- A economia cerebral posiciona a saúde cerebral, mental e habilidades cognitivas como motores centrais do crescimento econômico e resiliência no século XXI.
- Investir em saúde cerebral pode gerar até US$ 6,2 trilhões em ganhos globais até 2050, evitando doenças e otimizando o potencial humano frente à IA e automação.
- Líderes corporativos devem promover a cultura do desenvolvimento de habilidades e exemplificar cuidados com a saúde cerebral para fortalecer equipes e organizações.
O mundo corporativo e a vida como um todo estão se movendo mais rápido do que nossos cérebros podem acompanhar, em especial devido a tantas mudanças tecnológicas.
Em meio a esse cenário, quatro líderes do McKinsey Health Institute, ligado à consultoria internacional McKinsey, elaboraram artigo no qual defendem a chamada brain economy, ou economia cerebral, um conceito que coloca o cérebro no centro das economias locais ou globais. Na era da inteligência artificial, é necessário um investimento concomitante em inteligência humana, sustentaram as autoras.
O artigo foi construído por Erica Coe, diretora executiva global do McKinsey Health Institute (MHI) e sócia no escritório de Atlanta; Kana Enomoto, diretora de Saúde Cerebral do MHI e sócia no escritório de Washington, DC; Lucy Pérez, líder global no MHI e sócia sênior no escritório de Boston; e Jacqueline Brassey, diretora da Healthy Workforces, diretora de Pesquisa Científica no MHI e pesquisadora sênior no escritório de Luxemburgo. Juntas, elas explicaram por que a saúde cerebral e as habilidades cerebrais são fundamentais para o crescimento, resiliência e o futuro do trabalho.
A vida se move mais rápido do que o cérebro pode acompanhar
“A vida está se movendo mais rápido do que nossos cérebros estão acostumados. A tecnologia está mudando rapidamente. O mundo está parecendo mais imprevisível. E nossos sistemas escolares, de trabalho e de saúde simplesmente não conseguem acompanhar”, alertou Lucy Pérez.
A economia cerebral é um conceito emergente que posiciona a saúde cerebral, o bem-estar mental e as capacidades cognitivas e emocionais como os principais motores do crescimento econômico no século XXI. Segundo o artigo das líderes do McKinsey Health Institute, quando as pessoas prosperam, os ecossistemas dos quais fazem parte melhoram, sejam locais de trabalho ou comunidades. Como resultado, as economias também são mais fortes.
“Por isso, investir em saúde e habilidades cerebrais é um dos investimentos de maior retorno que todos podemos fazer, tanto para o nosso bem-estar individual quanto para a sociedade e o crescimento econômico”, sustentou Lucy Pérez.
A economia cerebral é um conceito emergente no qual sistemas econômicos resilientes e prósperos são alimentados por cérebros saudáveis e fortes. “E quando falamos de cérebros saudáveis e fortes, estamos analisando não só saúde cerebral, mas também saúde mental, neurológica e nossas habilidades cerebrais”, detalhou Kana Enomoto. “Uma economia cerebral coloca o cérebro no centro da economia. Ele projeta a economia, a sociedade e as organizações pensando no cérebro. E isso é super importante agora que estamos mudando toda a arquitetura de como trabalhamos, com agentes, robôs e super IA”, acrescentou Jacqui Brassey.
É preciso investir em saúde cerebral

Já Erica Coe destacou que “capital cerebral é a soma da saúde cerebral e das habilidades cerebrais”. “A saúde cerebral não é apenas a ausência de doenças. Também é um funcionamento positivo do cérebro: nossas habilidades cognitivas e a capacidade de funcionar no dia a dia. Essa é a base”, detalhou a diretora.
As autoras chamaram a atenção para um aspecto muito relevante, que é o desconhecimento do impacto cognitivo da tecnologia no cérebro humano e abordaram o risco de demência digital, em especial dentre os jovens.
Qual será o impacto da IA e da automação na cognição?
“Ainda não vimos o impacto total da IA e da automação na carga cognitiva. Ainda não sabemos o que isso vai fazer com nossos aprendizes, nossos jovens e a próxima geração de trabalhadores”, alertou Kana Enomoto.
“A IA pode impulsionar a inovação e nos ajudar a aumentar nossa carga cognitiva. Mas também tem desvantagens. Ela pode vir a corroer a atenção e até entrar no espectro do conceito de demência digital. Se deixarmos os computadores fazerem demais por nós, isso pode levar a um aumento do estresse e dos problemas de confiança. Há uma forte necessidade de continuarmos investindo na saúde do nosso cérebro, já que a IA, as ferramentas e fluxos de trabalho estão mudando em um ritmo muito acelerado”, acrescentou Erica Coe.
Kana Enomoto seguiu a linha de raciocínio de Erica Coe e afirmou que o mundo pode economizar até US$ 6,2 trilhões em PIB até 2050, promovendo a saúde cerebral e evitando doenças e transtornos. Isso equivaleria a cerca de 4% dos ganhos globais do PIB. Estes seriam os ganhos só com saúde cerebral. Mas, se subindo o nível de envolvimento, a sociedade vier a garantir que os empregadores ajudem as pessoas a trabalhar de forma a otimizar seu potencial, poderia-se alcançar ganhos de até 12% ao PIB global.
“Nossa aspiração é uma economia cerebral global onde fortalecer a capacidade humana seja tratado com a mesma urgência que investir em tecnologia”, resumiu Kana Enomoto.
Como lideranças podem se comportar?

Mas como os líderes corporativos do presente e do futuro podem promover a economia cerebral? Para Lucy Pérez, “líderes podem fazer uma enorme diferença a partir de hoje”:
“Trata-se de ampliar o apoio e tornar o desenvolvimento de habilidades parte da cultura nas escolas e no trabalho. Habilidades como empatia, resolução de problemas e adaptabilidade ajudam as equipes a navegar pela mudança. E todos sabemos que a mudança é a única constante. Já estamos vendo ótimos exemplos de líderes investindo em capital intelectual para criar não apenas pessoas mais saudáveis e organizações mais fortes, mas também crescimento real”, afirmou a diretora.
Gestores devem se transformar em exemplo para as equipes
Já Jacqui Brassey argumentou que os líderes devem se tornar um exemplo, agindo de forma a promover sua própria saúde cerebral e de suas equipes:
“Comece sendo um exemplo. Trata-se de tomar a decisão consciente de colocar a saúde cerebral no centro de como você administra seu negócio. Cuide da saúde do seu cérebro e mostre aos outros como você faz isso”, recomendou Brassey.