– As médias empresas no Brasil, que representam menos de 1% do total, são responsáveis por 20% dos empregos CLT e 25% da massa salarial, com receita média de R$ 80 milhões e 24% de EBITDA.
– Com cerca de 70 mil empresas, 71% são familiares e 55% dos CEOs estão há mais de 10 anos na posição; a maioria opera no setor de serviços e 80% são B2B.
– Apesar do bom desempenho, as médias empresas demonstram baixa confiança nas condições econômicas, refletida no Índice de Confiança das Médias Empresas, que alcançou 45,5 pontos, indicando oportunidades de crescimento, especialmente na internacionalização.
Resumo supervisionado por jornalista.As médias empresas correspondem a menos de 1% do total de companhias no Brasil, mas são responsáveis por 20% dos empregos CLT e 25% da massa salarial no país. Além disso, essas empresas têm desempenho financeiro muito significativo, apresentando receita média de R$ 80 milhões, 24% de EBITDA e 9% de lucro líquido, o que indica um setor pujante e com grande potencial de crescimento.
Os dados fazem parte de uma espécie de raio-x da atividade, levantado por três braços da Fundação Dom Cabral (FDC) dedicados ao estudo, pesquisas e iniciativas para o setor: o Centro de Inteligência em Médias Empresas, o grupo Médias Empresas de Alta Performance e o Parceiros para Excelência (PAEX).
De acordo com o estudo, existem cerca de 70 mil médias empresas em atividade no Brasil. Do total, 46% estão na área de Serviços, 35% na Indústria e 19% no Comércio. A maior parte delas, 71%, são de natureza familiar. As médias empresas apresentam muitos pontos positivos, como o fato de serem longevas. O estudo também identificou que mais de 50% delas estão no mercado há mais de 30 anos, o que indica boa performance e resultados.
Setor valoriza maturidade do CEO

Outros dados levantados pela pesquisa mostram que o setor reúne traços de estabilidade na gestão. Do total de líderes nas médias empresas, 55% estão há mais de 10 anos na posição. O setor também valoriza a maturidade de seus CEOs: 60% dos gestores têm mais de 50 anos de idade.
As empresas estão concentradas na Região Sudeste (57%), seguida da Região Sul (22%), Nordeste (13%) e Centro-Oeste e Norte (8%). Apesar do bom desempenho das médias empresas, elas apresentam baixo nível de internacionalização, o que é identificado na pesquisa como uma oportunidade de crescimento. Para entender um pouco mais do perfil das médias empresas, o estudo mostra que a maioria (80%) é B2B (business-to-business).
Embora apresentem bom desempenho, as médias empresas demonstram um nível baixo ou mediano de confiança nas condições econômicas do país. A última edição do Índice de Confiança das Médias Empresas (ICME), elaborado pelo Centro de Inteligência em Médias Empresas da FDC, registrou um leve avanço de 1,1 ponto dentre as companhias pesquisadas.
A pequena variação revela aversão ao risco e fragilidade na confiança, uma vez que todas as atividades ficaram abaixo dos 50 pontos, numa escala de um a 100. O novo ICME mediu as expectativas e o apetite para investimento das companhias no segundo semestre de 2025, em comparação ao primeiro semestre do ano. O ICME alcançou 45,5 pontos, uma pequena melhora frente aos 44,4 pontos do primeiro semestre.
Modelos de negócio devem ser escaláveis
Mas o que impulsiona o sucesso e a expansão das chamadas HGFs (High-Growth Firms, ou empresas de alto crescimento)? Segundo o estudo, um dos aspectos é a “orientação empreendedora e abordagem de construção de sistemas”, que envolvem foco na rentabilidade e crescimento, exercício do papel estratégico e pensamento sistêmico.
Outras características são desenvolver um modelo de negócios escalável e reunir talentos competentes incentivados para o máximo desempenho. Além disso, fazem diferença a “execução implacável do básico” e a busca por diferenciação. Neste modelo, a liderança deve ter visão, propósito e valores claros e fortes. A pesquisa também apontou o uso intenso de tecnologia e digitalização, mas essa prática não significa necessariamente a empresa “ser orientada para a tecnologia”.
O estudo defendeu uma “abordagem científico-aplicada”, o que envolve produtividade, gestão madura e crescimento. A pesquisa, em sua apresentação no Fórum Anual das Médias Empresas, em setembro, também destacou ensinamentos de estudiosos e especialistas internacionais em desempenho corporativo que se aplicam ao sucesso das médias empresas. Reproduzimos algumas a seguir.
O que dizem os especialistas
“Empresas que crescem com sucesso, escalam com produtividade. Empresas que fracassam escalam CAOS”. Greg Crabtree, empreendedor, líder financeiro e palestrante sobre desempenho corporativo.
“Quando avaliamos o ganho de produtividade que impulsiona nossa prosperidade, a tecnologia recebe todos os créditos. Na realidade, é a gestão que está fazendo grande parte do trabalho pesado”. Joan Magretta, associada sênior do Instituto de Estratégia e Competitividade da Harvard Business School.
“Bilionários e CEOs têm sucesso porque veneram o básico. Quem persegue a estratégia sem antes dominar os fundamentos dos negócios raramente vence”. Ram Charan, consultor de negócios indiano-americano.