- A Copa do Mundo de Clubes da Fifa oferece lições estratégicas de liderança e gestão aplicáveis ao mundo corporativo, destacando conexão emocional, disciplina e execução sob pressão.
- Clubes com orçamentos menores superam favoritos por meio de trabalho disciplinado, organização e estratégia, evidenciando que excelência depende de processos estruturados e clareza estratégica.
- A capacidade de tomar decisões rápidas, manter resiliência e promover cultura colaborativa são essenciais para líderes corporativos enfrentarem desafios e transformações.
A Copa do Mundo de Clubes da Fifa é, além de uma possibilidade de ver seu time de coração jogar contra as maiores potências do futebol mundial, uma oportunidade para extrair lições estratégicas no que diz respeito à liderança e gestão. Essa posição, defendida pelo ex-diretor de marketing do FC Barcelona e professor convidado no Esade, Guillem Graell, se tornou evidente ao longo dos 30 dias de competição.
Nesta primeira edição, 32 clubes disputaram entre si o primeiro lugar e uma premiação que ultrapassa os U$ 100 milhões. As equipes que irão disputar a final no domingo (13), Chelsea e Paris Saint Germain, puderam, segundo Graell, vivenciar por mais tempo três aspectos do futebol aplicáveis ao mundo dos negócios: (1) uma conexão compartilhada no mundo todo, (2) o trabalho disciplinado, inteligente e silencioso de clubes de menor visibilidade global e (3) execução sob pressão.
Conexão emocional como ativo estratégico
Em um cenário global cada vez mais fragmentado, a capacidade do futebol de unir culturas, idiomas e realidades em torno de uma mesma emoção revela um ativo raro: a conexão compartilhada. Torcedores de diferentes países vibram, sofrem e celebram juntos. Para Graell, “essa conexão emocional tem um valor incalculável para quem busca liderar com impacto em escala global”.
Marcas e gestores que desejam atravessar fronteiras culturais precisam entender, portanto, que o engajamento genuíno não nasce apenas de estratégia de marketing, mas de empatia e pertencimento, características que o esporte mobiliza como poucos setores.
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Disciplina silenciosa e resultados consistentes
Outra lição apontada por Graell envolve os clubes menos visíveis que surpreendem grandes potências do futebol. Na competição, temos exemplos do Botafogo vencendo o Paris Saint Germain, o Fluminense passando de fase em cima do Inter de Milão e o Flamengo ganhando do Chelsea de três a um. Essas equipes, mesmo com orçamentos inferiores, mostraram organização, foco e estratégia para superar adversários tidos como favoritos.
O sucesso, segundo o especialista, é resultado de trabalho disciplinado e inteligente, que “costuma acontecer longe dos olhos do público antes de aparecer no placar”. Trata-se, também, de um alerta para líderes corporativos, uma vez que a excelência não depende apenas de visibilidade ou de investimentos robustos, mas de processos bem estruturados e clareza estratégica.
Graell destaca que clubes como o Barcelona funcionam, em seus bastidores, como empresas globais de alta complexidade. Cada campanha, contratação ou parceria exige precisão tática. Essa lógica empresarial do futebol está no escopo da imersão executiva que ele conduz na Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com o Esade, voltada para líderes que desejam entender como o esporte de elite opera nos bastidores.
Execução sob pressão e cultura resiliente
Seja nos gramados ou nas salas de reunião, a habilidade de tomar decisões rápidas e eficazes sob pressão também é relevante para o objetivo planejado. No entanto, o talento individual não basta, é necessário propósito coletivo, resiliência mental, trabalho em equipe e capacidade de adaptação.
Na prática, Graell traduz essas competências em quatro pontos, confira.
- Clareza de papéis e metas compartilhadas
- Flexibilidade tática baseada em dados
- Coesão e confiança em momentos críticos
- Uma cultura vencedora que valoriza tanto o desempenho quanto as pessoas
Já no que tange à resiliência, o professor defende que o futebol pode servir de inspiração para corporações, por meio de incentivo mútuo após reveses e da necessidade de manter o foco para os próximos desafios. No caso das empresas, o preparo emocional e a cultura colaborativa podem contribuir para uma postura resiliente, principalmente para aquelas que passam por transformações, como acontece em tempos de crise ou de crescimento.
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