Maioria das empresas não adota medidas efetivas de saúde mental
17 de maio de 2026
A maioria das empresas não adota medidas efetivas para a saúde mental, com apenas 46% implementando ações concretas para seus colaboradores.
Pesquisa com 276 profissionais de RH revela que apenas 28% das empresas possuem políticas definidas para tratar estresse e sobrecarga de trabalho.
A falta de programas que atacam causas como sobrecarga e ambiente tóxico indica necessidade de melhorias na gestão e uso de tecnologias para reduzir o estresse no trabalho.
Resumo supervisionado por jornalista.
A preocupação dos profissionais de RH com a saúde mental nas empresas é consensual: 99% de quem atua na área citam o tema, mas isso não se reflete na realidade. Somente 46% deles afirmam que suas corporações estariam adotando medidas efetivas para melhorar a saúde mental de seus colaboradores. E mais: somente 28% das companhias teriam políticas definidas para tratar de estresse e sobrecarga de trabalho. Os dados são da pesquisa qualitativa da Infojobs, que entrevistou 276 pessoas em outubro de 2024.
A discussão foi ampliada pelo jornal Valor, que ouviu profissionais de RH sobre outros temas ligados à saúde mental, inclusive a pressão por produtividade e pela maior disponibilidade dos colaboradores. Um dos focos do debate, segundo a publicação, é o estresse e a sobrecarga. Essa última é considerada um problema complexo de ser abordado, mas que pode impulsionar a mudança de gestão das empresas que abraçarem a causa.
De acordo com especialistas ouvidos na reportagem, os resultados da pesquisa refletiriam a realidade de conscientização do tema dentro das empresas, mas também das poucas mudanças significativas em relação à saúde mental. Um dos desafios é que os programas focados nisso não estariam olhando para a causa raiz do problema, que envolveria sobrecarga de trabalho, ambiente tóxico e falta de segurança psicológica.
Aperfeiçoamento da gestão contribui para saúde mental dos colaboradores
No caso específico da sobrecarga, as indicações de melhoria do problema envolvem aperfeiçoamentos de gestão, como a transformação de reuniões em eventos mais eficientes e produtivos e a criação de agenda semanal, com blocos de hiperfoco. O uso da IA nas tarefas repetitivas é outra ação possível, ao lado da adoção de pausas e descansos para recuperar-se do estresse diário.
Outra informação surpreendente do levantamento é o salto no aumento de programas dedicados à satisfação e felicidade no trabalho: eles estavam presentes em somente 34% empresas na pesquisa de 2023, mas hoje 58% delas indica que têm algum tipo de iniciativa para atender aos dois fatores.
Dúvidas mais comuns
A saúde mental nas empresas é um componente essencial para o bom desempenho dos profissionais, envolvendo o equilíbrio emocional que permite enfrentar desafios tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Ela inclui aspectos físicos, emocionais, sociais e cognitivos que impactam o bem-estar geral dos colaboradores.
Embora 99% dos profissionais de RH reconheçam a importância da saúde mental, apenas 46% afirmam que suas empresas adotam medidas efetivas. Isso ocorre porque muitos programas não abordam as causas raiz, como sobrecarga de trabalho, ambiente tóxico e falta de segurança psicológica, dificultando mudanças significativas.
Os principais desafios incluem tratar a sobrecarga de trabalho, reduzir ambientes tóxicos e garantir segurança psicológica. Além disso, é necessário aperfeiçoar a gestão para tornar reuniões mais produtivas, criar agendas focadas e adotar pausas para reduzir o estresse diário.
A gestão pode melhorar a saúde mental ao transformar reuniões em eventos mais eficientes, organizar agendas semanais com blocos de hiperfoco, utilizar inteligência artificial para tarefas repetitivas e incentivar pausas regulares para recuperação do estresse, promovendo um ambiente de trabalho mais saudável.
Os quatro pilares da saúde mental são: saúde física (nutrição, sono e atividade física), saúde emocional (gestão das emoções), saúde social (qualidade das relações e apoio comunitário) e saúde cognitiva/mental (foco, aprendizado e autoconhecimento). Manter esses pilares equilibrados é fundamental para o bem-estar integral.
Sim, o Projeto de Lei 4479/24 obriga empresas públicas e privadas com mais de 50 funcionários a adotar práticas para promover a saúde mental e prevenir transtornos psicológicos, como estresse e burnout, visando apoiar o bem-estar psicológico dos trabalhadores.
A saúde mental adequada pode reduzir o turnover, pois colaboradores que se sentem apoiados e têm um ambiente de trabalho saudável tendem a permanecer mais tempo na empresa. Programas focados em satisfação e felicidade no trabalho, que cresceram de 34% para 58% das empresas, ajudam a melhorar o engajamento e a retenção.
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