O Brasil já foi um país de jovens; depois de trabalhadores e, agora, de idosos, o que faz da questão da longevidade um grande desafio. Na visão de Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade MAG, o tema não chega a ser um problema, embora seja importante provocar a sociedade a pensar de forma clara e definitiva sobre os impactos sociais, econômicos e comportamentais do envelhecimento da população. 

Em sua visão, o Estado brasileiro já não tem condições de honrar sequer os compromissos assumidos com os aposentados e pensionistas. “Portanto, falar de longevidade é uma questão transversal a todas as sociedades, aos indivíduos, à sua família, aos seus amigos, às suas empresas e, por fim, ao Estado.”

O assunto foi discutido durante o painel  “Paradoxo da Longevidade”, realizado durante o FDC Alumni Experience –  Legados que criam futuros, que reuniu grandes nomes do mercado, no último dia 11 de junho, na unidade da Fundação Dom Cabral (FDC) em São Paulo. 

Em sua apresentação, Silene Magalhães, diretora Estatutária da FDC, destacou que a perenidade institucional depende da leitura de cenários, ilustrando o caso da própria FDC. “A Fundação Dom Cabral tem 50 anos e se mantém poderosa, pois enxerga muito mais oportunidades do que ameaças. Sou cautelosa com os riscos, mas estou sempre buscando essas oportunidades com mais intensidade, já que estou falando do futuro.”

Primeira mulher a liderar uma concessionária New Holland, Waleska Cardoso, diretora-presidente da Carpal New Holland, enfatizou que a longevidade exige atualização. “Temos que sempre acompanhar e melhorar. É um processo constante de aprimoramento. Precisamos estar sempre atentos às tendências, às necessidades do mercado, e buscar alternativas para que possamos sempre atender nossos clientes de uma forma surpreendente.”

Para Ricardo Lima, CEO da CBMM, como empresa é preciso pensar no futuro, buscar oportunidades, entender que o mundo mudou. Para tanto, basta olhar para todas as crises pelas quais as empresas passaram nos últimos tempos. “Temos que usar conhecimento para encontrar alternativas e crescer, de forma a preservar nossa empresa ou uma posição de liderança global em um ambiente complexo.”

Falando da própria experiência, ele acredita que é necessário contar com pessoas capazes de ir muito além da simples produção e venda. “Hoje, precisamos de um amplo banco de apoio com pessoas capacitadas e atentas a todas essas ameaças e riscos, além de um planejamento estratégico, um mapa de riscos, com monitoramento, indicadores e discussões, para que possamos realmente ter sucesso.”

Os presentes deixaram claro que é importante ter um projeto, mas também coragem diante dos desafios; cuidar da saúde, do bem-estar e ter uma vida sustentável. Fechando a discussão, Gustavo Taniguchi, conselheiro da FDC e mediador do evento, destacou que a disrupção não acontece quando a tecnologia muda, mas sim quando o comportamento muda. “Se não mudarmos o comportamento, não conseguiremos nem mesmo acompanhar a tecnologia.”

Aprender com o passado para criar o legado do futuro

Palestrante em evento corporativo segura um microfone e faz gesto com a mão, ao lado de telão com a mensagem “Jornada” e gráficos sobre longevidade.
Alberto Kuba, CEO da WEG (Foto: Divulgação / FDC Alumni Experience)

A experiência e aprendizados passados são essenciais para a perpetuação de projetos que se tornaram empresas de sucesso.

“Aquilo que construímos hoje continuará gerando impacto amanhã. Os legados não pertencem ao passado; eles são a matéria do primeiro futuro.

Mais do que um evento de conteúdo, esse encontro foi concebido para fortalecer conexões”, ressaltou Viviane Barreto, vice-presidente de Engajamento Global e Desenvolvimento Institucional da FDC.

Alberto Kuba, CEO da WEG, compartilhou os aprendizados de sua trajetória de 25 anos na companhia. Tendo ingressado como estagiário, ele acompanhou de perto o processo de internacionalização que levou a empresa do Sul do Brasil para o mundo. Hoje, a WEG opera mais de 50 fábricas em 18 países. Segundo ele, as bases desse sucesso são a valorização do ser humano, a disciplina e a simplicidade.

Kuba enfatizou que os valores fortes da WEG formam uma cultura que vem se perpetuando ao longo dos anos. “É muito bom ver isso em todas as operações que temos no mundo. Para tanto, é essencial ter uma equipe de liderança que traga estabilidade. Como a empresa é movida pela tecnologia, o nosso papel é dominá-la continuamente.”

Lima, da CBMM, abordou o desafio de liderar uma empresa que trabalha com o nióbio, um mineral que inicialmente apresentava baixa demanda. Diante da especificidade do mercado, a estratégia escolhida para crescer foi a diversificação e a educação do cliente. “É preciso ter uma boa assistência técnica, conhecer o processo do cliente, trabalhar, ensinar, utilizar o novo, a tecnologia, e mostrar quais as vantagens do uso daquele produto. Logo, temos que difundir esse conhecimento, para que o país possa, de fato, trilhar um caminho de crescimento positivo daqui para frente.”