Nos últimos 25 anos, o Brasil viu o surgimento de mais de 500 redes e centrais de negócios, em dezenas de setores da economia. Supermercados, materiais de construção, farmácias, autopeças, agronegócios e educação são apenas alguns exemplos de áreas onde empresários decidiram se unir para ganhar força. Essa estratégia coletiva tem ajudado muitas pequenas e médias empresas a enfrentarem desafios como alta concorrência, pressão por preços baixos e dificuldade de acesso a serviços e tecnologia.

Apesar de vários casos de sucesso, também é verdade que muitas redes ainda operam com estruturas frágeis, poucos associados e baixa capacidade de gerar valor real para seus membros. Diante das transformações do mercado e do avanço da tecnologia, fica uma pergunta essencial: como garantir que essas redes continuem relevantes e consigam crescer nos próximos anos? 

Foi a partir dessa provocação que a Fundação Dom Cabral (FDC), em parceria com a empresa Área Central, realizou uma pesquisa inédita com especialistas e gestores de redes em todo o país. O objetivo foi entender os principais desafios, oportunidades e caminhos para fortalecer esse modelo de negócio no futuro.

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O que vem pela frente: cenário de otimismo com alertas importantes

A maioria dos especialistas consultados (73%) está otimista quanto ao futuro das redes. Para eles, o cenário competitivo atual favorece estratégias coletivas. Há uma nova geração de empresários mais aberta à colaboração, a busca por escala é crescente e a necessidade de profissionalizar a gestão nunca foi tão evidente.

Por outro lado, esse otimismo vem acompanhado de uma série de alertas. Ainda há muitos entraves internos, como a falta de governança estruturada, baixa participação dos membros nas decisões estratégicas e dificuldades para engajá-los nas ações coletivas. Além disso, fatores externos – como burocracia, falta de políticas públicas e mudanças no comportamento do consumidor – exigem respostas rápidas e coordenadas.

A tecnologia não é mais diferencial, é condição de sobrevivência

Análise de dados em redes de negócios: tecnologia é essencial para sobrevivência e crescimento empresarial, com gráficos e dados holográficos sobre o laptop.
Foto: Rawat Yapathanasap/ Shutterstock

Um dos pontos destacados pela pesquisa é a importância da tecnologia para o futuro das redes. Se antes ferramentas digitais eram um diferencial, hoje elas são indispensáveis. Sistemas integrados de gestão, análise de dados, automação de processos e canais eficientes de comunicação interna são considerados pilares para a competitividade.

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Mesmo assim, muitas redes ainda têm dificuldades para dar esse salto. O custo das soluções, a falta de maturidade digital dos empresários e a ausência de profissionais qualificados são barreiras reais. Mas o recado é claro: quem não se digitalizar, vai perder espaço.

O baixo engajamento dos membros também foi mencionado como um desafio. A lógica é simples – uma rede só funciona bem se seus integrantes estiverem realmente comprometidos com o projeto coletivo. No entanto, na prática, muitas decisões não saem do papel porque falta adesão e participação ativa dos empresários. 

Outros desafios citados incluem a dificuldade de expandir a rede, a sucessão mal planejada das lideranças e a baixa capacidade de negociação diante dos grandes players do mercado. Também há um reconhecimento de que falta integração entre redes do mesmo setor – o que poderia gerar sinergia, escala e troca de experiências.

Ações para tornar as redes (ainda) mais relevantes

	
Homens de escritório colaborando em um projeto de trabalho, discutindo ideias e usando dispositivos eletrônicos em um ambiente corporativo moderno e colaborativo.
Foto: PeopleImages/ Shutterstock

Com base nas respostas dos especialistas e gestores, seis ações aparecem como fundamentais para o futuro das redes no Brasil:

  1. Profissionalizar a gestão: é urgente trazer profissionais de mercado para dentro das redes e capacitar os próprios empresários para atuarem com visão estratégica.
  2. Engajar os associados de maneira efetiva: redes não se sustentam sem uma cultura de colaboração ativa. Criar um senso de pertencimento é essencial.
  3. Inovar no modelo de negócio: o formato tradicional das redes precisa ser atualizado. Isso inclui rever aspectos jurídicos, buscar mais eficiência e até adotar elementos de outros modelos, como franquias.
  4. Incorporar tecnologia em todas as frentes: da comunicação interna à tomada de decisão estratégica, o uso inteligente da tecnologia é o que garante agilidade, integração e competitividade.
  5. Ampliar a escala com intercooperação: redes que se articulam entre si podem compartilhar soluções, reduzir custos e aumentar seu poder de negociação no mercado. Intercooperação é o próximo passo natural para quem quer crescer com inteligência.

O futuro das redes de negócios no Brasil depende de profissionalização, visão estratégica e inovação. A boa notícia é que os caminhos estão claros e os exemplos de redes bem-sucedidas mostram que vale a pena investir nesse modelo. Para crescer em um mercado cada vez mais exigente, a chave está em crescer junto.

Dúvidas mais comuns

Uma rede de negócios é um grupo de empresas, geralmente do mesmo segmento, que se associam para alcançar objetivos comuns, como centralização de compras e fortalecimento no mercado. Essa colaboração permite que pequenas e médias empresas enfrentem desafios competitivos com mais força.

As redes de negócios enfrentam desafios como falta de governança estruturada, baixa participação dos membros nas decisões, dificuldades para engajamento, custo das soluções tecnológicas, falta de maturidade digital dos empresários, sucessão mal planejada das lideranças e baixa capacidade de negociação diante de grandes players.

A tecnologia deixou de ser um diferencial para se tornar uma condição de sobrevivência para as redes de negócios. Sistemas integrados de gestão, análise de dados, automação de processos e canais eficientes de comunicação interna são essenciais para garantir agilidade, integração e competitividade no mercado atual.

Seis ações fundamentais incluem: profissionalizar a gestão com profissionais qualificados, engajar efetivamente os associados, inovar no modelo de negócio, incorporar tecnologia em todas as frentes, ampliar a escala por meio da intercooperação entre redes e criar uma cultura de colaboração ativa para fortalecer o senso de pertencimento.

A profissionalização da gestão traz visão estratégica e capacitação para os empresários, permitindo que as redes atuem de forma mais eficiente e competitiva. Isso inclui a contratação de profissionais de mercado e o desenvolvimento das habilidades dos próprios associados para decisões mais estratégicas.

Intercooperação é a articulação entre diferentes redes de negócios para compartilhar soluções, reduzir custos e aumentar o poder de negociação no mercado. Essa colaboração entre redes é vista como o próximo passo natural para crescer com inteligência e ampliar a escala de atuação.

O engajamento dos membros é crucial para o funcionamento eficaz das redes, pois uma rede só prospera se seus integrantes estiverem comprometidos com o projeto coletivo. A falta de participação ativa pode impedir que decisões importantes sejam implementadas, comprometendo o sucesso da rede.