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  • Especialistas ressaltam que o lifelong learning é essencial para o envelhecimento saudável, enfatizando a importância de jornadas de aprendizagem contínua em um mercado de trabalho em constante mudança e com a crescente expectativa de vida.
  • No FDC Fórum do Conhecimento, profissionais debateram a aprendizagem contínua como uma necessidade biológica, social e econômica, destacando o acesso ao conhecimento como fundamental para a participação plena na sociedade.
  • A conversa revelou que a educação permanente deve ser valorizada tanto em ambientes formais quanto informais, e que o etarismo no mercado de trabalho é um erro estratégico, pois o aprendizado contínuo é um requisito para um envelhecimento ativo e produtivo.
Resumo supervisionado por jornalista.

A necessidade de seguir aprendendo ao longo da vida e não se limitar a formações fragmentadas e associadas a períodos específicos, como o ensino médio, cursos técnicos e graduação, é um tema cada vez mais reforçado por especialistas. Com as mudanças no mercado de trabalho ocorridas nas últimas décadas, isso toma ainda mais força. Mas outro ponto fundamental dessa discussão e que reforça a necessidade dessas jornadas de aprendizagem contínua é o aumento da expectativa de vida, que reflete diretamente na presença de grupos etários diversos nas corporações.

A longevidade foi o tema central do FDC Fórum do Conhecimento, evento anual da Fundação Dom Cabral (FDC), que reúne alunos do mestrado e doutorado para debater assuntos de alta relevância. No encontro, um dos painéis debateu o aprendizado contínuo como uma necessidade biológica, social e econômica.

O debate reuniu o gerontólogo Dr. Alexandre Kalache, a professora e consultora Angela Fleury e o economista e especialista em educação Cláudio de Moura Castro, em uma conversa que abordou envelhecimento ativo, etarismo e o papel estratégico do conhecimento na construção de futuros mais inclusivos.

Lifelong learning é característica do ser humano

Ilustração de uma pessoa estudando e adquirindo conhecimento na cabeça, simbolizando o conceito de aprendizado ("Lifelong Learning")  ao longo da vida e crescimento pessoal.
Imagem: eamesBot/ Shutterstock/ Modificada com IA

Kalache abriu o debate relembrando a polêmica tentativa da OMS de classificar a velhice como doença na CID-11 – proposta que foi retirada em 2022 após forte mobilização social. Para o médico, o ponto central não é rotular o envelhecimento, mas entender que ele envolve mudanças na “capacidade intrínseca” das pessoas e demanda políticas, estruturas e culturas mais sensíveis. “Precisamos de uma sociedade mais compassiva”, ponderou.

Para o especialista, o acesso ao conhecimento é o que garante participação plena na vida social. Mas isso só acontece quando existe ambiente adequado. “Aprendizagem é interação, não apenas transmissão de informação. Empresas que querem sobreviver vão precisar de adultos qualificados, e isso inclui os mais velhos”, disse.

Para Castro, a aprendizagem contínua não é algo que “surgiu do nada”, é uma característica natural da espécie humana. “A tecnologia avança desde a Revolução Industrial e nós levamos anos para dominá-la. A educação permanente é o resultado espontâneo dessa evolução”, explicou. “A espécie produz tecnologia, e para lidar com ela precisamos voltar para a escola”, completou.

O papel humano ainda fica claro, segundo ele, mesmo com o avanço acelerado da tecnologia, já que ela (a tecnologia) não resolve a pedagogia: “Tecnologia é o entregador da pizza, não a pizza. Ela acelera, mas não substitui o processo educativo”.

Aos 78 anos, com três graduações, mestrado e pós-doutorado em aprendizagem digital, Angela Fleury concorda com Castro. Ela traz o conceito de aprendizagem transhumana, na qual humanos e máquinas constroem conhecimento juntos. Ou seja, a tecnologia é parceira, não substituta.

Ângela se destaca por ser uma personificação de que aprender é algo que se faz o tempo todo, ao longo da vida. Para ela, trata-se de um ato relacional. “Redes e ambientes seguros são tão potentes quanto cursos formais. São espaços de troca, coragem e humildade”, disse ela no contexto da importância de comunidades de aprendizagem.

Conhecimento como capital para envelhecer melhor

A discussão reforçou que envelhecer com qualidade inclui preparo cognitivo, emocional e social. E isso só acontece quando as empresas, as instituições e as pessoas investem em ambientes que valorizam o aprendizado contínuo – formal e informal.

O painel também expôs um ponto de tensão comum no mercado de trabalho: muitas pessoas acima de certa idade já não recebem treinamento, evidenciando o etarismo estrutural das organizações. Para os especialistas, esse é um erro estratégico, já que o lifelong learning não é mais, segundo ele, um diferencial competitivo, e sim um requisito para participar plenamente da sociedade, navegar pelas transformações tecnológicas e construir um envelhecimento ativo, digno e produtivo.