- As mudanças climáticas ameaçam os modelos econômicos tradicionais, impactando cadeias de suprimentos, segurança hídrica e estabilidade operacional das empresas.
- Em 2023, desastres climáticos causaram mais de US$ 360 bilhões em prejuízos globais, gerando volatilidade de preços, escassez de recursos e riscos reputacionais para negócios ultrapassados.
- A transição para modelos empresariais regenerativos e inclusivos é essencial para a sobrevivência e inovação, exigindo educação em gestão para formar lideranças capazes de redesenhar cadeias de valor.
Os negócios – tal qual como conhecemos, “business as usual”, estão sob ameaça. E representam uma ameaça ao progresso da humanidade. Não se trata de opinião, mas, sim, de ciência. O planeta está nos enviando sinais claros e inegociáveis. Estamos operando fora de seis dos nove limites planetários definidos pela ciência (entre eles, o clima, a biodiversidade, o uso da terra e os ciclos da água). Esse novo contexto representa mais do que uma crise ambiental: é uma crise de modelo econômico, de visão de futuro e de propósito empresarial.
As mudanças climáticas já impactam a segurança hídrica, a produção de alimentos, o custo de energia e a estabilidade das cadeias de suprimentos. Em 2023, os desastres climáticos causaram mais de US$ 360 bilhões em prejuízos globais. Isso se traduz em interrupções operacionais, volatilidade de preços, escassez de recursos e, sobretudo, risco reputacional e jurídico para empresas que ainda operam com modelos ultrapassados.
O impacto não se restringe ao meio ambiente. A desigualdade social, que se agrava com as emergências climáticas, compromete a coesão social e a legitimidade das organizações. Esse modelo, que concentra renda e destrói ecossistemas, é insustentável até mesmo no sentido mais pragmático da palavra: ele não se sustenta.
Diante desse cenário, é urgente redirecionar a forma como fazemos negócios. A transição para modelos regenerativos e inclusivos precisa ser considerada como estratégia de sobrevivência e de inovação. Precisamos de empresas que gerem valor compartilhado, que integrem propósito à gestão e que alinhem suas decisões ao progresso coletivo.
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Nesse processo, a educação em gestão assume um papel determinante. É ela quem forma as lideranças que tomam as decisões difíceis, redesenham cadeias de valor e ousam reinventar métricas de sucesso. A educação é um farol — ela ilumina os novos caminhos do management, conecta conhecimento com ação e cultiva consciência crítica nos tomadores de decisão.
Não é mais tempo de ajustar apenas indicadores. É tempo de redefinir os fundamentos. Mudar o jeito de fazer negócios não é um obstáculo à prosperidade, mas sim a única via real para alcançá-la. Empresas que assumirem essa agenda com coragem serão não apenas relevantes, mas também indispensáveis para o futuro.

* Marina Spínola, Centro de Inteligência em Médias Empresas da FDC