao potencial da inteligência artificial e da automação para favorecer a igualdade de gênero, sugerindo que essas tecnologias podem ser ferramentas importantes para reduzir desigualdades e promover oportunidades iguais no ambiente de trabalho.