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  • Em entrevista, Maurício Adade destacou a importância da responsabilidade social para o sucesso empresarial, enfatizando que as empresas devem atuar para resolver problemas sociais como a fome e a desnutrição.
  • Ele citou iniciativas como a parceria com o Programa Mundial de Alimentação da ONU e o Projeto b.e.n no Brasil, que visam combater a desnutrição, ajudando milhões de pessoas e promovendo a sustentabilidade entre pequenos produtores.
  • Adade também compartilhou insights sobre liderança, ressaltando a necessidade de empatia, controle emocional em crises e o papel da ansiedade saudável, e planeja continuar contribuindo para o mercado por meio de mentorias e conselhos empresariais.
Resumo supervisionado por jornalista.

“Não é possível ser uma pessoa ou uma empresa de sucesso, se ao seu redor o mundo está desmoronando”. A afirmação foi feita pelo engenheiro de alimentos Maurício Adade, que está se desligando da presidência da dsm-firmenich América Latina e das parcerias globais, durante entrevista ao programa de videocasts FDC Legacy Talks, da Fundação Dom Cabral. Para Adade, as empresas e seus executivos precisam desenvolver responsabilidade social, atuando em iniciativas e programas para ajudar a dirimir as carências do universo em que as corporações atuam.

A dsm-firmenich é uma empresa global de origem suíça-holandesa, resultante da fusão entre a Royal DSM e a Firmenich e atuante nas áreas de nutrição, saúde e beleza. Adade, que dedicou 37 anos de sua carreira à corporação, explicou que, por ser muito presente em produtos e iniciativas para a nutrição alimentar, a empresa acabou, indiretamente, tendo muito contato com flagelos como a fome e a fome oculta, em várias partes do planeta, e vem buscando soluções para combatê-la. O executivo destacou que a responsabilidade social é, sim, uma estratégia de negócios, mas amparada pela máxima de que “é possível fazer o bem, fazendo bem”.

Combate à desnutrição infantil

Além da presidência da dsm-firmenich América Latina, Adade se inseriu em diversas iniciativas globais de combate à desnutrição infantil ou adulta. Uma das principais ações citadas pelo executivo é a parceria da empresa com o Programa Mundial de Alimentação da ONU, que atua especialmente em casos de insegurança alimentar em situações de emergência, como guerras e campos de refugiados.

A empresa desenvolveu, com o Programa, uma fórmula à base de milho e soja, fortificada com minerais e vitaminas essenciais ao desenvolvimento motor e cognitivo das crianças. O alimento à base desta fórmula já ajudou mais de 40 milhões de pessoas a enfrentarem a insegurança alimentar. Segundo o executivo, em Ruanda, por exemplo, a desnutrição infantil caiu em mais de 10% após a implementação da iniciativa.

Programa baseado no poder do ovo

Foto: Natalia Deriabina/ Shutterstock

No Brasil, o exemplo destacado pelo engenheiro foi o Projeto b.e.n (Bem-Estar e Nutrição), baseado no potencial dos ovos. Com proteínas consideradas de excelente qualidade, além de minerais e vitaminas, o ovo é um alimento importante, por exemplo, para gestantes e lactantes. O projeto, desenvolvido no município de Rebouças, no Paraná, fornece incentivos a pequenos produtores de ovos, envolvendo inclusive uma ração especial para galinhas poedeiras. Pelo menos 20 pequenos produtores já estão inseridos no programa, distribuindo ovos à comunidade e incrementando seu próprio sustento. Já há uma cooperativa no local que esta encabeçando as iniciativas de maneira a serem auto sustentaveis.

Com muita experiência profissional, que inclui passagens pela Bayer, Visconti e Roche, Adade discorreu também sobre características e comportamentos que considera necessários para que um líder se torne bem-sucedido. Sua carreira começou quando ele era bastante jovem, com 22 anos, na Visconti, à frente de 280 pessoas. Em tom bem-humorado, o executivo contou que um dos dirigentes italianos da empresa lhe disse:

“Eu te joguei na piscina. Você nadava ou morria”, sentenciou.

O desafio de produzir e vender mais panetones

Foto: Pixel-Shot/ Shutterstock

Adade nadou bastante. Nos anos 80, o mercado consumidor brasileiro estava em crescimento e o executivo enfrentou e venceu a meta da empresa de elevar a produção de 1.500 para 2.000 toneladas de panetone. Adade sempre sonhou e conseguiu construir uma carreira internacional. Quando atuou na Roche, por exemplo, morou durante quatro anos no México, onde nasceram seu maior patrimônio, os filhos Gabriel e Gustavo. Ainda na Roche, morou em Singapura, onde gerenciou a Área Ásia-Pacífico da empresa. Em sua trajetória, o executivo viveu também na Suíça, quando a Royal DSM adquiriu a unidade de negócios da Roche em que ele trabalhava.

Com tanta experiência internacional, Adade destacou diferenças entre fazer negócios no exterior e no Brasil. Segundo ele, para ter sucesso, é preciso mergulhar nas diferenças culturais e de cenário de cada país ou região, sem “soluções enlatadas”.

“No Brasil, há uma grande capacidade de fazer e acontecer, uma espécie de ‘I can do’ (“Eu posso fazer”, do inglês para o português). Às vezes, é preciso pedir calma em algumas iniciativas brasileiras, pedir para as pessoas voltarem à estruturação do planejamento. Já na Europa, por exemplo, é preciso gastar muita energia para convencer as pessoas a aceitar alguma inovação ou maneira de trabalhar”, comparou.

Pessoas devem estar no centro das atenções

Adade contou ainda que “tomou gosto pela liderança” já em sua primeira experiência, na Visconti. Ele destacou que uma das principais características para que o líder alcance bons resultados é colocar as pessoas no centro das atenções, sejam elas membros de sua equipe, clientes ou stakeholders.

“Meu grande aprendizado foi entender que o gestor deve fazer a diferença para as pessoas. Ele deve ter empatia por elas, trazê-las para seu lado, profissional e emocionalmente. É preciso entender as dores das pessoas, tentar ajudar, e descobrir que, juntos, podemos achar soluções boas para todas as partes envolvidas. Desta forma, as pessoas se sentem mais confortáveis e, com pessoas que se sentem confortáveis e motivadas, você acaba fazendo melhores negócios”, ensinou o executivo.

Como dominar o desespero em situações de crise

Adade deu um conselho aos gestores, em especial aos mais jovens: aprender a dominar o “desespero” diante de situações de crise:

“Quando enfrentamos um cenário de crise, nossa primeira reação pode ser o desespero. Isso é normal, pois somos humanos. Mas é preciso se acalmar e controlar este sentimento, buscando entender os fundamentos da crise rapidamente e quais variáveis vão ajudá-lo a gerenciá-la e superá-la. Esta reação é o que trará confiança e estabilidade para seus times e todos os seus parceiros estratégicos”, analisou.

Outro aspecto muito humano, a ansiedade, também entra em pauta quando se trata de liderar ou ser liderado. Para Adade, é relevante que os profissionais tenham alguma ansiedade, desde que aprendam a lidar com ela e modulá-la com maturidade, eficiência e elegância.

“É muito importante ter um certo grau de ansiedade. As pessoas que têm ansiedade zero demoram muito a reagir, não têm tanta proatividade. Um time que não tem ansiedade não tem vontade de fazer as coisas, não funciona. Mas há o outro lado da moeda. No Brasil, às vezes há ansiedade demais, uma certa vontade de correr e é preciso controlar isso”, analisou.

Executivo se vê como “ansioso saudável”

Adade, que se considera “um ansioso saudável”, tem novos tempos pela frente. Ao concluir a transição na presidência da dsm-firmenich, o engenheiro de alimentos ainda viverá muitos desafios na carreira. Ele ainda não fechou nada, mas, com sua experiência, considera atuar em conselhos empresariais, mentorias ou participar de pequenos investimentos.

“Não vou ficar parado. Além da experiência acumulada, ainda tenho muita energia para oferecer ao mercado e devolver um pouco de tudo que tive o privilegio de viver”, afirmou.

Confira a entrevista completa no YouTube e no Spotify: