• O Paraguai se consolidou como um hub internacional de investimentos graças a um regime tributário competitivo, custos baixos de energia e acesso estratégico ao Mercosul.
  • O país atrai investimentos em setores como agronegócio, tecnologia e manufatura, impulsionados por infraestrutura logística, energia renovável e incentivos legais como a Lei de Investimento de Capital.
  • Apesar do crescimento econômico e da elevação da classificação de crédito, o Paraguai enfrenta desafios como desigualdade social, infraestrutura energética deficiente e queda recente no investimento estrangeiro direto.
Resumo supervisionado por jornalista.

A transformação do Paraguai em um hub internacional de investimentos vem ganhando destaque mundial. Na última década, o país manteve um crescimento médio anual de 3,2% em seu PIB. Dados da BBC apontam que o número de projetos de investimento aprovados superou os 140 somente em 2025, totalizando quase US$ 700 milhões. Entre os interessados, estão países como Alemanha, Estados Unidos e Taiwan, e a lista vem se ampliando, com destaque recente para Dubai.

A International Tax Review traz outras informações, indicando os setores-chave de atração, entre eles agronegócio, silvicultura, produção de celulose e imobiliário, especialmente em Assunção. Todos eles com altos níveis de crescimento.

Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório atual favorece a atração internacional, inclusive pelo estabelecimento da Lei de Investimento de Capital, que incentiva o aporte de recursos nacional e estrangeiro, permitindo a repatriação integral do capital e dos lucros. Já o Sistema Unificado para Abertura e Encerramento de Empresas (Suace) simplifica o registro corporativo.

A realização de negócios também é incentivada pela possibilidade de se obter uma residência permanente no país, por meio do investimento mínimo de US$ 70 mil.

Vantagens competitivas

Representação de capital estrangeiro por meio de vantagens competitivas, com globo terrestre e moedas ao redor, simbolizando investimentos internacionais.
Foto: Allstars / Shutterstock / Modificada com IA

Para os especialistas, o Paraguai está atraindo capital estrangeiro por meio de vantagens competitivas, como baixos custos operacionais, energia 100% renovável e um sistema tributário “territorial”, no qual a renda proveniente do exterior não é tributada. Além disso, o país vem se posicionando rapidamente como um centro estratégico de negócios e de logística internacional, impulsionado por investimentos em infraestrutura.

“A consolidação do Paraguai como hub de importação na América do Sul se explica por: um regime tributário competitivo,  conhecido como “Triple 10”, com alíquotas reduzidas e simplificadas, custos acessíveis de energia e de terras, além do acesso estratégico ao Mercosul. Esse conjunto cria um ambiente favorável para operações industriais e logísticas voltadas tanto ao mercado regional quanto à exportação”, afirma Paulo Vicente, professor da Fundação Dom Cabral (FDC).

Em sua avaliação, a expectativa é de que essa posição competitiva se mantenha por pelo menos uma década, possivelmente mais. “O país já conquistou dois dos três graus de investimento (S&P e Moodys) e deve alcançar o terceiro (Fitch) nos próximos anos, o que tende a ampliar ainda mais a confiança de investidores internacionais”, diz Vicente, mencionando que o principal gargalo, hoje, é a disponibilidade de mão de obra qualificada, desafio que pode ser parcialmente mitigado pelo fluxo migratório regional, especialmente de brasileiros.

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Além disso, na avaliação da BBC, cinco impulsionadores puxam esse movimento de atratividade para o Paraguai.

  1. Logística e infraestrutura: grandes projetos, incluindo melhorias no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi e na infraestrutura rodoviária regional, visam conectar a região do Mercosul com o Oriente Médio, a Ásia e a Europa.
  2. Regime maquila e manufatura: o sistema maquila, que permite a importação temporária de matérias-primas para a produção de bens destinados à exportação, com um imposto máximo de 1% sobre o valor agregado, está atraindo investimentos substanciais, principalmente do Brasil e da Argentina.
  3. Polo de tecnologia e IA: o Paraguai está investindo para se tornar um polo tecnológico regional, com iniciativas para capacitar uma força de trabalho jovem, com média de idade de 27 anos, em engenharia de software, e um novo parque digital que abrigará a Universidade de Tecnologia Paraguai-Taiwan.
  4. Vantagem energética: a energia renovável abundante e acessível, com geração hidrelétrica, torna a região um local atraente para centros de dados e infraestrutura de IA.
  5. Estabilidade financeira: a Moody’s elevou a classificação de crédito do Paraguai para grau de investimento (Baa3) em julho de 2024, refletindo o aumento da confiança dos investidores, com a expectativa de novos projetos apoiados por investimentos em 2026.

Pontos de atenção

Representação de uma economia de madeira, simbolizando a disparidade econômica.
Foto: sommart sombutwanitkul / Shutterstock

Como hub em crescimento e com o aumento dessa visibilidade mundial, é importante que o Paraguai enfrente alguns desafios, com especial atenção para a desigualdade e a economia “dupla”, com contraste entre o luxo dos novos empreendimentos e a precariedade vivida por grande parte da população.

A Americas Quarterly chama atenção também para o alto custo de vida, inclusive para produtos básicos. Corrupção e crime organizado também estão no radar de melhorias.

Apesar da abundância de geração de energia hidrelétrica, a rede elétrica do país é antiga e sofre cortes de energia regulares. Especialistas alertam que, sem investimentos maciços, o excedente de energia do país pode acabar até 2030.

O cenário positivo para investimentos nos próximos anos é otimista, mas o investimento estrangeiro direto no Paraguai caiu um terço em 2024, ficando atrás de vizinhos como Peru e Argentina. Outro desafio a ser superado é a taxa fixa de imposto de 10%, o que, segundo especialistas e a própria população mais pobre, impede o investimento em capital humano e infraestrutura, pesando desproporcionalmente sobre os mais vulneráveis.

Dúvidas mais comuns

O Paraguai se destaca como um hub internacional devido ao seu regime tributário competitivo, baixos custos operacionais, energia 100% renovável, e acesso estratégico ao Mercosul. Além disso, o país possui um ambiente regulatório favorável, com leis que incentivam o investimento estrangeiro e facilitam a abertura de empresas.

Os setores-chave que atraem investimentos no Paraguai incluem agronegócio, silvicultura, produção de celulose, imobiliário, tecnologia e manufatura. O país também está investindo para se tornar um polo tecnológico regional, com foco em engenharia de software e inteligência artificial.

O Paraguai adota um sistema tributário territorial, onde a renda proveniente do exterior não é tributada. O país possui o regime conhecido como “Triple 10”, que oferece alíquotas reduzidas e simplificadas, com um imposto máximo de 10%, favorecendo operações industriais e logísticas para o mercado regional e exportação.

As vantagens competitivas incluem custos acessíveis de energia, especialmente energia hidrelétrica renovável, baixos custos de terras, um sistema tributário simplificado, e um ambiente regulatório que permite a repatriação integral do capital e dos lucros. O país também oferece residência permanente para investidores com aporte mínimo de US$ 70 mil.

Entre os desafios estão a desigualdade social, alto custo de vida para a população mais pobre, corrupção, crime organizado, e uma rede elétrica antiga que sofre cortes regulares. Além disso, a disponibilidade de mão de obra qualificada é limitada, embora o fluxo migratório regional ajude a mitigar esse problema.

O Paraguai está investindo em grandes projetos de infraestrutura, como melhorias no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi e na malha rodoviária regional, para conectar o Mercosul com mercados do Oriente Médio, Ásia e Europa. Também está desenvolvendo um parque digital para impulsionar o setor tecnológico e a capacitação de jovens em engenharia de software.

O salário mínimo no Paraguai em março de 2026 era cerca de 2.899.048 guaranis, equivalente a aproximadamente R$ 2.200 a R$ 2.300. Os direitos trabalhistas incluem jornada de 48 horas semanais, contribuição ao Instituto de Previdência Social (IPS), décimo terceiro salário e férias progressivas. No entanto, benefícios como FGTS e seguro-desemprego não são padrão no país.