- A reforma tributária de 2026 impulsiona a contratação temporária de gestores especializados para adaptar empresas à nova legislação fiscal.
- Entre abril e junho de 2025, a demanda por gestores temporários na área tributária cresceu 24%, motivada por tarefas pontuais e urgência na adaptação.
- Empresas optam por gestores temporários para manter flexibilidade e controlar custos diante da imprevisibilidade político-econômica e da necessidade de alta especialização.
A reforma tributária, que começa em 2026 e terá um período de transição até final de 2032, está provocando uma procura por gestores que vão adequar as empresas à nova legislação. Segundo a consultoria Robert Half, no entanto, há um aspecto significativo nessa busca: quatro entre dez contratações de liderança são temporárias.
E mais: entre abril e junho de 2025, a demanda por gestores temporários na área tributária aumentou 24%, confirmando que parte das corporações decidiu por contratações com prazos determinados.
Reforma exigirá iniciativas pontuais
De acordo com reportagem do Valor Econômico, a estratégia pode ser explicada por três fatores: tipo de tarefas demandadas pela reforma, focadas nos tributos de consumo; cenário econômico atual e urgência no processo de adaptação.
O que mais pesa é o fato da reforma exigir iniciativas pontuais e adicionais, o que não será o dia a dia das empresas. Segundo a Robert Half, 32% dos executivos ouvidos na pesquisa sobre o tema apontam esse aspecto como determinante para a opção de gestores temporários.
A imprevisibilidade político-econômica também foi ressaltada por um terço dos entrevistados como justificativa para a contratação temporária.
Por fim, o fato de a reforma exigir a admissão urgente de mão de obra bastante especializada também explica a escolha de gestores temporários.
Na avaliação da Robert Half, muitas companhias também estão optando pela contratação temporária para não comprometer seus orçamentos, ao mobilizar uma mão de obra especializada de forma permanente. As admissões temporárias agregariam maior flexibilidade num cenário que exige agilidade para atender desafios pontuais.
Gestores temporários precisam ter grande experiência
De acordo com a pesquisa da consultoria, que ouviu 700 profissionais, entre recrutadores e executivos ligados à área de tributação, a busca de liderança para as adequações da reforma envolve profissionais com “alta senioridade” e conhecimento do tema.
Isso explica a procura por posições de executivo especializados em tributos, conhecidos internacionalmente pelas siglas PMO e TMO, que também seria um perfil ainda novo no mercado e com remuneração que pode chegar a R$ 30 mil mensais.
Trata-se de um especialista com grande experiência na área fiscal e acostumado a lidar com outras frentes, incluindo jurídico, compliance, tecnologia e processos.
Além do PMO e TMO, a pesquisa identificou a procura temporária pelos chamados especialistas em tributos e consultores tributários sêniores. Nesse caso, eles devem responder pelas atividades de transição ligadas à reforma, incluindo a simulação dos impactos tributários. A remuneração média é de R$ 17 mil para esses cargos. Os gerentes jurídicos com foco em tributação igualmente aparecem no radar, com salários médios de R$ 25 mil.