A ideia de criar uma conexão entre jovens de baixa renda (mentorados) com executivos da área de tecnologia (mentores) resultou na experiência bem-sucedida da Atitude Infinita, uma Organização da Sociedade Civil (OSC), baseada em Volta Redonda (RJ). A iniciativa começou em 2017, capitaneada por Glauter Jannuzzi, executivo da Microsoft, na época da idealização do projeto.
Três anos depois, e oficializada com CNPJ, a OSC já tinha estabelecido um programa de mentoria inicialmente com 20 jovens – metade homens e metade mulheres. Além disso, a Atitude Infinita estabeleceu um plano estratégico para ampliar o número de participantes do programa a cada ano.
Hoje, o site da OSC lista 38 mentorados, com diversos perfis, e 43 mentores.
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A mentoria básica envolve a dedicação de, pelo menos, uma hora por mês do mentor, dividida em duas reuniões de 30 minutos cada. Para facilitar o contato, as conversas são virtuais, usando os recursos da Microsoft, uma das primeiras parceiras da Atitude Infinita. A multinacional americana não só contribuiu com o fornecimento de notebooks, como também tem atuado como uma das doadoras do projeto.
Ninguém é uma “ilha isolada”

Além das reuniões virtuais, a OSC promove um evento anual (e presencial) em outubro. Independente do modelo, a base da iniciativa continua sendo a conexão de pessoas.
“Ninguém aqui é ilha isolada. A ideia é que a gente consiga ver o planeta como uma comunidade e construa mais e mais comunidades, conectando-as, criando um grande ecossistema de pessoas do bem, de pessoas organizadas, vinculadas às causas sociais”, resumiu Jannuzzi, no Encontro do 3º Setor 2024, promovido pela Fundação Dom Cabral, em agosto.
Ele foi um dos palestrantes do encontro, no qual falou sobre governança e geração de valor. Também defendeu as ideias de seu livro, intitulado O Poder do Peoplechain: Como Comunidades Podem Tornar Empresas e Profissionais Mais Valiosos.

Jannuzzi considera as OSCs como um ecossistema e trouxe um aprendizado importante do mundo de tecnologia, no qual atuou por mais de 16 anos, somente na Microsoft: a capacidade de construção de comunidades.
No livro citado, o empreendedor social defendeu a metodologia ‘Place’, sigla para cinco conceitos que ele considera vitais na construção de uma OSC: propósito, liderança, atitude, comprometimento e empatia.
Metodologia ‘Place’
Com propósito e líderes sociais, que vão sendo substituídos ao longo de vida das OSCs, esse tipo de organização pode avançar. Em relação à atitude, Jannuzzi lembra que é preciso ter iniciativa de fato e não apenas ficar no discurso. Sobre comprometimento, ele faz uma analogia: o conceito remeteria a uma espécie de casamento, de pessoas que realmente se comprometam com a causa da OSC.
A letra final, E, de empatia, traduz a necessidade de trazer pessoas diferentes, mas com laços fortes com a organização, a partir da capacidade de se colocar no lugar do outro e se comprometer com os mesmos objetivos.
Um dos exemplos citados é o projeto Garrafa no Mar, encampado pela Atitude Infinita, a partir da iniciativa de Alexandre Caruso. Com ele, é possível conectar pessoas em situação vulnerável e com contas a pagar a outros indivíduos, sensibilizados com essa causa e que têm condições de contribuir para o pagamento dos boletos atrasados.
A empatia, igualmente, faz parte do conselho da OSC, que tem sido pautado nos últimos anos pela diversidade. Além de Jannuzzi, que é fundador e vice-presidente, o conselho conta com cinco mulheres, inclusive a atual presidente Carla Balbachan.
Os conceitos da metodologia Place também estão presentes entre os jovens mentorados. Jannuzzi destacou que vários deles passaram a ser mentores do projeto, reforçando a noção de ecossistema. “As pessoas são os nossos ativos mais valiosos, porque são elas que têm as respostas. São as pessoas que têm os negócios, o dinheiro, as influências dos acessos”, finalizou.
Dúvidas mais comuns
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Para formar uma comunidade, é essencial oferecer espaços onde as pessoas possam interagir e conversar entre si. Isso pode incluir grupos online em redes sociais ou plataformas específicas, além de eventos presenciais como encontros, workshops ou webinars para engajar o público.
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Criar uma comunidade significa reunir um grupo de pessoas que compartilham interesses, objetivos ou acontecimentos em comum, gerando identificação entre os participantes e fortalecendo vínculos sociais e afetivos.
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Existem diversos tipos de comunidades, que podem ser classificadas por localização (urbana, rural), relação social (familiar, escolar, religiosa, vizinhança, profissional) ou por interesses e identidade (gamers, esportivas, virtuais, ecológicas). Essas comunidades unem pessoas por laços afetivos, objetivos, hábitos ou afinidades compartilhadas, formando redes de conexão e apoio.
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A metodologia 'Place' destaca cinco conceitos vitais para o sucesso de uma OSC: propósito, liderança, atitude, comprometimento e empatia. Esses elementos ajudam a construir uma organização sólida, com líderes que se renovam, iniciativas efetivas, compromisso profundo com a causa e a capacidade de se colocar no lugar do outro.
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A Atitude Infinita promove um programa de mentoria que conecta jovens de baixa renda com executivos da área de tecnologia. A mentoria envolve pelo menos uma hora mensal dividida em duas reuniões virtuais, facilitadas por recursos da Microsoft, além de eventos presenciais anuais para fortalecer a conexão entre participantes.
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As pessoas são os ativos mais valiosos porque possuem as respostas, os negócios, o dinheiro, as influências e os acessos necessários para gerar valor. A construção de comunidades fortes e conectadas potencializa esses recursos, criando ecossistemas de colaboração e impacto social.
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A empatia é fundamental para trazer diversidade e fortalecer os laços dentro da organização. No conselho da Atitude Infinita, a empatia permite que pessoas diferentes se comprometam com os mesmos objetivos, promovendo um ambiente inclusivo e colaborativo que reforça a missão da OSC.