• Ricardo Lima, CEO da CBMM, destaca o Nióbio como insumo estratégico para tecnologias sustentáveis, especialmente em baterias e setores industriais diversificados.
  • A CBMM utiliza tecnologia proprietária em 160 etapas produtivas e mantém uma rede logística global que entrega Nióbio em até 72 horas para 500 clientes em 50 países.
  • A empresa acelera inovação em Nióbio por meio de parcerias com universidades e indústrias, promovendo desenvolvimento rápido e sustentável com impacto social e ambiental.
Resumo supervisionado por jornalista.

Engenheiro metalúrgico de formação, Ricardo Fonseca de Mendonça Lima assumiu o cargo de CEO da CBMM, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, em 2022. Antes disso, ele viveu dois ciclos profissionais, com experiências nas indústrias siderúrgica e cimenteira, parte delas na Argentina e em Portugal.

A CBMM sempre esteve em seu radar, principalmente porque a liga de Ferronióbio, principal insumo da companhia, é matéria-prima importante para a siderurgia, segmento no qual atuou por cerca de 14 anos.

O contato com a empresa, no entanto, é mais antigo e data do seu terceiro ano como aluno da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), quando a empresa foi patrocinadora da bolsa de iniciação científica à qual Ricardo teve acesso.

A pegada tecnológica da CBMM, aliás, é um dos destaques da entrevista exclusiva do executivo ao Seja Relevante. Ele ressalta que a companhia não é exportadora de commodities, e sim de produtos industrializados de alto valor agregado. Os produtos de Nióbio comercializados pela CBMM são obtidos por meio do processamento do minério pirocloro e envolvem cerca de 160 etapas produtivas, todas com tecnologia proprietária. O complexo industrial da empresa, que em 2025 completa 70 anos de história, fica localizado na cidade de Araxá (MG). 

Um dos destaques da companhia é sua sofisticada estrutura logística, com mais de 26 armazéns posicionados estrategicamente ao redor mundo, o que garante entregas de produtos de Nióbio em até 72 horas para seus mais de 500 clientes, em 50 países. A rede ainda compreende escritórios regionais em locais como Amsterdã, nos Países Baixos, Houston, nos Estados Unidos, Singapura, no Extremo Oriente, além de escritórios representativos na China.

A CBMM tem como estratégia a diversificação de negócios, com o objetivo de explorar novas oportunidades em diferentes segmentos industriais, além daqueles em que já possui atuação consolidada, como a siderurgia. Para isso, a empresa mantém parcerias estratégicas com clientes, centros de pesquisa e universidades ao redor do mundo. 

Um dos exemplos mais fortes envolveu a parceria com a japonesa Toshiba, para o desenvolvimento de baterias de recarga ultrarrápida.

Em 2024, as duas companhias, em conjunto com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, iniciaram os primeiros testes em operação real de um protótipo de ônibus elétrico movido à bateria de íons de lítio com Nióbio, uso inédito na indústria automotiva mundial.

Lima destaca que o processo de desenvolvimento poderia levar 15 anos, mas foi abreviado pela estratégia da CBMM de envolver players que detinham grande conhecimento técnico, como startups e outras companhias. Para ele, sua meta como CEO é acelerar os tempos de desenvolvimento de novas tecnologias na cadeia do Nióbio, inclusive por meio de novas alianças. 

O executivo lembra, ainda, que a jornada da companhia envolve, obrigatoriamente, a atuação responsável social e ambientalmente, inclusive com projetos no entorno de sua comunidade em Minas Gerais. O aporte, nesse caso, combina investimento financeiro, mas também a transmissão de conhecimento e o incentivo ao voluntariado de seus mais de 2 mil colaboradores.

Adepto da corrida, Ricardo deve participar de uma prova de 90 km na África, seu maior desafio depois da experiência como maratonista, antecedida por metas menos arrojadas de performance.

O aprendizado da corrida é levado para seu estilo de gestão. Segundo ele, nos dois campos é necessário ter disciplina e dar atenção redobrada à fase de execução dos projetos.

Assista na íntegra a entrevista com o CEO ao FDC Legacy Talks – videocast que traz conversas inspiradoras com os grandes líderes do Brasil, revelando o lado humano desses executivos, como enfrentam desafios, superam adversidades e constroem legados duradouros para suas organizações e para a sociedade.

Recomendações

“Execução: a disciplina para atingir resultados”, de Ram Charan, em coautoria com Larry Bossidy. Lima teve, inclusive, a oportunidade de almoçar com o consultor indiano e discutir as ideias do livro.

Confira a entrevista completa no YouTube e no Spotify:

Dúvidas mais comuns

O Nióbio é um metal utilizado principalmente na forma de liga de Ferronióbio, essencial para a siderurgia e outras indústrias. Ele é fundamental para a produção de aços especiais e produtos industrializados de alto valor agregado, contribuindo para a inovação tecnológica em diversos setores.

A CBMM investe em tecnologias avançadas para processar o Nióbio e expandir suas aplicações, como em baterias de recarga ultrarrápida para veículos elétricos. A empresa também atua com responsabilidade social e ambiental, promovendo projetos comunitários e incentivando a economia circular por meio da reciclagem do Nióbio.

Além da siderurgia, o Nióbio é usado em ligas metálicas para a indústria automotiva, aeroespacial, eletrônica e em baterias de íons de lítio. A CBMM, por exemplo, desenvolve parcerias para criar baterias ultrarrápidas e protótipos de ônibus elétricos que utilizam Nióbio, ampliando seu uso em tecnologias sustentáveis.

O Brasil detém a maior reserva mundial de Nióbio e concentra a produção global, principalmente por meio da CBMM. Essa posição estratégica permite ao país influenciar o mercado mundial, embora a maior parte do Nióbio seja exportada como matéria-prima, com desafios para agregar mais valor industrial internamente.

O Nióbio não é um recurso renovável, pois é um metal extraído de minérios. No entanto, ele é altamente reciclável, podendo ser reutilizado diversas vezes sem perder suas propriedades, o que favorece a economia circular e reduz o impacto ambiental da extração.

O preço do Nióbio varia conforme a pureza e a forma do produto. O Ferronióbio, liga mais comum, custa entre US$ 40 e US$ 50 por quilo, enquanto o Nióbio puro pode custar dezenas ou centenas de dólares por quilo, chegando a cerca de R$ 10.000 por quilo em pequenas quantidades de alta pureza.

Apesar de ser o maior produtor mundial, o Brasil enfrenta limitações como a pequena demanda global concentrada em aços especiais, concorrência com outros metais mais baratos, dependência de tecnologia estrangeira para produtos de maior valor agregado e falta de políticas industriais robustas para ampliar a cadeia produtiva.