A “maximização do conhecimento” é a mais nova tendência entre a Geração Z, embora não esteja restrita a esse corte demográfico de pessoas nascidas entre 1995 e 2010. A expressão é uma tradução literal do termo “knowledgemaxxing”, que também pode ser entendido como “uma nova forma de buscar profundidade em tempos rasos”.

O antropólogo Michel Alcoforado comentou o tema, em um post no Linkedin, analisando o surgimento do termo e destacando que o TikTok tem sido um dos canais usados para discussão do conceito. Ou melhor, para a aplicação da busca de conhecimento mais aprofundado em contraponto às informações disponibilizadas pelos algoritmos nas redes sociais.

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Knowledgemaxxing gera capital intelectual

De acordo com ele, a fadiga de apenas rolar as telas para consumir dados rasos e que não produzem um capital intelectual foi devidamente identificada pela Geração Z. Metade dela, inclusive, gostaria de ter passado menos tempo no celular, aponta Alcoforado, ao citar o levantamento do New Britain Project.

O capital intelectual está intimamente ligado ao knowledgemaxxing. Trata-se do conceito criado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, ao defender que “o conhecimento, os repertórios e as referências abrem portas que o dinheiro, sozinho, não abre”. A questão, porém, não é buscar conhecimento como ostentação mas, sim, a procura genuína por profundidade em um mundo onde a superficialidade tem sido a norma.

Pesquisa como lazer

Nessa retomada dos meios tradicionais de busca de conhecimento, a pesquisa como lazer é outro conceito importante. A escritora e designer Celine Nguyen, uma das precursoras a trazer o tema à baila, descreveu sua própria experiência em artigo.

De acordo com Celine, a “pesquisa como atividade de lazer” sugere uma forma de pesquisa que não se restringe explicitamente às instituições tradicionais e inclui o desejo de fazer e responder perguntas, o compromisso com as evidências, a compreensão do que já existe, um resultado, um certo grau de relevância contemporânea e uma comunidade.

As ferramentas para a pesquisa como lazer envolvem desde os meios tradicionais, como livros e artigos, até dispositivos novos de estudo, como o Google Scholar e o Substack.

No artigo citado, ela lembra que artistas são adeptos natos da pesquisa como lazer, assim como as pessoas que leem muito e com atenção, e que gostam e compartilhar os resultados de suas leituras. Também é o caso de pesquisadores que estão fora da academia. Alguns deles, inclusive, procuram financiamento independente por meio de plataformas de arrecadação coletiva como o Patreon.