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A teoria dos jogos pode ser uma ferramenta útil para o desenvolvimento de carreiras, mas deve ser usada com moderação, segundo o psicólogo Mark Travers, que enfatiza a importância da empatia e clareza nas interações profissionais.
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Travers ilustra como essa metodologia pode melhorar o desempenho individual e coletivo, destacando a vantagem competitiva de profissionais que identificam suas paixões e rompem pactos de esforço mínimo para elevar o desempenho geral da equipe.
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A adoção de uma mentalidade de “jogo” no ambiente de trabalho, que valoriza o desafio e o feedback, ajuda a manter a produção de alta qualidade e a evitar a mediocridade, ao reconhecer a competência dos colegas e estimular um esforço coletivo.
A teoria dos jogos pode ser uma ferramenta interessante para o desenvolvimento de carreiras, segundo o psicólogo norte-americano Mark Travers. Ele, no entanto, recomenda moderação no uso do recurso e afirma que nem sempre é possível adotá-lo e, muito menos, considerá-lo como regra absoluta.
Metodologia da matemática aplicada que estuda situações de conflito entre dois ou mais jogadores, a teoria dos jogos também pode ser utilizada na interação entre pessoas e organizações. No ambiente profissional, Travers sugere que ela deva ser considerada para entender como funciona o jogo corporativo e levar os participantes a um cenário ganha-ganha.
“Focar demais em identificar, rotular e tentar ‘vencer’ toda interação pode sair pela culatra”, alerta o especialista, em artigo publicado pela Forbes. Formado por duas instituições renomadas – as universidades de Cornell e de Colorado – ele recomenda empatia, clareza e técnica para quem quer se aventurar na teoria dos jogos.
Telescópio e bússola

No seu artigo, Travers fala alegoricamente em usar telescópio, para ver melhor, e bússola, para orientação precisa. Na prática, o psicólogo detalha o uso produtivo da metodologia para melhorar individualmente o desempenho dos colaboradores e, coletivamente, otimizar o trabalho das equipes.
Um exemplo é o profissional que consegue identificar aspectos do trabalho que ele realmente gosta, mas que outros acham tediosos ou desgastantes.
Na terminologia da teoria dos jogos, esse profissional está explorando uma “estrutura assimétrica de recompensa”, ou seja, a recompensa interna dele para a mesma ação é maior do que a dos seus pares. O resultado é uma vantagem competitiva, pois a iniciativa o tornará mais forte e difícil de ser superado.
Outro caso comum é quando todos os profissionais adotam um pacto não oficial de esforço mínimo, com resultados medíocres para o grupo. Se alguém perceber que pode ganhar mais se esforçando além do mínimo, essa pessoa tem um incentivo para romper o acordo implícito. Ao pressionar os outros a aumentar o esforço, a iniciativa eleva o nível de desempenho geral. Quem não se esforçar, perde espaço.
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Do ponto de vista da teoria dos jogos, o profissional que tomou essa iniciativa estará evitando o chamado Equilíbrio da Mediocridade de Nash. Em outras palavras: quem encontra motivação interna para ir além, evita cair na armadilha da mediocridade.
Teoria dos jogos no trabalho em equipe

Uma forma adicional de usar a metodologia acontece quando o profissional trabalha como se estivesse jogando. Com isso, o esforço constante torna-se mais fácil. Travers destaca que essa mentalidade, que prioriza o desafio intelectual e o feedback recompensador, leva a uma produção consistente e de alta qualidade.
“Entregar além do esperado, de forma consistente e visível, aumenta suas chances e o torna valioso e difícil de ser ignorado”, argumenta o psicólogo no artigo citado.
No trabalho de equipes, a teoria dos jogos pode ser especialmente interessante no caso do profissional que assume que seus colegas são competentes. Assumir a competência alheia faz com que ele jogue melhor, elevando a expectativa geral. Outro ganho da postura é não subestimar as consequências das ações.
Romper o Equilíbrio de Nash, já citado acima, também envolve a aplicação da teoria dos jogos dentro da prática corporativa, igualmente com ganhos para o coletivo.