• Silver ceiling é uma forma de etarismo que limita a promoção e o investimento em capacitação de profissionais experientes, geralmente acima dos 40 ou 50 anos, independentemente do gênero.
  • Estudos indicam que profissionais 40+ são preteridos em promoções por estereótipos que os consideram menos aptos para tarefas complexas, apesar de sua experiência e potencial para inovação.
  • Com o envelhecimento da força de trabalho e a longevidade crescente, empresas que investem em lifelong learning para profissionais seniores estarão mais preparadas para o futuro do mercado.
Resumo supervisionado por jornalista.

As profissionais mulheres têm enfrentado uma série de preconceitos em sua ascensão profissional e dois destes modelos de etarismo já são bem conhecidos: os tetos de vidro (glass ceiling), mais geral, e o de concreto (concrete ceiling), ainda mais específico por envolver mulheres negras. Agora, uma nova barreira, mais “democrática” e, sem distinção de gênero, tem ganhado tração. Trata-se do silver ceiling, ou teto prateado.

Por prateado, entenda-se a metáfora de grisalho e, portanto, profissional mais experiente, independente de gênero.

Segundo Michelle Queiroz, professora associada da FDC e coordenadora do FDC Longevidade – uma plataforma de disseminação de conteúdo que alerta para a necessidade de mudança social para encarar o aumento da expectativa de vida -, os principais estudos e pesquisas sobre o tema consideram a população 50+ ou 60+. “Mas isso não significa que a faixa etária dos 40 anos não sofra com a queda de investimento em capacitação”, afirma.

De acordo com Michele, essa já é uma realidade em muitas empresas, ainda que não assumida de forma explícita. “Estes profissionais costumam ser menos priorizados porque o ambiente corporativo ainda carrega uma visão equivocada sobre o ‘fim de carreira’, frente à realidade que vivemos com a Revolução da Longevidade. No Brasil, segundo o Ipea, em 2040 cerca de 57% da população economicamente ativa terá mais de 45 anos. Assim, deixar de investir na qualificação dos 40+ é, na prática, deixar de investir na maior parte da força de trabalho do futuro”, aponta.

A especialista também comenta que as carreiras estão se tornando mais longas e um profissional de 45 anos pode ter mais de 30 anos de vida produtiva pela frente. “Não investir em sua atualização significa desperdiçar experiência, repertório e inteligência geracional. Investir em capacitação não pode ter prazo de validade, lifelong learning deixou de ser tendência e passou a ser condição de sustentabilidade no campo pessoal e organizacional. Empresas que compreenderem isso estarão melhor preparadas para responder a uma sociedade contemporânea que envelhece e se transforma rapidamente”.

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Estereótipos

Para Stela Campos, editora de Carreira, do jornal Valor Econômico, as raízes desse fenômeno foram bem identificadas no estudo da escola de negócios francesa IÉSEG School of Management. O levantamento aponta para o estereótipo de que profissionais acima de 45 anos seriam menos capacitados para transformar as organizações, razão pela qual são preteridos nas oportunidades de promoção.

Falando de outra forma: a análise para promover esses trabalhadores é enviesada, indicando que profissionais na faixa de 40 anos estariam menos propensos a desempenhar tarefas complexas num universo de cinco anos do que seus pares da geração de 20 e poucos anos.

Com foco no mercado financeiro, o estudo intitulado “Why Is the Ceiling Silver? Uncovering the Role of Potential Appraisals in the Age-Promotion Relationship”, pode ser acessado aqui.

Experiência é diferencial

Conversa entre dois homens de idades diferentes em ambiente de escritório moderno, com janelas de vidro e decoração com plantas, focada em comunicação e networking.
Foto: GaudiLab/ Shutterstock

Diferentemente da avaliação enviesada apontada pelos pesquisadores franceses, os profissionais mais experientes podem, sim, fazer a diferença. Prova disso é a volta de vários deles 50+ no aprendizado de recursos de inteligência artificial (IA).

Várias dessas experiências foram relatadas por profissionais seniores, inclusive consultores. O mesmo acontece com os cursos de educação profissional para adultos que envolvem IA. Antes, a oferta de educação corporativa em tecnologia envolvia profissionais técnicos e na faixa entre 20 e 30 anos, mas a IA abriu as portas para não-técnicos e acima de 50.

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Outra fonte que comprova o ditado em inglês old but gold (algo como velho, mas valioso) é o estudo do MIT, que aponta uma tendência importante no sucesso de startups: os empreendedores mais bem-sucedidos estavam na faixa de 40 anos. E mais: a taxa de sucesso aumentava na medida que aumentava a idade, uma vez que esses profissionais tiveram tempo para desenvolver capacidades e acumular experiências de liderança e de resolução de problemas.

Um argumento final chama a atenção para o cenário brasileiro: em 2060, um quarto de todos fará parte da faixa etária de 65 anos ou mais. 

Dúvidas mais comuns

Silver ceiling, ou teto prateado, é uma forma de etarismo que limita a promoção e o investimento em capacitação de profissionais mais experientes, geralmente a partir dos 50 anos, independentemente do gênero.

Enquanto o glass ceiling é uma barreira que impede a ascensão profissional das mulheres em geral, e o concrete ceiling é uma forma mais específica que afeta mulheres negras, o silver ceiling é uma barreira relacionada à idade que afeta profissionais mais experientes, sem distinção de gênero.

Um dos principais estereótipos é a crença de que profissionais acima de 45 anos são menos capacitados para transformar organizações e, por isso, são preteridos em promoções e investimentos em capacitação.

Investir na capacitação de profissionais com mais de 40 anos é fundamental porque eles representam uma grande parte da força de trabalho atual e futura, possuem experiência valiosa e podem contribuir significativamente para a inovação e sustentabilidade das empresas.

Com o aumento da expectativa de vida, as carreiras estão se tornando mais longas, e profissionais de 45 anos podem ter mais de 30 anos de vida produtiva pela frente, tornando essencial o investimento contínuo em atualização e aprendizado ao longo da vida.

Estudos mostram que profissionais 50+ têm se destacado no aprendizado de tecnologias como inteligência artificial, e pesquisas do MIT indicam que empreendedores na faixa dos 40 anos têm maior taxa de sucesso, evidenciando que a experiência é um diferencial valioso.

Segundo o Ipea, em 2040 cerca de 57% da população economicamente ativa terá mais de 45 anos, e em 2060, um quarto da população brasileira terá 65 anos ou mais, reforçando a importância de combater o silver ceiling.