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  • A liderança contemporânea exige habilidades humanísticas, como empatia e autoconhecimento, superando a importância de competências técnicas.
  • Os CEOs enfrentam desafios significativos, incluindo a necessidade de reinventar modelos de negócios e construir confiança com stakeholders, com 72% acreditando que suas empresas não sobreviverão sem transformação nos próximos dez anos.
  • Para prosperar, os líderes devem adotar uma abordagem de cocriação e colaboração, focando em impacto e integridade, enquanto equilibram planos táticos de curto prazo com visões de longo prazo.
Resumo supervisionado por jornalista.

Em um tempo no qual a Inteligência Artificial resolve equações e roteiriza campanhas de marketing, o valor do líder passa a envolver suas habilidades humanísticas, como saber ouvir, tomar decisões éticas e construir confiança. O raciocínio está exposto no site The Shift, em um texto baseado em diversos estudos a respeito.

Entre os conceitos abordados, a Mckinsey expõe que a verdadeira transformação do gestor começa “de dentro para fora”, ao desenvolver autoconhecimento para liderar pessoas e equipes com mais empatia e equilíbrio. Ou seja, “a habilidade de inspirar e dar propósito às pessoas vai superar o domínio de qualquer competência técnica”, como pontua a matéria da The Shift.

Os novos CEOs enfrentam muitos desafios e, diante da velocidade das mudanças, precisam se reinventar. Não se trata, porém, de “rasgar o manual”, mas de rever o que ainda funciona e pode ser adaptado e descartar o que não funciona mais.

Uma pesquisa da PWC, intitulada “A reinvenção no limite do amanhã”, aborda que os CEOs de hoje precisam equilibrar custos, reinventar modelos de negócios e liderar a transformação tecnológica, enquanto constroem confiança com os stakeholders e entregam valor no longo prazo. Surgem, então, novos níveis de agilidade, previsão e propósito.

Desafio é aumentar escopo e velocidade

A pesquisa da PwC analisa ainda o cenário no qual os CEOs relatam ganhos iniciais de produtividade da IA generativa e retornos crescentes dos investimentos em sustentabilidade. Mas o desafio, segundo o estudo, é aumentar o escopo e a velocidade. A estratégia digital tem um peso forte na sofisticação de tarefas. Não basta ter uma visão, mas também capacidade de compreender a integração de diversas ferramentas, do atendimento ao cliente até a cadeia de suprimentos e segurança cibernética. Passa também pelas metas de governança ambiental e corporativa.

Alguns números refletem o quanto o mercado tem se transformado e cobrado dos CEOs uma estratégia para a qual talvez não estejam prontos. Segundo a Oliver Wyman, empresa global de consultoria de gestão, a média de permanência de um CEO nas grandes empresas caiu 8% entre 2013 e 2023, chegando a uma janela de tempo entre 4 e 6 anos. Já a Challenger, Gray & Christmas, empresa de consultoria americana especializada em recolocação e desenvolvimento de liderança, apontou que mais de 1.800 CEOs deixaram seus cargos nos Estados Unidos em 2024.

Empresas precisam ser reinventadas pelo “novo CEO”

Um dado mais assustador, do estudo da PwC, é que 72% dos CEOs acreditam que suas empresas deixarão de ser economicamente viáveis em uma década, se não forem reinventadas. Essa percepção de risco contrasta com um alto grau de otimismo: 60% dos CEOs esperam crescimento econômico global no próximo ano, contra apenas 38% em 2023. A confiança, porém, não se traduz automaticamente em ação. Apenas 7% da receita das empresas nos últimos cinco anos vieram de novos negócios criados no período.

Um outro dado preocupante é que, segundo a consultoria McKinsey, 83% de líderes globais não estavam preparados para o cargo de CEO no momento da nomeação. A lacuna não seria técnica, mas comportamental. Liderar uma organização no mundo atual exige autoconhecimento, empatia e vulnerabilidade, características antes vistas como fraquezas, mas que passaram a ser reconhecidas a partir da pandemia e da necessidade de lideranças mudarem para se conectar com colaboradores.

Líderes devem “inspirar”, não apenas “comandar”

novo CEO
Imagem gerada por Inteligência Artificial

Na matéria da The Shift, é exposto que o novo CEO é um líder que inspira, e não apenas comanda. Ele cultiva uma cultura organizacional saudável, em que a inovação é descentralizada e o erro se torna aprendizado. “O verdadeiro ponto de virada é quando o líder aprende a liderar a si mesmo antes de tentar liderar os outros”, afirmam autores do livro “The Journey of Leadership”.

Para entender um pouco das mudanças vividas pelos líderes, no início do século XX, CEOs como John Rockefeller, Andrew Carnegie e Henry Ford representavam uma nova era de impérios industriais, construídos a partir de inovações como o telefone e a eletricidade. Cem anos depois, uma profunda reinvenção se faz necessária, diante de tecnologias como IA generativa, computação em nuvem e computação quântica, em meio a uma pressão crescente para alinhar lucro e impacto ambiental.

A diferença entre aquele ambiente de negócio e o de hoje?: o tempo de resposta. Os CEOs atuais não têm décadas para refletir sobre que rumo tomar. Seu legado é construído no dia a dia acelerado e ultraconectado.

É preciso pensar o agora e o depois

Para facilitar os movimentos de transição dos CEOs, a consultoria Oliver Wyman propõe uma nova arquitetura estratégica, que consiste no abandono dos planos trianuais. Em vez disso, o líder deve operar com dois horizontes simultâneos:

  • Planos de 6 meses, táticos, para garantir entregas rápidas e geração de caixa;
  • Visões de 7 anos ou mais, que antecipem transformações estruturais de mercado, mudanças regulatórias, demográficas e tecnológicas.
  • E esse duplo foco exige capacidades raras: execução ágil, mas não precipitada; e visão de longo prazo, mas com entregas curtas e mensuráveis.

Cinco mudanças para ajudar a transformar os CEOs

Foto: Zamrznuti tonovi/ Shutterstock

Já de acordo com relatório da McKinsey, cinco mudanças podem ajudar a transformar as habilidades tradicionais de líderes, permitindo que evoluam e, ao mesmo tempo, ajudem as suas organizações a prosperar:

  • Em que focar: Impacto. Como visionário, gere impacto holístico para todos os stakeholders, com uma mentalidade de possibilidade.
  • Como criar valor: Cocriação. Como arquiteto, cocrie novo valor por meio da reimaginação, com uma mentalidade de abundância.
  • Como organizar: Colaboração. Como catalisador, colabore em redes fortalecidas, com uma mentalidade de parceria.
  • Como realizar o trabalho: Evolução. Como coach, evolua por meio do aprendizado rápido, com uma mentalidade de descoberta.
  • Como se mostrar: Integridade. Como ser humano, seja o seu melhor, com uma mentalidade de autenticidade.