• O estilo de liderança “comando-e-controle” está ultrapassado e deve ser substituído pelo líder educador, que foca no desenvolvimento das pessoas para gerar resultados empresariais.
  • O líder educador promove aprendizado contínuo, trata erros como oportunidades e incentiva autonomia, confiança e motivação nas equipes, conforme estudos da HSM Management.
  • Empresas que adotam a liderança educadora, como a rede Smart Fit, alcançam alta performance e competitividade ao investir em formação, empatia e adaptação às mudanças.
Resumo supervisionado por jornalista.

Em um mundo em constante movimento, os líderes empresariais que adotam o estilo conhecido por “comando-e-controle” podem estar com os dias contados. Especialistas citados em dossiê publicado no site da HSM Management, referência internacional em gestão e negócios, destacam que é preciso saber educar. Segundo os estudiosos, estamos na era do “líder educador” e do “líder que aprende”, que deve estar focado não apenas no lucro, mas no desenvolvimento das pessoas, as quais, na ponta deste processo, trarão bons resultados para a empresa.

Segundo o dossiê, a gestão no estilo comando-e-controle, marcada por forte ênfase hierárquica e atuação centralizada e autoritária, expirou. Em seu lugar, entra o “líder-coach”, que sabe influenciar e educar, promovendo mudanças de comportamento consistentes nas equipes e organizações. Já nos anos 1950, o escritor e professor Peter Drucker, considerado pai da gestão moderna e pensador dos efeitos da globalização na economia e nas organizações, pregava que o “desenvolvimento das pessoas” deveria ser o primeiro objetivo da administração.

Avanços tecnológicos e exigências de mudanças

Quase sete décadas depois, em um planeta marcado por avanços tecnológicos e exigências de mudanças e adaptações rápidas, além de maior complexidade e incerteza nos negócios, os ensinamentos de Drucker estão cada vez mais atuais – e ainda ganharam eco de outros estudiosos do passado recente, como o futurista Alvin Toffler, que, diante da necessidade de aprender, desaprender e reaprender, pregou que os “analfabetos do século 21” seriam aqueles que não sabem atualizar conhecimentos e habilidades.

Pensadores contemporâneos, como o especialista em aprendizado organizacional Peter Senge, defendem que o líder deve promover a educação coletiva constante, a fim de que as empresas sejam mais bem-sucedidas por prazos mais longos. Na prática, segundo o dossiê da HSM, isso significa que as empresas que não abraçarem o chamado “lifelong learning” podem ter uma desvantagem competitiva significativa ao não investirem em educar suas equipes.

Leia também:

Saiba como construir uma carreira em pente

Erros devem ser vistos como aprendizado

Mas, o que faz parte desse processo de ensinamento e aprendizado contínuos? Em vez de submeter colaboradores a humilhações, um dos caminhos para os líderes é tratar os erros das equipes como oportunidades de aprendizado e, assim, fazer o conhecimento fluir. Longe da cultura do medo, que ganha cada vez menos espaço nas gerações de nativos digitais, a lógica é a do feedback, como ensina Conrado Schlochauer, autor do best-seller “Lifelong Learners”. Em vez de “dar bronca”, deve-se dizer ao funcionário que ele poderia ter feito algo melhor, o que é uma maneira de educar.

“A escolha entre comando-e-controle e o estilo educador vem impactando a motivação para trabalhar. Se o colaborador se sente controlado, sente-se com menos autonomia e menos motivado”, disse Schlochauer. Autonomia, segundo o especialista, é um dos três elementos básicos da motivação, junto com maestria (ou excelência) e propósito.

As diferenças no estilo de comandar

líderes devem saber educar
Foto: (JLco) Julia Amaral/ Adobe Stock

Compilada pelo dossiê da HSM, a tabela abaixo ajuda a ilustrar as diferenças entre o antigo estilo autoritário e a liderança educadora.

Evolução da arquitetura da liderança

 COMANDO-E-CONTROLELIDERANÇA EDUCADORA
ESTILOAutoritárioColaborativo/Inspirador
TOMADA DE DECISÃOCentralizadaCompartilhada
MOTIVAÇÃORecompensaSignificado
RELAÇÃO COM EQUIPEHierárquicaConfiança
OBJETIVOProcessos/resultadosFormação

Em um podcast, o especialista em liderança Joshua Margolis, da Harvard Business School, acrescentou outros aspectos a esta mudança de comportamento da gestão.

“Até cerca de cinco anos atrás, o executivo priorizava a liderança de-fora-para-dentro. O líder precisava partir de conhecimentos externos, entendendo o setor em que a empresa atuava, para formular sua estratégia. Agora, cada vez mais, cada gestor precisa se conhecer internamente para ser capaz de fazer todos em uma equipe aprenderem juntos. Só assim ele poderá traçar um caminho estratégico e executá-lo”, explicou Margolis.

Leia também:

Um bom líder deve ser “ambidestro”, destaca Bruno Mondin

O sucesso da rede Smart Fit

Foto: Leonidas Santana/ Shutterstock

O dossiê da HSM cita exemplos de vários líderes que adotaram a cultura de educar. Edgard Corona, CEO da rede Smart Fit, é um deles. O executivo disse que, sem este princípio, talvez não tivesse sido possível alcançar um total de 1.250 academias Smart Fit em 14 países da América Latina, com 4 milhões de alunos, além de uma unidade em Portugal. Na rede, o conceito de educar se traduz de quatro maneiras:

  1. O erro é visto como parte do aprendizado.
  2. Há uma busca constante para que as equipes se autodisciplinem rumo à alta performance.
  3. Os líderes precisam se preocupar com todos os subordinados individual e empaticamente.
  4. Os gestores se esforçam para que os subordinados tenham uma missão e um placar.

Como deve ser um bom líder educador

Foto: Halfpoint/ Adobe Stock

Segundo Linda Hill, consultora e professora da Harvard Business School, os líderes bem-sucedidos hoje são os que aprendem e, assim, adaptam-se e crescem. Ela citou algumas  habilidades importantes dos gestores:

  1. Autenticidade: as pessoas não querem correr riscos com líderes que não enxergam como autênticos e bem-sucedidos. Então, o líder precisa achar a melhor versão de si mesmo.
  2. Curiosidade: o líder deve estar aberto a novas experiências e pessoas fora da sua área; não deve ter medo de fazer perguntas e deve refletir sobre suas paixões e interesses.
  3. Capacidade analítica: o gestor precisa saber desmontar problemas complexos e desenvolver soluções; isso depende de intuição e de habilidades analíticas.
  4. Adaptabilidade:  as novas tecnologias fazem o mundo mudar mais rápido, e é nesse ritmo que mudam as expectativas dos stakeholders. O gestor deve se ajustar a essas demandas e aceitar tarefas fora da zona de conforto.
  5. Criatividade: esta é a capacidade de gerar ideias novas e úteis; e com uma equipe diversa e segura, o líder torna-se mais criativo e deixa os outros mais criativos.
  6. Conforto com a ambiguidade: o pensamento linear nos faz ignorar diferentes dinâmicas e devemos trocá-lo por um pensamento sistêmico: às vezes, pode-se se sentir navegando na neblina, mas deve-se insistir e adotar a prática de acalmar a mente como contraponto.
  7. Resiliência: o gestor deve reconhecer a fluidez das situações, compreender o contexto cultural em que atua e ir se ajustando a esses cenários.
  8. Empatia: os líderes precisam promover relacionamentos, construir confiança e envolver os membros de sua equipe; para isso, precisam se colocar no lugar deles.

Dúvidas mais comuns

A liderança educadora é um modelo baseado na confiança, no diálogo e no crescimento coletivo. O líder educador atua como facilitador do desenvolvimento das pessoas e da equipe, promovendo um ambiente de aprendizado contínuo e colaborativo.

O estilo comando-e-controle é autoritário, com tomada de decisão centralizada, motivação por recompensa e relação hierárquica. Já a liderança educadora é colaborativa e inspiradora, com decisões compartilhadas, motivação por significado e uma relação baseada na confiança, focando no desenvolvimento das pessoas.

O estilo comando-e-controle está ultrapassado porque não atende às demandas atuais de um mundo em constante mudança, marcado por avanços tecnológicos e maior complexidade. Esse modelo limita a autonomia e a motivação dos colaboradores, enquanto a liderança educadora promove aprendizado contínuo e adaptação, essenciais para o sucesso sustentável das organizações.

Um líder educador deve ser autêntico, curioso, analítico, adaptável, criativo, confortável com a ambiguidade, resiliente e empático. Essas habilidades permitem que ele aprenda continuamente, promova o desenvolvimento da equipe e conduza mudanças positivas na organização.

Os líderes devem tratar os erros como oportunidades de aprendizado, evitando humilhações e a cultura do medo. O feedback construtivo, que aponta como melhorar em vez de punir, ajuda a criar um ambiente seguro para o conhecimento fluir e para que as equipes se desenvolvam continuamente.

Os pilares comuns da liderança eficaz incluem Propósito, Pessoas, Comunicação e Resultados. Esses elementos ajudam a alinhar a visão e os valores, cuidar da equipe com empatia, garantir uma comunicação clara e alcançar metas, unindo humanidade com performance.

A liderança educadora aumenta a motivação ao proporcionar autonomia, significado e confiança. Diferente do comando-e-controle, que gera controle e desmotivação, o líder educador inspira e engaja a equipe, promovendo um ambiente onde as pessoas se sentem valorizadas e motivadas a contribuir com excelência.