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  • Manuella Curti, copresidente do Grupo Europa, assumiu a liderança da empresa aos 26 anos, após o falecimento de seu pai e irmão, enfrentando desafios devido à sua juventude e ao legado familiar.

  • Ela abandonou a ideia de ser uma “substituta” de Dácio Curti, investindo em autoconhecimento e desenvolvendo um estilo de liderança colaborativo, que inclui a copresidência com Sergio Tavares.

  • A empresa adota uma abordagem socioambiental que visa a sustentabilidade, reduzindo o consumo de água e resíduos, enquanto promove projetos sociais, como fornecer água potável para comunidades carentes na Bahia.

Resumo supervisionado por jornalista.

Uma sucessão familiar traumática marcou a carreira de Manuella Curti, atual copresidente do Grupo Europa. Aos 26 anos, ela assumiu a liderança da empresa após a morte do pai e do irmão. 

O processo sucessório não planejado a levou, inicialmente, a tentar corresponder às expectativas de um estilo parecido com o do pai e fundador, Dácio Curti. Com o tempo, no entanto, ela encontrou o que deveria ser sua forma de conduzir o grupo.

Os primeiros tempos da executiva aconteceram num ambiente de medo, desconfiança e insegurança. Ela enfrentou resistência por ser jovem, mulher, advogada e “filha do dono”, com questionamentos sobre a capacidade de dar continuidade aos negócios. A cultura da empresa era muito personalizada e centralizadora na figura de seu pai, um líder carismático, o que tornou a transição ainda mais desafiadora.

Manuella compreendeu que tentar “ocupar o lugar do pai” seria um erro e uma violência consigo mesma. Em vez disso, sua jornada foi a de conquistar o seu próprio espaço, que não seria o de “substituta” de Dácio. Isso exigiu um profundo processo de autoconhecimento, humildade e paciência, segundo ela.

Nesse caminho, aprendeu a ser julgada sem ser reativa e a pedir ajuda a colaboradores e parceiros. Após descartar a “armadilha” de tentar ocupar o lugar de seu pai, Manuella investiu em um profundo processo de autoconhecimento e moldou um estilo de liderança diferente do anterior.

Ela se acostumou a pedir ajuda, contrastando com o modelo tradicional de gestão, principalmente em empresas familiares nas quais o líder deve saber tudo. Hoje, ela utiliza essa experiência empírica para ensinar sobre a importância de considerar a “questão humana” em qualquer processo sucessório.

Gestão compartilhada e aprendizado

Manuella Curti e Sergio Tavares dividem a liderança na gestão compartilhada, representada por blocos de madeira com ícones de cérebro e lâmpada em fundo lilás.
Foto: thodonal88/ Shutterstock/ Modificada com IA

Atualmente, o Grupo Europa adota um modelo de gestão de copresidência, que Manuella descreve como uma “rica experiência de aprendizado”.

Ela divide a liderança com Sergio Tavares, executivo experiente e com um estilo de gestão diferente do dela. Este modelo, embora não seja popular no Brasil, permite que eles se complementem para levar o negócio mais longe, agregando diferentes visões para tomar decisões mais complexas.

Para Manuella, o sucesso da copresidência depende de um exercício diário de abrir mão do ego, manter o foco no negócio, ter um diálogo aberto e um alinhamento constante sobre tudo. De acordo com ela, a base para que o modelo funcione é o compartilhamento de valores fundamentais entre a dupla de líderes.

Já a atuação socioambiental da Europa está intrinsecamente ligada ao seu propósito central, que é o de “cuidar da água para transformar a vida”. Nesse sentido, a executiva enxerga a empresa como uma plataforma para responder a questões ambientais e sociais.

O próprio produto da companhia – soluções de purificação de água – é considerado sustentável, pois incentiva a redução do consumo de água mineral engarrafada. Mas, as ações práticas e contínuas devem solidificar o discurso ambientalmente responsável da companhia.

Com isso, além do produto, a empresa busca repensar sua maneira de operar, implementando diversas práticas, entre elas, a redução da quantidade de água utilizada em seus processos internos.

A visão sustentável inclui também a diminuição da geração de resíduos, como a eliminação do isopor das embalagens, e a utilização de tinta à base de água. A criação de pontos de coleta dos elementos filtrantes dos purificadores de água é outra iniciativa real da Europa, ao lado da busca da neutralização de carbono de suas operações fabris.

A empresa também expande sua missão para além do negócio, com projetos como levar água potável para mais de 300 pessoas no sertão da Bahia, reforçando seu compromisso de gerar impacto positivo.

A abordagem de Manuella é uma integração coesa de quem ela é: uma líder que une seu inconformismo com a injustiça social a uma gestão com propósito, materializando sua crença no coletivo por meio de gestão colaborativa, inclusive na presidência da Europa.

Confira a entrevista completa no YouTube e no Spotify: