- A crescente ecoansiedade causada pela crise climática exige que empresas integrem estratégias autênticas de ESG e bem-estar coletivo para responder a esse desafio emocional.
- Segundo Jéssica Silva, co-CEO do Sistema B Brasil, a resposta eficaz envolve compromissos concretos e a participação ativa de todos os atores, incluindo colaboradores e comunidades afetadas.
- O Sistema B promove a transformação dos negócios em forças regenerativas por meio de certificação, governança inclusiva e avaliação de impacto socioambiental, com mais de 10 mil empresas engajadas globalmente.
O prazo de 2050 como referência limite para o colapso ambiental, leva consigo perspectiva que atinge gerações contemporâneas. Alguns cidadãos, pelos quais já temos preocupação e afeto diretos, terão 25 anos nessa data e muitos de nós, nossas famílias e amigos poderemos “sentir na pele” os efeitos dos relatórios científicos, assim como o cumprimento (ou não) dos discursos de responsabilidade corporativa. Nesse sentido, Jéssica Silva, co-CEO do Sistema B Brasil, destaca o impacto emocional desse cenário e os riscos de uma epidemia psicológica silenciosa. Em matéria da Capital Reset, ela defende como resposta que as empresas reformulem os seus objetivos e as suas organizações.
Ao mesmo tempo em que prevê, para os próximos dez anos, um agravamento do que ela classifica como “ecoansiedade”, Jéssica critica a “positividade tecnocrática tóxica que transforma sustentabilidade em slogan”. Contra isso, ela defende que as estratégias de lucratividade e crescimento sejam necessariamente vinculadas a ações regenerativas, em vez de ações acessórias que classifica como “soluções ocas”.
Ecoansiedade e o protagonismo das pessoas na sustentabilidade

Segundo a especialista em ESG, as respostas passam por dois eixos. Um deles é um comprometimento concreto com soluções consequentes, tanto nas estratégias quanto no modelo operacional e financeiro das organizações. Para isso, ela enfatiza que é fundamental um envolvimento de todos os atores possíveis, a começar pelas pessoas dentro das próprias organizações. Cientistas, legisladores, investidores, ativistas e cidadãos que conheçam as realidades locais também são interlocutores importantes.
Entre as recomendações, deve-se permitir que as pessoas mais afetadas pelos desastres ambientais sejam protagonistas na criação de alternativas, como colaboradores atingidos por enchentes participando do redesenho de modelos de gestão, ou comunidades avaliando impactos de cadeias de suprimentos.
O Sistema B e a transformação dos negócios
O Sistema B se apresenta como parte de um movimento global para redefinir o papel dos negócios na construção de uma economia mais inclusiva e regenerativa. Liderado pelo B Lab, rede sem fins lucrativos fundada em 2006, o objetivo é que “todos os negócios se tornem uma força para o bem”.
O B Lab estabelece padrões e conduz o processo de certificação das empresas, promovendo governança voltada a stakeholders — da perspectiva não apenas dos acionistas, mas também de clientes, funcionários, fornecedores, comunidades e investidores. Além disso, fomenta esforços legislativos para permitir esse modelo corporativo e fomenta ações de transparência, responsabilidade e combate às mudanças climáticas.
Atualmente, mais de 10 mil empresas certificadas empregam mais de 1 milhão de pessoas em 102 países e 161 setores. De forma geral, os seus indicadores de qualidade de trabalho e bem-estar comunitário superam a média.
No Brasil, já são 328 empresas certificadas no diretório global do B Lab, integrando um ecossistema crescente comprometido com práticas de impacto positivo.
No Brasil, o Sistema B integra a Rede Global B e oferece a Avaliação de Impacto B, ferramenta gratuita que mensura o impacto socioambiental das empresas, abrangendo desde cadeia de suprimentos e materiais até políticas de responsabilidade social. Mais de 100 mil empresas no mundo já utilizam o diagnóstico, que pode ser complementado por consultorias do Sistema B Brasil.