• A proatividade no trabalho pode causar fadiga mental e queda no desempenho cognitivo devido ao esforço constante de antecipação e inovação, afetando tarefas rotineiras.
  • O estudo com trabalhadores franceses mostra que o custo cognitivo da proatividade decorre da ruptura de automatismos, aumentando o esforço mental e a fadiga ao buscar melhorias contínuas.
  • Para o setor organizacional, equilibrar proatividade e bem-estar exige pausas regulares, flexibilidade na agenda e ambientes seguros para experimentação, prevenindo o esgotamento mental.
Resumo supervisionado por jornalista.

Ser proativo no trabalho pode ajudar a melhorar processos e a alcançar resultados mais positivos, algo valorizado tanto por profissionais quanto por empresas. Até aí, nenhuma novidade. 

O que não se sabia – e foi alvo de estudo acadêmico – é que a proatividade pode envolver um custo relevante: a fadiga gerada pelo esforço constante de antecipação e melhoria pode comprometer a execução de tarefas rotineiras, já dominadas pelos trabalhadores. 

O foco do estudo não foi questionar a importância da proatividade, mas entender como adotá-la sem prejudicar a produtividade e o bem-estar. O tema foi alvo de artigo publicado no site Harvard Business Review, escrito por três professoras ligadas a instituições diversas que fizeram o estudo sobre os efeitos da proatividade em trabalhadores franceses. 

Para equilibrar esse cenário, as autoras apresentam estratégias práticas (detalhadas ao final do texto) que podem ser adotadas por profissionais e empresas para reduzir a fadiga, como pausas regulares, maior flexibilidade na agenda e priorização de tarefas.

Queda no desempenho cognitivo

Ilustração digital

“No estudo, descobrimos que quanto mais esforço as pessoas fazem procurando maneiras de melhorar seu trabalho (em vez de apenas fazê-lo), pior é seu desempenho cognitivo no final do dia, em comparação com os dias em que não foram especialmente proativas”, dizem as autoras do artigo, que é assinado por Mouna El Mansouri, professora assistente de Comportamento Organizacional na EDHEC Business School em Lille, França; Karoline Strauss, professora de administração na ESSEC Business School em Paris; e Doris Fay, professora titular de Psicologia do Trabalho e Organizacional na Universidade de Potsdam, Alemanha.

Mas nem tudo é conclusivo ou definitivo neste e em estudos anteriores conduzidos pelo grupo. Segundo o artigo, as explicações para a associação entre proatividade e queda de rendimento baseiam-se em hipóteses consistentes, porém ainda em evolução científica. Indivíduos que buscam melhorar constantemente suas tarefas precisam se afastar de rotinas já consolidadas, abrindo mão de automatismos que reduzem o esforço mental para lidar com novas demandas cognitivas.

Ou seja, investir tempo e energia em novas formas de trabalhar pode gerar o chamado custo cognitivo da proatividade. Esse processo tende a aumentar a fadiga mental, o que, segundo pesquisas anteriores, dificulta atividades como concentração, processamento de informações e tomada de decisões.

Estudos anteriores já demonstraram que tomar iniciativa no trabalho, além de ganhos evidentes de eficiência para as empresas, pode aumentar o senso de propósito, o engajamento e a adaptabilidade dos profissionais. No entanto, as pesquisadoras questionam se essa mesma proatividade também pode esgotar recursos mentais ao romper padrões automáticos de execução das tarefas diárias.

As rotinas, nesse contexto, desempenham papel fundamental: ajudam a otimizar o tempo e a preservar energia cognitiva. Quando uma tarefa é repetida de forma consistente, ela se torna progressivamente automática, exigindo menos esforço mental, o que é essencial para manter o desempenho ao longo do dia.

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Como ser proativo e evitar a fadiga

A proatividade continua sendo essencial para fortalecer o vínculo com o trabalho e gerar inovação nas empresas, destacam as autoras. O desafio, portanto, está em equilibrar iniciativa e sustentabilidade mental. Com base nisso, elas sugerem práticas para profissionais e organizações, listadas a seguir.

1. Faça pausas

Pesquisas indicam que pausas regulares ajudam a reduzir a fadiga mental. Em dias mais exigentes cognitivamente, interromper o trabalho de forma estratégica pode restaurar a energia e melhorar o desempenho ao longo da jornada. Dar a si mesmo espaço para respirar pode ajudar o colaborador a recuperar alguns recursos mentais.

2. Seja flexível

Sempre que possível, adapte a agenda para lidar com o desgaste mental. Priorizar tarefas mais complexas no início do dia e redistribuir atividades rotineiras pode aumentar a eficiência e reduzir a sobrecarga cognitiva.

3. Crie um espaço seguro para experimentar

Líderes devem incentivar uma cultura em que erros sejam vistos como parte do aprendizado. Ambientes psicologicamente seguros reduzem a pressão sobre os colaboradores e liberam capacidade mental para inovação e melhoria contínua.

Dúvidas mais comuns

Ser proativo no trabalho significa assumir a responsabilidade por suas próprias ações e resultados, procurando crescer e resolver questões antes mesmo da situação se tornar maior. Envolve buscar constantemente maneiras de melhorar processos e antecipar demandas, em vez de apenas executar tarefas rotineiras. Essa atitude é valorizada tanto por profissionais quanto por empresas, pois contribui para inovação e melhoria contínua.

Uma pessoa proativa assume responsabilidade por suas ações e resultados, procura crescer continuamente, resolve questões antes que se tornem maiores, busca melhorar processos constantemente e antecipa demandas. Além disso, demonstra engajamento, adaptabilidade e senso de propósito em relação ao trabalho, buscando sempre formas inovadoras de executar suas atividades.

Estudos mostram que o esforço constante de antecipação e melhoria gera um 'custo cognitivo da proatividade'. Quando profissionais buscam melhorar constantemente suas tarefas, precisam se afastar de rotinas consolidadas e automatismos que reduzem o esforço mental. Esse processo aumenta a fadiga mental, o que dificulta concentração, processamento de informações e tomada de decisões, comprometendo o desempenho cognitivo ao final do dia.

As rotinas desempenham papel fundamental na otimização do tempo e preservação de energia cognitiva. Quando uma tarefa é repetida de forma consistente, ela se torna progressivamente automática, exigindo menos esforço mental. Esse automatismo é essencial para manter o desempenho ao longo do dia, permitindo que o profissional concentre sua energia mental em novas demandas e iniciativas.

As principais estratégias incluem: fazer pausas regulares para reduzir fadiga mental, especialmente em dias cognitivamente exigentes; ser flexível com a agenda, priorizando tarefas complexas no início do dia e redistribuindo atividades rotineiras; e criar um espaço seguro para experimentar, onde erros sejam vistos como parte do aprendizado. Essas práticas ajudam a restaurar energia mental e reduzem a sobrecarga cognitiva.

Líderes devem criar uma cultura organizacional onde erros sejam vistos como parte do aprendizado, estabelecendo ambientes psicologicamente seguros. Esses espaços reduzem a pressão sobre os colaboradores e liberam capacidade mental para inovação e melhoria contínua. Além disso, oferecer flexibilidade na agenda e permitir pausas regulares contribui para equilibrar iniciativa com sustentabilidade mental.

O desafio está em equilibrar iniciativa e sustentabilidade mental. A proatividade continua sendo essencial para fortalecer o vínculo com o trabalho e gerar inovação nas empresas, mas deve ser adotada de forma que não comprometa a saúde mental e o desempenho dos profissionais. Isso requer implementação de práticas como pausas regulares, flexibilidade de agenda, priorização de tarefas e criação de ambientes psicologicamente seguros.