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– Análise da Fundação Dom Cabral revela que médias empresas mais produtivas são também as mais maduras, representando menos de 1% das empresas no Brasil, mas gerando 20% dos empregos CLT e 25% da massa salarial.

– O estudo destaca a importância da maturidade na gestão, com empresas maduras apresentando potencial de crescimento de até 12% ao ano, e enfatiza que a liderança consciente e adaptável é crucial para o desenvolvimento organizacional.

– A pesquisa também sugere que um ambiente de trabalho que prioriza o bem-estar dos colaboradores e promove aprendizado contínuo resulta em maior produtividade e melhores resultados financeiros.

Resumo supervisionado por jornalista.

Empresas mais produtivas também são as mais maduras e, consequentemente, as que mais crescem. Essa é uma das conclusões da análise de diversas pesquisas realizadas pela Fundação Dom Cabral (FDC), avaliando respostas de mais de 19 mil CNPJs. “O intuito deste trabalho foi entender os desafios e os diferenciais das médias empresas no Brasil”, explicou Aurea Puga, Coordenadora do Centro de Inteligência de Médias Empresas da FDC.

Áurea Puga (Foto: Marcelo Justo)

Segundo ela, a FDC tem várias iniciativas focadas nesse segmento corporativo, como o programa Parceiros para a Excelência (PAEX), do qual já participaram 3,5 mil empresas e mais de 100 mil executivos, e o Grupo de Estudos de Médias Empresas (Médias de Alta Performance), criado em 2025, além do próprio Centro de Inteligência. “Criado em 2022, o Centro de Inteligência de Médias Empresas tem a função de traduzir o conhecimento acadêmico robusto do grupo de estudos em informações digeríveis e aplicáveis à prática das empresas”, destacou, na abertura do painel Crescendo num futuro incerto: uma abordagem científico-aplicada para as médias empresas brasileiras, realizado durante o 10º Fórum Anual de Médias Empresas.

Importância das médias empresas

Diego Marconatto, professor e pesquisador do doutorado da FDC no tema empresas de alto crescimento, apresentou dados dos estudos, destacando a importância do maior nível de maturidade dos empreendimentos com maior crescimento. Embora representem menos de 1% das empresas no Brasil, as médias garantem 20% dos empregos CLT e 25% da massa salarial, sendo um dos pilares da economia, distribuição de renda e justiça social. “Além disso, elas são mais longevas do que a maioria das organizações brasileiras, sendo que 71% delas são familiares”, afirmou.

Os levantamentos mostram que a maioria (80%) é B2B (business-to-business). A minoria é exclusivamente B2C, o que contribui para sua menor visibilidade na mídia. Elas estão concentradas no Sudeste e no Sul do Brasil e apresentam baixo nível de internacionalização, que é identificada como uma alavanca gigantesca de crescimento.

Outro ponto de destaque é que essas empresas apresentam receita média de R$ 80 milhões, 24% de EBITDA e 9% de lucro líquido, indicando um setor pujante e com grande potencial de melhoria.

maturidade empresas. Diego Marconatto
Diego Marconatto (Foto: Marcelo Justo)

“Estudos robustos – incluindo um com 40% de empresas da União Europeia – mostram que organizações que focam em rentabilidade e produtividade (eficiência) têm maior probabilidade de alcançar alto crescimento e lucratividade em longo prazo”, disse Marconatto. O diferencial, segundo ele, é que essas organizações com maior potencial fazem o simples bem-feito. “O crescimento resulta de um bom trabalho de base. Gestão madura e produtividade aumentam esse potencial”, frisou.

Na avaliação de Marconatto, empresas com maturidade de gestão baixa quase não crescem, enquanto as com nível avançado podem crescer 12% ao ano. “A maturidade é um percurso contínuo, que pode ser acelerado com o apoio e parcerias corretas”, pontuou.

A liderança madura é mais humana, consciente e adaptável

Na visão de Lívia Mandelli, professora da FDC e especialista em Remodelagem Comportamental, o crescimento das empresas passa por mudanças de comportamento por parte das lideranças. Os líderes devem, segundo ela, saber buscar a melhor versão consciente das pessoas. “A segurança psicológica é fundamental, o que exige um ambiente adulto e transparente, no qual as pessoas não tenham medo de se expor ou de falar. Comportamentos imaturos, como evitar convidar alguém para uma reunião após um desentendimento, são inaceitáveis. A ‘cultura do silêncio’ é um sinal de incivilidade psicológica”, destacou, em painel que discutiu a Liderança transformadora na era da querência.

Lívia Mandelli (Foto: Cyndi Diniz)

Ela também ressaltou que as pessoas, em geral, buscam aprendizado contínuo. Nesse sentido, é importante oferecer desafios que promovam o aprendizado individual e coletivo, mas sem pressões que possam levar ao burnout ou à ansiedade. “Liderar é um conjunto de técnicas, ferramentas e processos, diferente de apenas ‘lidar com pessoas’ ou relacionar-se bem. A liderança é dura, pois implica desenvolver e inspirar pessoas, tirando-as da zona de conforto, o que pode gerar desestabilização, o que é necessário para o crescimento”, disse.

Olhar para as pessoas também gera lucro

No fim das contas, o papel de uma empresa é gerar lucro, e isso não é um problema, explicou Lívia. Para ela, é preciso desconstruir a ideia de que o lucro deixa o elemento humano de lado. Ao contrário: pessoas engajadas são mais produtivas, o que melhora os resultados financeiros. Além disso, colaboradores satisfeitos adoecem menos, o que evita afastamentos por questões de saúde mental.

“Um líder inspiracional atrai talentos, reduz turnover, atrai ambiente positivo, gera lealdade e comprometimento, fortalece cultura operacional”, resumiu Rodrigo Lemos, CEO do Grupo Gerbera, que se destaca pela história de crescimento, mesmo diante de desafios, como a dificuldade logística para entregas em várias cidades do Amazonas.

Rodrigo Lemos (Foto: Cyndi Diniz)

Segundo ele, várias iniciativas contribuíram para esse histórico, passando pelo engajamento dos colaboradores, que são frequentemente treinados, desafiados e, principalmente, ouvidos pelas lideranças. “Pessoas se conectam com pessoas e com marca empregadora feita por pessoas”, resumiu.

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Liderança é uma profissão e o líder deve se preparar

Por outro lado, os especialistas ponderaram que é preciso desconstruir a ideia do ‘bom clima’. Isso porque um ambiente organizacional ‘bom’, com excesso de sociabilidade, pode ser contraproducente, pois as pessoas tendem a se proteger e evitar conversas difíceis. “Isso não é sinônimo de alta performance. Recomenda-se trocar pesquisas de clima por pesquisas de engajamento”, ponderou Lívia.
Para ela, a liderança é uma profissão e é necessário se preparar para ela, e isso significa trocar comportamentos automáticos por aquilo que os colaboradores realmente precisam dos líderes.

“Embora a meritocracia sustente 70% da performance humana, a liderança na era atual foca em gerar ‘querência’ (vontade, desejo) nas pessoas, e não apenas em recompensar o mérito. Hoje, já se fala em salário emocional, ou seja, que se refere ao bem-estar emocional da pessoa na empresa, à sua inspiração no líder e à crença de que vale a pena trabalhar ali. Não se trata de benefícios materiais, mas da qualidade das relações”, concluiu