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O papel da família empresária no estímulo às novas gerações

Douglas Wegner, da FDC, avalia insights para empresas familiares a partir de levantamento que contabiliza intenção empreendedora na América Latina

familia empresaria Foto: Divulgação / Douglas Wegner

Autores

Douglas Wegner

Professor da área de Estratégia da FDC

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Pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral, em parceria com várias universidades da América Latina, traz novas evidências sobre o papel da família empresária como incentivadora ao empreendedorismo e aspiração a uma identidade empreendedora. A pesquisa foi realizada em 2022 com 1.456 estudantes de ensino superior no Brasil, Argentina, Paraguai, Chile, Equador, Colômbia e Peru. 

Um dos principais resultados é que estudantes cujos pais ou familiares possuem empresa têm uma intenção empreendedora maior do que aqueles estudantes que não têm esse exemplo na família. Esses estudantes também possuem uma aspiração à identidade empreendedora mais alta do que os demais. Ou seja, eles se enxergam como potenciais empreendedores e tendem a se engajar em comportamentos empreendedores.

Além disso, estudantes que vêm de família empresária possuem uma personalidade mais proativa e têm maior confiança na sua autoeficácia empreendedora. O padrão encontrado na amostra geral da América Latina se repete também quando analisados somente os estudantes brasileiros, que totalizaram 468 respondentes.

Segundo Douglas Wegner, professor da Fundação Dom Cabral que coordenou a pesquisa, esses resultados mostram de forma inequívoca que a família empresária tem um papel fundamental na formação da identidade empreendedora da nova geração.

“Os estudantes que vêm de família empresária não apenas têm o desejo se ser empreendedores como também se enxergam nessa posição e se sentem mais preparados para superar os obstáculos que um empreendimento traz”, afirma Douglas Wegner. Eles se sentem mais capazes de identificar novas oportunidades de negócio, criar novos produtos e comercializar um novo desenvolvimento de maneira bem sucedida.

Curiosamente, esses estudantes também têm uma visão mais positiva do ambiente institucional em toda a América Latina. Isto é, ainda que todos os participantes da pesquisa estejam sujeitos ao mesmo ambiente, os que possuem família empresária veem o ambiente mais positivamente e enxergam menos barreiras ao empreendedorismo. 

Outro resultado interessante revelado pela pesquisa é que a intenção de empreender dos estudantes diminui à medida que avançam no curso de graduação. Estudantes de final de curso indicaram menor propensão a empreender do que aqueles que estão iniciando o curso. Porém, quando se analisa somente estudantes de família empresária, esse padrão é diferente.

Segundo o professor Douglas Wegner, a intenção de empreender não diminuiu ao longo do curso para esses estudantes. “Novamente, fica evidente que a família empresária serve como um modelo para esses estudantes, mantendo seu interesse em empreender, enquanto aos demais estudantes têm sua intenção diminuída à medida que avançam no curso”.  

Por último, a pesquisa concluiu que três fatores influenciam diretamente a aspiração dos estudantes a ter uma identidade empreendedora: ter uma personalidade proativa, perceber sua auto-eficácia empreendedora, e ser de uma família empresária. Essa relação de influência confirma que a família é fundamental também para a aspiração dos estudantes a se tornarem empreendedores. Eles conseguem se ver como empreendedores no futuro e gostam da ideia de serem reconhecidos como empreendedores. 

Os resultados confirmam estudos anteriores e reforçam que a família empresária é um importante estímulo ao empreendedorismo para as novas gerações em toda a América Latina e, em específico, no Brasil. Cabe à família aproveitar essa condição e potencializar a dedicação dos seus filhos a desenvolver novos empreendimentos ou usar suas características e intenção empreendedora no próprio negócio da família.

Fonte: Students’ Entrepreneurial Intention in Latin America – Report 2022.




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